terça-feira, 31 de agosto de 2010

União pede venda de hospitais da Ulbra para cobrir dívida de R$ 45 milhões

A União pediu a venda dos hospitais Luterano e Independência da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e do prédio da Ulbra Saúde em Porto Alegre para cobrir uma dívida de R$ 45 milhões da instituição de ensino. A universidade não teria pago impostos e contribuições sociais.

São réus no processo da Justiça Federal a Celsp, mantenedora da universidade, ex-dirigentes, como o ex-reitor Ruben Becker, e atuais, como o reitor Marcos Zimer. Em outra execução fiscal, a União cobra mais de R$ 2 bilhões pelos mesmos motivos — impostos e contribuições sindicais.

Neste processo, a Ulbra se enquadrou em um programa do governo federal para o parcelamento do débito. Desde então, a instituição não estaria honrando com seus compromissos junto ao Fisco.

As partes terão 30 dias para se manifestar a partir da intimação. Segundo o advogado de Ruben Becker, Geraldo Moreira, esta dívida é de responsabilidade da atual reitoria.

Justiça Federal já havia anunciado que pretendia leiloar hospitais

Na semana passada, o juiz Guilherme Pinho Machado, da Vara Cível da Justiça Federal de Canoas, anunciou que pretendia leiloar dois hospitais pertencentes à Ulbra. Ambos estão fechados desde 14 de abril de 2009.

Por meio do Leilão, o magistrado disse que conseguiria dinheiro para abater parte das dívidas da instituição com o poder público e contribuir para diminuir a carência de vagas hospitalares na Grande Porto Alegre.

O Hospital Independência tem 95 leitos, sendo 57 pelo SUS. O Hospital Luterano tem 130 leitos, praticamente todos no sistema particular ou convênios privados. As duas instituições foram fechados em meio à crise gerada pelo endividamento da Ulbra, em 2009.

A Ulbra possui dois outros hospitais em funcionamento. Um deles é o Universitário, que funciona dentro do campus, em Canoas. É o hospital-escola da Faculdade de Medicina. O outro é o Hospital Ulbra-Tramandaí, que tem se mantido com ajuda da prefeitura daquele município.


Fonte: RÁDIO GAÚCHA
Extraído de: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Geral&newsID=a3025087.xml

Escolas gaúchas começam a substituir lousas tradicionais por digitais

Gustavo Azevedo

Preto, branco, azul ou verde. Não importa a cor que tenha, o fim dele está próximo. Base do ensino desde o século 19, o tradicional quadro retangular no qual professores escrevem com giz ou caneta poderá se tornar peça de museu.

A substituição pelas lousas digitais ou interativas – equipamentos que agregam internet, vídeos, animações, jogos e outros aplicativos concentrados numa só placa – começou a se tornar realidade nas escolas gaúchas.

O colégio Kennedy, na Capital, é um dos pioneiros a apostar na novidade. Instalou no início deste ano as novas ferramentas nas suas 16 salas de aula, fazendo com que os 1,2 mil alunos e os 48 professores passassem a abandonar, gradativamente, o antigo e sempre empoeirado quadro-negro.

– A extinção do antigo quadro vai ocorrer, mas ele ainda é utilizado. Assim como o caderno e o lápis – afirma a supervisora geral do colégio, Raquel Mallmann.

A mudança é radical, especialmente para os educadores. Perto das lousas interativas, as aulas com giz parecem pertencer a um passado distante. A partir de um programa disponível na internet, os professores montam as aulas agregando vídeos, imagens, exercícios, mapas e links. Numa aula de ciências, por exemplo, os alunos não dependem mais do talento artístico do professor para conhecer as formas de uma célula humana. O desenho aparece na tela em 3D. As telas têm sistema touch screen, possibilitando o professor e os alunos interagirem, escrevendo, desenhando ou jogando com um simples toque de dedo. Além disso, todo o conteúdo escrito pelo professor pode ser enviado por e-mail.

– Eles prestam muito mais atenção agora. Não é mais uma agitação porque não aguentam mais a aula, mas uma agitação pelo conhecimento. Uma agitação pedagógica – afirma a professora Letícia Missel de Souza, que ainda passa por treinamento.

Para os alunos, a gana pelo saber parece ter sido aguçada ao extremo. No Colégio Kennedy, insistem em participar das aulas.

– É muito mais legal. A gente pode escrever ou jogar na tela – disse o aluno do 1º ano do Ensino Fundamental Gabriel Cardoso de Castro, 7 anos.

A lousa interativa é utilizada como diferencial para atrair alunos. A escola Sagrado Coração de Jesus, em Ijuí, estampa no seu site a novidade.

FONTE: JORNAL ZERO HORA
Extraído de: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/oxdaeducacao/19,0,3023988,Escolas-gauchas-comecam-a-substituir-lousas-tradicionais-por-digitais.html

Obama põe fim às operações de combate no Iraque

O presidente ressaltou que é hora de fortalecer a economia dos Estado Unidos

O presidente Barack Obama declarou oficialmente o fim da missão de combate americana no Iraque em um discurso no Salão Oval da Casa Branca na noite desta terça-feira. Obama reforçou que a principal missão do país neste momento é restaurar a economia.

- É hora de virar a página - disse o presidente, que se opôs à guerra desde o princípio.

Os EUA continuarão em solo iraquiano até o fim de 2011, com uma equipe de transição de 50 mil homens.

Segundo o presidente, as tropas que permanecerão no Iraque serão responsáveis por proteger os civis e os diplomatas norte-americanos que permanecerão no Iraque.


Relembre os principais momentos do conflito:

20 de março de 2003

EUA iniciam a guerra contra o Iraque, com os primeiros bombardeios a Bagdá. O ditador Saddam Hussein aparece na TV pedindo para os iraquianos defenderem o país.

9 de abril de 2003

As tropas americanas chegam ao coração de Bagdá e derrubam uma estátua de Saddam na praça Farduss, em uma cena transmitida ao vivo por emissoras de TV em todo o mundo.

1º de maio de 2003

Em um discurso pronunciado no porta-aviões Abraham Lincoln, o então presidente americano, George W. Bush, anuncia o final das operações militares de envergadura no Iraque, mas não o fim da guerra, porque, segundo disse, "ainda há muito trabalho difícil para se fazer" no país.

19 de agosto de 2003


Um caminhão-bomba explode junto à sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bagdá. O atentado suicida deixa 22 mortos, inclusive o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, enviado da ONU ao Iraque.

14 de dezembro de 2003

Tropas dos EUA capturam Saddam Hussein em um esconderijo subterrâneo próximo a Tikrit.

Abril de 2004

Uma série de fotografias das torturas e humilhações impostas a prisioneiros iraquianos por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib vem a público por meio da revista The New Yorker e do programa 60 Minutes, da rede de TV CBS. Os presos sofriam diversos tipos de abuso - de estupro a eletrocussão e ataques de cães. O episódio é um dos maiores escândalos da guerra do Iraque.

7 de maio de 2004

O civil americano Nick Berg, 26 anos, é decapitado por militantes islâmicos no Iraque. Um vídeo de sua decapitação se espalhou pela internet. Nele, os terroristas afirmam que estavam se vingando do abuso sofrido pelos presos iraquianos. É a primeira de uma série de execuções de reféns estrangeiros no Iraque.

30 de janeiro de 2005

Primeiras eleições multipartidárias em mais de 50 anos no Iraque, boicotadas pelos sunitas. Os xiitas obtêm a maioria absoluta no parlamento. Os sunitas conseguem apenas algumas vagas.

26 de abril de 2005

Relatório final da CIA (agência de inteligência americana) revela que não foram encontradas armas de destruição em massa no Iraque - que eram a justificativa dos EUA para invadir o país.

22 de fevereiro de 2006

Um atentado a bomba destrói uma mesquita xiita em Samarra. O ataque dá início a uma onda de violência sectária sem precedentes, deixando o país à beira de uma guerra civil.

30 de dezembro de 2006

Saddam Hussein morre executado na forca em Bagdá, após ser considerado culpado de crimes contra a humanidade.

14 de agosto de 2007

Uma série de explosões em uma área residencial da minoria religiosa Yazidi, entre as vilas de Qahtaniya e Jazeera, a oeste de Mosul, no norte do Iraque, mata quase 800 pessoas, segundo o Crescente Vermelho. Até hoje, é o ataque mais mortífero desde a invasão do país.

27 de fevereiro de 2009

Recém-empossado, o presidente americano, Barack Obama, anuncia que a missão de combate do país no Iraque terminaria em 31 de agosto de 2010. Depois disso, porém, entre 35 mil e 50 mil soldados americanos permaneceriam em solo iraquiano até o fim de 2011, executando missões mais limitadas.


AP E ZEROHORA.COM
Extraído de: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Mundo&newsID=a3024806.xml

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Curso de Prevenção ao Uso de Drogas para Educadores de Escolas Públicas

Estão abertas as inscrições do Curso de Prevenção ao Uso de Drogas para Educadores de Escolas Públicas. O curso é promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Presidência da República, em parceria com o Ministério da Justiça e o Ministério da Educação, sendo e executado pela Universidade de Brasília (UnB).
A finalidade do curso é desenvolver programas de prevenção do uso de drogas e de outros comportamentos de risco no contexto da escola e, nesta oferta de 2010, estão abertas 25 mil vagas para todo o Brasil.
O curso será oferecido em modalidade a distância, com atividades distribuídas em 04 (quatro) módulos, em carga horária total de 120 horas distribuídas em 04 (quatro) meses com dedicação mínima de 06 horas semanais.
http://www.cursoeducadores.senad.gov.br/

sábado, 28 de agosto de 2010

OAB vai reabrir investigação sobre atentado que matou secretária durante a ditadura militar

Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Rio, anunciou hoje (27) que vai reabrir a investigação sobre o atentado que matou a secretária da instituição, Lyda Monteiro da Silva, há trinta anos. Ela abriu uma carta-bomba endereçada ao então presidente do Conselho Federal, Eduardo Seabra Fagundes. O evento que marcou o anúncio da reabertura da investigação teve início às 13h40, no mesmo dia do mês e horário que a bomba explodiu há três décadas.

Segundo o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, “aquilo foi um ato de covardia. Aquilo ali era facílimo identificar, porque poucas pessoas seriam capazes de elaborar um artefato como aquele”.

Vannuchi disse ainda, que as pessoas precisam ser identificadas nem que seja para se envergonharem diante de seus filhos e netos.

O filho de Lyda, Luiz Felippe Monteiro Dias, disse que “essas pessoas têm que ser ouvidas. Eu ainda tenho esperança, sim, na apuração dos fatos. Em relação à violência e a impunidade, a sensação que eu tenho é como se o atentado fosse ontem”.

O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, disse que há fatos novos com relação ao atentado da OAB. Baseado nesses fatos, a instituição vai pedir a reabertura do inquérito. Há suspeitas de que agentes do DOI-CODI – órgão de repressão da ditadura militar subordinado ao Exército – teriam participado do atentado à bomba na sede da entidade, a mando de superiores hierárquicos. Um deles, o sargento Guilherme do Rosário, que morreu no atentado do Riocentro, um ano depois, meses após o atentado na OAB teria colocado flores no túmulo de Dona Lyda, o que chamou atenção dos parentes da vítima, por ser uma pessoa desconhecida da família.

Em relação ao atentado do Riocentro, Damous, disse que vai ser feito um estudo sobre os novos indícios e que se de fato, confirmados, a OAB vai pedir também a reabertura do inquérito.

Da Agência Brasil
Extraído de: http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20100827192224&assunto=5&onde=Brasil

Livro do exército ensina a louvar a ditadura

Da Folha de S.Paulo, por Angela Pinho:

A história oficial contada aos alunos dos 12 colégios militares do país omite a tortura praticada na ditadura e ensina que o golpe ocorrido em 1964 foi uma revolução democrática; a censura à imprensa, necessária para o progresso; e as cassações políticas, uma resposta à intransigência da oposição.

É isso que está no livro didático "História do Brasil - Império e República", utilizado pelos estudantes do 7º ano (antiga 6ª série) das escolas mantidas com recursos públicos pelo Exército. Nelas, estudam 14 mil alunos, entre filhos de militares transferidos ou de civis aprovados em concorridos vestibulinhos. De cada aluno é cobrada uma taxa mensal de R$ 143 a R$ 160, da qual estão isentos os que não podem pagar. Mas 80% das despesas são custeadas pelo Exército.

As escolas militares poderiam utilizar livros gratuitos cedidos pelo Ministério da Educação a todas as escolas públicas. Mas, para a disciplina de história, optaram pela obra editada pela Bibliex (Biblioteca do Exército), que deve ser adquirida pelos próprios alunos. Na internet, o preço é R$ 50, mais um caderno de exercícios a R$ 20. O Exército afirma que o material "atende adequadamente às necessidades do ensino de História no Sistema Colégio Militar".

O livro de história mais adquirido pelo MEC para o ensino fundamental, da editora Moderna, apresenta a tomada do poder pelos militares como um golpe, uma reação da direita às reformas propostas por João Goulart (1961-64). A partir disso, diz a obra, seguiu-se um período de arbítrio, com tortura e desaparecimentos, em que a esquerda recorreu à luta armada para se manifestar contra o regime.

Já a obra da Bibliex narra uma história diferente: Goulart cooperava com os interesses do Partido Comunista, que já havia se infiltrado na Igreja Católica e nas universidades. Do outro lado, as Forças Armadas, por seu "espírito democrático", eram a maior resistência às "investidas subversivas". No caderno de exercícios, uma questão resume a ideia. Qual foi o objetivo da tomada do poder pelos militares? Resposta: "combater a inflação, a corrupção e a comunização do país".

A obra não faz menção à tortura e ao desaparecimento de opositores ao regime militar. Cita apenas as ações da esquerda: "A atuação de grupos subversivos, além de perturbar a ordem pública, vitimou numerosas pessoas, que perderam a vida em assaltos a bancos, ataques a quartéis e postos policiais e em sequestros".

A censura é justificada: "Nos governos militares, em particular na gestão do presidente Médici [Emílio Garrastazu, 1969-1974], houve a censura dos meios de comunicação e o combate e eliminação das guerrilhas, urbana e rural, porque a preservação da ordem pública era condição necessária ao progresso do país."

As cassações políticas são atribuídas à oposição do MDB (Movimento Democrático Brasileiro). "Embora o governo pregasse o retorno à normalidade democrática, a intransigência do partido oposicionista motivou a necessidade de algumas cassações políticas", diz trecho sobre o governo Ernesto Geisel (1974-79).

Para o historiador Carlos Fico, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o livro usado nos colégios militares é problemático tanto do ponto de vista das informações que contém como pela forma como conta a história. "O principal motivo do golpe foi o incômodo causado pela possibilidade de que setores populares tivessem uma série de conquistas."

Mas, para Fico, mais grave ainda é a forma como o livro narra o período, com uma "história factual" carente de análise, focada apenas na ação dos governos. "Trata-se de uma modalidade desprezada inclusive pelos bons historiadores conservadores", avalia.
Extraído do Blog Historiar: http://arturpeixoto.blogspot.com/2010/07/livro-do-exercito-ensina-louvar.html

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

XII Simpósio Internacional IHU - A experiência missioneira: território, cultura e identidade

A Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, sob a coordenação do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, e apoio do Programa de Pós-Graduação em História promove o XII Simpósio Internacional IHU - A experiência missioneira: território, cultura e identidade, em São Leopoldo/RS, de 25 a 28 de outubro de 2010

Maiores informações em http://www.unisinos.br/eventos/experiencia_missioneira/

Link relacionado: http://unisinos.br/blog/historia/2010/08/23/a-experiencia-missioneira-territorio-cultura-e-identidade

Debates (In)convenientes V - UNISINOS

A Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) através de seu Programa de Pós-Graduação em História e do seu Curso de Graduação em Hisrória, promovem

DEBATES (IN)CONVENIENTES V

O Rio Grande do Sul multiétnico e a produção acadêmica

Palestrante:

Profª Drª Regina Weber (UFRGS)

Debatedores:

Prof. Dr. Martin Norberto Dreher (UNISINOS)

Profª Drª Sinara dos Santos Robin (UNISINOS/UFRGS)


Data: 9 de setembro de 2010, quinta-feira.

Horário: das 20h às 22h

Local: Sala de Seminários 2 da Biblioteca da UNISINOS.

EVENTO GRATUITO

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Documentário Mistério Farroupílha


O Núcleo de Especiais da RBS TV, veículou o documentário Mistério Farroupilha exibido em 2008, um vídeo com aspectos interessantes como a fuga do líder farrapo Bento Gonçalves da prisão na Bahia foi possível com a ajuda dos maçons. A Igreja Católica no Rio Grande do Sul, durante a Guerra dos Farrapos, esteve separada da Igreja Superior do Rio do Janeiro, e por consequência, do Vaticano. Símbolos na bandeira, no brasão e na própria arquitetura dos prédios públicos e privados no Estado fazem referências a símbolos da maçonaria, como o esquadro, o martelo, o delta e o olho que tudo vê. É possível que os principais líderes farrapos tenham sido influenciados por ideais republicanos difundidos em reuniões maçônicas? Os membros da Igreja foram perseguidos por não aceitarem a constituição da República Piratini e uma igreja própria?
Muitos questionamentos rondam os mistérios sobre a Revolução Farroupilha. A influência da maçonaria nas decisões e conflitos que aconteceram nos dez anos de sangrentas lutas e a cisão da Igreja Católica do Rio Grande do Sul com o Vaticano são assuntos abordados no documentário Mistério Farroupilha, especial sobre a Guerra dos Farrapos.
Com depoimentos de historiadores, líderes maçônicos e estudiosos católicos, o documentário sugere questionamentos sobre esses mistérios perdidos na história oficial do Rio Grande do Sul

Ficha técnica:

Direção de Marta Biavaschi. A pesquisa é de Carlos Urbim. Roteiro de Grace Luzzi e Vicente Moreno. Fotografia de Pablo Escajedo e arte de Bernardo Zortéa. Produção de Gino Basso e trilha sonora de Arthur de Faria. A coordenação de produção é de Nice Sordi. Direção Geral de Gilberto Perin. Realização: RBS TV de Porto Alegre.
Texto original extraído de: http://www.clicrbs.com.br/rbstv/jsp/default.jsp?programa=3&nome=misteriofarroupilha&pSection=1073&grupoid=0&uf=1&local=1

Poema da Paz de Madre Teresa de Calcutá

Caros leitores deste blog, ao postar a notícia do Centenário de Madre Teresa de Calcutá, me veio em mente demonstrar a sua imnportância através de suas sábias palavras, eis aqui uma mensagem que faz com que reflitamos sobre a vida. Poderá alguém dizer, este espaço é para assuntos acadêmicos e não para outras coisas. Mas perguntaria de minha parte, o que adianta termos um vasto conhecimento se não nos humanizamos?

Cem Anos de Madre Teresa de Calcultá

Uma missa solene em Calcutá abriu nesta quinta-feira as homenagens ao centenário do nascimento de Madre Teresa, a "santa dos pobres" que dedicou a vida a ajudar os necessitados desta cidade superpovoada do leste da Índia.

A missa, presidida pelo cardeal Telesphore Placidus Toppo, foi oficiada na sede da congregação das Missionárias da Caridade, fundada po Madre Teresa em 1950.

Durante a missa, que teve a presença de 1.000 pessoas, o cardeal leu uma mensagem do papa Bento XVI. Centenas de fiéis ficaram do lado de fora da capela por falta de espaço.

Ao fim da missa, as sucessoras de Madre Teresa, Sor Nirmala e a atual presidente da congregação, Sor Prema, soltaram pombas em sinal de paz e compaixão.

Nascida em Skopje (Macedônia) em 26 de agosto de 1910, Madre Teresa, cujo nome era Agnes Gonxha Bojaxhiu, chegou como freira à Índia em 1929 e obteve a nacionalidade indiana em 1951.

Depois de uma vida dedicada aos pobres, enfermos e desabrigados dos bairros pobres de Calcutá a partir de 1948, Madre Teresa recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1979. Ela faleceu em 1997 e foi beatificada por João Paulo II em 2003.
Fonte: Site EBand/Agência AFP
Extraído de: http://www.band.com.br/jornalismo/mundo/conteudo.asp?ID=100000338973

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cursos CPDOC/FGV - Fundação Getúlio Vargas

Pós-graduação em Cinema documentário (Rio)

Estão abertas as inscrições para a quinta edição no Rio da Pós-Graduação em Cinema Documentário. Sob coordenação acadêmica de Eduardo Escorel, o programa combina as experiências dos professores do CPDOC e a de profissionais de cinema que, além de produzirem documentários, têm reflexão intelectual sobre o gênero. O curso fornece bases teórica e prática para os interessados em realização, pesquisa e reflexão na área de Cinema Documentário.
Inscrições Abertas

Início: 20/09/2010
Horário: Segundas e Terças das 18h30 às 22h
Mais informações em mba.botafogo@fgv.br ou pelo telefone (21) 3799-5900. Atendimento de 2ª a 6ª-feira, das 8h30 às 20h.

MBA em Gestão e Produção cultural (Rio)

Uma parceria entre o CPDOC e a EBAPE (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas) da FGV, o curso oferece um elenco de disciplinas especialmente voltado para a melhor preparação do profissional da área de cultura nos âmbitos público e privado, seja ele gestor de organizações, produtor cultural ou formulador de políticas para o setor. Ao final do curso, este profissional deverá estar melhor preparado para conduzir de forma sustentável projetos complexos, posicionando-os de forma a explorar as melhores oportunidades em cada área de atuação no setor. Esse profissional estará em melhor posição para formatar, promover e financiar seus projetos, bem como dar conta dos resultados para financiadores e para a sociedade.
Inscrições Abertas

Início: 20/09/2010
Horário: Segundas e Terças das 18h30 às 22h
Mais informações em mba.botafogo@fgv.br ou pelo telefone (21) 3799-5900. Atendimento de 2ª a 6ª-feira, das 8h30 às 20h.

Seminário 100 anos da Revolução Mexicana

O CPDOC convida para o Seminário 100 anos da Revolução Mexicana, que contará com as apresentações de Javier Garciadiego e Guillermo Palacios (El Colegio de México), seguidas de comentários de Alexandre Fortes (UFRRJ). O evento tem a coordenação de Celso Castro (FGV/CPDOC).

http://cpdoc.fgv.br/noticias/eventos/27082010

Local: Fundação Getulio Vargas. Praia de Botafogo, 190. Auditório 318 (3º andar)
Data: 27 de agosto de 2010, sexta-feira
Horário: 15h
A entrada é gratuita e não é preciso fazer reserva. A FGV não permite o acesso de pessoas com shorts ou bermudas nem com sandálias tipo havaiana.

Leitura da Carta Testamento de Getúlio Vargas

Para continuar a recaptulação da Era Vargas, recomendo este vídeo abaixo. A Carta Testamento de Getúlio Vargas, que marca um período histórico relevante da História do Brasil.

História do Voto no Brasil

Em épocas de eleição, disponibilizo um vídeo sobre a História do Voto. Confiram, espero que seja útil.


video

Suicido de Vargas em 1957

Ontem, fez 53 anos do suicido de Getúlio Vargas, um episódio marcante da História do Brasil. Confiram o vídeo abaixo:

Há 49 anos, Jânio Quadros renunciava a Presidencia do Brasil

Confira o aúdio, clique aqui
É o segundo semestre do ano de 1961. Jânio Quadros renuncia ao cargo de presidente da República no dia 25 de agosto.

Naquele momento grave da história, o vice-presidente João Goulart estava em visita oficial à China. Assume provisoriamente o governo o presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli.

A Guerra Fria dividia então o mundo entre capitalistas e comunistas. E os três ministros militares - Odylio Denys, Silvio Heck e Grum Moss - vetam a posse de João Goulart. Eles acusam Jango de entregar os sindicatos ao comunismo e de querer reduzir as Forças Armadas a milícias comunistas.

O Rádio anuncia aos brasileiros a oposição à posse de João Goulart.

" E atenção Brasília. Parece confirmada a oposição das Forças Armadas à posse do vice-presidente João Goulart. Segundo despacho da Agência France Presse, o ministro da Guerra, marechal Odylio Denys, afirmou que mesmo que fosse investido o senhor João Goulart não poderia governar devido à oposição que encontraria"

O clima político no Congresso e no país pega fogo. Milhares de legalistas civis e militares são presos.

Ranieri Mazzilli envia o manifesto dos militares ao Congresso, que forma uma comissão mista de 6 senadores e 6 deputados para buscar uma saída ao impasse.

No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola, cunhado de João Goulart, assume a liderança civil da resistência contra o golpe militar que se anunciava. Ele forma a chamada "cadeia da legalidade", constituída por 104 emissoras de rádio, e a população gaúcha através do Rádio se prepara para a resistência.

"Porto Alegre. A assessoria de imprensa do Palácio Piratini acaba de distribuir nota oficial com o seguinte teor. O governo do Rio Grande do Sul cumpre o dever de assumir o papel que lhe cabe nessa hora grave da vida do país. Cumpre nos reafirmar nossa inalterável posição ao lado da legalidade. Não pactuaremos com golpes e violências contra a ordem constitucional e contra as liberdades públicas. Se o atual regime não satisfaz, desejamos seu aprimoramento e não sua supressão, o que representaria uma regressão e o obscurantismo. Esta é a Voz da Legalidade transmitindo diretamente da sala de imprensa do porão do Palácio Piratini, em 27 de agosto de 1961"

O general Machado Lopes, comandante da mais poderosa unidade militar, o Terceiro Exército, se rebela contra os ministros militares e afirma que só recebe ordens do presidente constitucional João Goulart.

A perspectiva é de guerra civil no país dividido.

Para afastar o risco, lideranças políticas do Congresso decidem fazer tramitar com a máxima urgência uma Emenda Constitucional que introduz no país o sistema parlamentar de governo. A proposta desrespeita até mesmo prazos regimentais das Casas.

O deputado José Maria Alkmin, líder do PSD, discursa a favor do parlamentarismo na Câmara. Ele diz que a fórmula é necessária para superar o momento difícil do país.

"Temos que procurar um regime de representantes do Congresso. Um regime flexível... Isso quer dizer, senhor presidente, um regime flexível que pode se legitimar pela consulta popular. Um regime que represente todas as correntes de pensamento. Se nós tivéssemos praticando-o, não estaríamos nesta casa agora procurando soluções... Que nos entreguemos de coração a nossa tarefa. A fim de que possamos dar ao Brasil em mais algumas horas um regime parlamentarista que seja segurança, que seja garantia, um estuário e que possa encerrar todas nossas dificuldades"

A proposta da emenda parlamentarista é votada em 2 de setembro e vence pelo placar de 233 votos a 55.

A alternativa conciliatória garante o mandato presidencial de João Goulart, mas com poderes reduzidos, e prevê uma consulta popular sobre o sistema parlamentarista dentro de quatro anos.

Leonel Brizola e o líder do PTB na Câmara, Almino Affonso, consideram a solução um golpe branco. Os ministros militares admitem a proposta. E João Goulart, que havia retornado ao país, via Porto Alegre, diz que aceita o acordo para evitar uma guerra civil no país.

Tropas legalistas garantem a posse de João Goulart no dia 7 de setembro. No dia seguinte, tem início os trabalhos do primeiro gabinete parlamentarista da história da República brasileira, com o deputado Tancredo Neves como Primeiro-Ministro.

"Senhores deputados, esta sessão legislativa, a primeira a ultimar-se após a implantação do regime parlamentar no Brasil não podia ultimar-se sem que o Conselho de Ministros, pela palavra do seu presidente, viesse ocupar esta tribuna para trazer a Casa e a toda a nação as graves apreensões de que se acha possuído em face das circunstâncias que rodeiam a nossa implacável conjuntura econômico-financeira"

O Brasil só conhecera a experiência parlamentarista no Império. No sistema parlamentarista, o presidente é chefe de Estado. Mas a chefia do Governo fica a cargo do Conselho de Ministros, também chamado de Gabinete. O chefe do Conselho, ou Primeiro-Ministro, é indicado pelo Presidente da República, mas precisa ter seu nome aprovado na Câmara dos Deputados. Os demais membros do Conselho são escolhidos pelo Primeiro-Ministro.

Um amplo leque de forças políticas, com predomínio conservador, forma o primeiro Gabinete. São quatro membros do PSD, 2 da UDN e dois do PTB. Tancredo Neves, do PSD mineiro, propõe um governo baseado em quatro pontos: desenolvimento, estabilidade, integração e justiça.

Mas o clima de instabilidade política e as limitações do parlamentarismo aplicado ao Brasil inviabiliza o gabinete de compromisso.

Após 290 dias, o gabinete Tancredo Neves renuncia de forma coletiva sob o pretexto de que seus membros precisavam concorrer às eleições parlamentares de 1962.

João Goulart indica então San Tiago Dantas, do PTB, e ministro das Relações Exteriores no primeiro gabinete, para ser primeiro-ministro. Mas a Câmara julga-o muito à esquerda e veta seu nome por 174 votos a 110.

João Goulart indica um novo nome: o presidente do Congresso e senador Auro de Moura Andrade, do PSD paulista. O nome de Moura Andrade passa na Câmara, mas o veto agora é da área sindical, que promove a primeira greve geral de protesto no país. Moura Andrade então renuncia à indicação.

Já o segundo gabinete parlamentarista, liderado por Francisco Brochado da Rocha, do PSD do Rio Grande do Sul, resistiu apenas 63 dias.

Diante da recusa do Congresso em aprovar seu pedido de delegação de poderes especiais, Brochado renuncia junto com todo o ministério.

Pouco antes de renunciar, o Gabinete propõe que o Congresso antecipe o plebiscito pela volta do presidencialismo.

A fórmula parlamentarista brasileira tinha limitações. Nenhum primeiro-ministro de fato governava. Era Jango quem detinha o poder, embora reduzido. O parlamentarismo, sem condições de governar, abre então o caminho para o plebiscito que restauraria o presidencialismo.

O Congresso vota a antecipação do plebiscito, e por 169 votos a 83, aprova a realização da consulta em 6 de janeiro do ano seguinte.

O Congresso também autoriza João Goulart a indicar um gabinete sem consultar o Legislativo.

O terceiro e último gabinete parlamentarista, chefiado por Hermes Lima, assume como gabinete-tampão até a realização do plebiscito.

A consulta popular acontece em clima de ofensiva presidencialista. e João Goulart diz que é necessário restaurar um Executivo forte para que sejam feitas as reformas de base.

O voto na consulta não foi obrigatório. De 18 milhões de eleitores, 11 milhões votaram. O presidencialismo venceu a consulta em todos os estados e obteve 82 por cento dos votos válidos no pleito geral.

Durante o rápido período do parlamentarismo a cultura brasileira avança no exterior em várias frentes. No futebol, a Seleção Brasileira vence a Tchecoslováquia por 3 a 1 e se torna bi-campeã mundial. O filme "O Pagador de Promessas" ganha a Palma de Ouro no Festival de Cannes. E se os Beatles estouram nas paradas de sucesso, é a música brasileira que conquista Nova York, com a Noite da Bossa Nova, no Carneggie Hall.

Redação: Eduardo Tramarim.
Consultoria musical: Marcos Brochado

Extraído de: http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=45341

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O Mito do Gaúcho, por Moacyr Flores

A história dos povos é rica em manipulações de toda a espécie. Estas manipulações fazem parte da política cultural de determinada época e do engajamento do historiador ou do literato. Muitas vezes os fatos são manipulados deliberadamente durante seu processo, ou outras vezes nas gerações posteriores que criam e forjam mitos de acordo com a religião, a filosofia ou o imaginário dos intelectuais.

Herôdoto, ao escrever sua História, afirmou que não é possível confiar nos poetas, porque eles, embora conhecendo os fatos, criam mitos e falseiam os acontecimentos em busca de uma feitura estética e grandiosa, como imprimiu Homero na Ilíada, com seu gênio insuperável. Homero relata em seu poema que a causa da guerra dos gregos contra Tróia foi o rapto de Helena por Páris, que a levou para a cidade dos troianos. Herôdoto desmancha o mito e mostra que Páris levou Helena e o tesouro de Menelau para Salinas, no Egito, onde havia um templo de Hércules que protegia a todos que nele se refugiassem. Então por que a guerra contra Tróia? Herôdoto explica que os troianos controlavam o estreito de Dardanelos, cobrando pedágio dos navios gregos que atravessavam o estreito em direção às suas colônias no mar Negro. Os gregos atacaram Tróia para controlarem a navegação no estreito de Dardanelos, que liga o mar Egeu com o Negro. O historiador deve levantar o véu diáfano da fantasia, estabelecendo uma verdade de acordo com a documentação (Herôdoto, 1985, p. 122-125).

A lista de manipulação é grande: o incêndio de Roma atribuído a Nero, a viagem de Marco Polo à China, o protocolo dos sábios de Sião, a democracia norte-americana, o ataque a Pearl Harbor. No Brasil a lista aponta vários fatos: descobrimento por acaso do Brasil, o mito do bom selvagem, o bom governo de Maurício de Nassau, os bandeirantes alargando fronteiras e a fundar cidades, a raça do gaúcho como formadora do Rio Grande do Sul.

Herôdoto traçou os limites entre a Literatura e a História, estabelecendo que esta se faz através da pesquisa (historia, em grego), em busca da verdade de um fato, enquanto que aquela se constrói com imaginação e criatividade, em busca do belo. Infelizmente alguns amadores confundem a Literatura com a História, a criatividade poética com o fato histórico, o mito com a realidade, ignorando que a busca da verdade é um objetivo constante da construção do saber histórico.

Mas então, a Literatura não serve para a construção historiográfica? Desde 1930 que um grupo de historiadores produziram uma Nova História, em torno da revista criada por Marc Bloch, adotando o princípio de que tudo é História e que ela não existe por si mesma, a não ser que seja construída pelo historiador. Assim, todo o romance, poesia, conto, fotografia, gravura, música, pintura podem ser fonte da História, desde que contenham o imaginário da época do autor. Exemplificando: as peças de teatro escritas no período da escravidão e que colocam o cotidiano dos escravos em cena, são documentos fundamentais para estabelecer o imaginário e a conjuntura durante o escravismo. No entanto, um drama escrito hoje sobre a escravidão, não pode ser usado como fonte para o estudo histórico da escravidão porque o autor está reproduzindo o imaginário de sua época e não a mentalidade dos senhores e escravos.

A lenda dourada do cavaleiro gaúcho, como herói formador do Rio Grande do Sul, surgiu com a literatura romântica no final do século XIX. Conforme Jung "o mito do herói é o mais comum e o mais conhecido em todo o mundo". O herói formador de todas as culturas possui elementos de um arquétipo universal: é corajoso, hospitaleiro, honesto, sacrifica-se pelos amigos, luta contra o mal e não teme a morte. São atributos do herói grego, do cavaleiro medieval, do formador do clã africano, do formador do clã dos índios e do gaúcho, tanto brasileiro, argentino ou uruguaio.

A construção do mito do gaúcho é recente e envolve pessoas de etnias diferentes. É comum encontrar descendentes de imigrantes alemães, italianos, poloneses, judeus, árabes e japoneses com indumentária gaúcha (pilchas) em danças coreografadas e falando palavras do português arcaico com sotaque que denuncia sua origem diversa da tradição da Campanha platina.

Emílio Coni, pesquisando a documentação encontrou relatos sobre o gaúcho, que vivia no meio de índios pampeanos, roubando e matando o gado dos fazendeiros. Sua data mais antiga é 1617, "mozos perdidos" que viviam na proximidade de Santa Fé, atual Argentina. Em 1642, o cabildo de Buenos Aires referiu-se a bandidos chamados de "cuatreros e vagabundos", que assolavam os campos. Em 1686 os jesuítas registraram os vagos ou vagabundos que pilhavam as estâncias das Missões. No início do século XVIII grupos de homens matavam o gado da Vacaria do Mar para tirar o couro, se pagavam imposto eram chamados de "faenero", se não pagavam, eram "changadores" (Coni, 1969, p. 66-70).

Em 1750 apareceram os termos gaúcho e gaudério para designar esses marginais que viviam da pilhagem na capitania de Rio Grande de São Pedro. Em 1800, os malfeitores da Campanha sul-rio-grandenses foram denominados de gaúchos. Durante a época de safra, de novembro a março, esses gaudérios conseguiam emprego temporário nos rodeios e domas nas fazendas de criação de gado. Durante a Revolução Farroupilha o termo gaúcho tinha sentido pejorativo.

Por que esta dissonância entre a realidade e o mito do gaúcho? Os tradicionalistas e nativistas estão conscientes da origem do gaúcho? Inicialmente temos que depurar o mito do gaúcho, que por ser um mito, torna-se denominador comum ou modelo para pessoas de diferentes tradições.

O mito não é uma mentira, nem uma falsidade, é uma interpretação de uma realidade. Refere-se a uma existência histórica, pois ninguém consegue falar ou escrever sobre uma coisa que não existiu. Assim, a construção do gaúcho mítico partiu do real e se tornou plausível com referenciais históricos, passando no decorrer do tempo a ser considerada como conhecida de todos, embora seja uma criação que se processou lentamente, até se tornar anônima, formando uma tradição de geração em geração. Em pouco tempo o mito confunde-se com a tradição, sendo aceito por todos porque a narrativa usa matrizes sociológicas do trabalho campeiro, na camaradagem galponera e na turbulência das antigas revoluções e lutas na fronteira.

O espaço do gaúcho histórico era o Pampa argentino, uruguaio e sul-rio-grandense, mas a criação literária extrapolou o espaço original, colocando o gaúcho em zona onde ele nunca existiu, como na área de colonização européia, ou nos Campos de Viamão, lugar de criadores e de tropeiros de mulas.

O regionalismo rio-grandense surgiu dentro da corrente do Romantismo, influenciada pelas idéias de federação dos liberais moderados e farroupilhas, que argumentavam que o Rio Grande do Sul era diferente das demais províncias brasileiras por causa de seu clima, do seu meio físico, da raça que formava a população, da economia e da sociedade militarizada em função da fronteira e da pecuária.

No entanto, os viajantes estrangeiros referiram-se à imagem do gaúcho histórico sem as metáforas poéticas dos literatos românticos, descrevendo a imagem possivelmente deformada pela visão européia, de um tipo aguerrido e marginal à sociedade organizada.

Em 1771, Don Pablo Carbonell comunicou ao governador do Uruguai Don Vértiz y Salcedo que enviou uma partida de soldados contra os gahuchos "por ver si podían encontrar los malechores" (Jorge Becco, 1978, p. 73).

O viajante Auguste Saint-Hilaire, que esteve na província do Rio Grande do Sul em 1820, em diversos trechos referiu-se ao gaúcho como bandido, marginal e pilhador, indivíduo sem pátria que luta unicamente pelo saque.

Nicolau Dreys, em 1839, informou que o gaúcho já estava mudando, mas se reunia em grupos de pessoas sem moral e sem lei, formando uma sociedade agine (sem mulher). Afirmou que, para a felicidade dos povoados e das estâncias, os gaúchos não gostavam de mulheres.

A primeira fase do romantismo literário seguiu o modelo que se caracterizou pelo personagem central chamado de monarca das coxilhas ou de campeiro, tendo como referência histórica a Revolução Farroupilha. A trama é urdida na vingança, os personagens sofrem pelo amor contrariado, o campo é sempre melhor que a cidade, o herói é honesto, a natureza está presente com descrição da paisagem, os personagens falam uma linguagem regional e popular para salientar o aspecto nacional. Logo após a independência do Brasil, os intelectuais se propuseram a criar uma literatura nacional diferente da de Portugal, usando temática e linguagem regional.

Numa sociedade guerreira com lutas de fronteira, baseando sua economia na pecuária extensiva, não havia espaço para a produção intelectual, obrigando a poetisa Maria Clemência da Silveira Sampaio a editar seus versos no Rio de Janeiro, em 1823. Também Manoel de Araújo Porto Alegre migrou para o Rio de Janeiro, em 1837, onde desenvolveu intensa produção artística e intelectual. Nísia Floresta, que viveu em Porto Alegre de 1833-37, realizou suas publicações fora da província. Ana Eurídice de Barandas foi a única a publicar em tipografia porto-alegrense sua obra O ramalhete ou flores escolhidas no jardim da imaginação, em 1847.

O médico José Antônio do Vale Caldre e Fião publicou na capital do Império, sob forma de folhetim, em 1847, o romance A divina pastora, ambientado no Rio Grande do Sul e tendo como referencial a Revolução Farroupilha. Sua heroína, Edélia, é chamada de camponesa e de divina pastora. Há um personagem vestido à gaúcha, com grandes chilenas de prata, que deveria matar o herói em troca de seis meses de licença. Em 1849, ainda no Rio de Janeiro editou em folhetim O corsário, inserindo termos e acontecimentos regionais. O herói é o vaqueano que se veste à monarca, que significa à maneira campeira. Monarca é o bom campeiro. O termo gaúcho designa elementos armados e mal encarados, pois a palavra ainda se aplica ao marginal da área do campo. O diálogo reproduz termos regionais como poncho, macega, restinga, encilhado, apear-se, faxina, vargem.

M. J. de Oliveira Vasques publicou pequenas peças teatrais, reeditando-as em 1868, com o título de Produções dramáticas, onde consta o monólogo O gaúcho, repleto de termos campeiros e que termina com uma poesia sobre a vida triste que se passa na campina. O monólogo é humorístico, o gaúcho compara sua amada às belezas de uma égua, pois gosta de carreiras de cavalo.

Em 1865 Carlos von Koseritz editou A Campanha da província do Rio Grande do Sul, exaltando os habitantes, principalmente a beleza das mulheres. Talvez por estar há pouco tempo na província, Koseritz confundiu o gaúcho com o campeiro. O mesmo não aconteceu em seus escritos em 1883, quando o peão e o tropeiro não são chamados de gaúchos e o habitante do Rio Grande do Sul passa a ser denominado rio-grandense.

O português César de Lacerda encenou e publicou em 1867, em Recife, O monarca das coxilhas, drama em três atos sobre os costumes sul-rio-grandenses. O drama estabelece uma distinção entre o gaúcho, que é maltrapilho e castelhano, e o campeiro que trabalha como peão. O termo gaúcho ainda tinha conotação pejorativa.

De 1867 a 1874, Apolinário Porto Alegre, um dos fundadores da Sociedade do Partenon Literário, publicou cinco contos que pertencem ao ciclo do vaqueano, do campeiro e do monarca das coxilhas, usando cerca de 300 termos regionais, que ele classificou como o falar do povo. Apolinário retratou a realidade de sua época, a maneira de ser do rio-grandense contemporâneo. Em 1872 escreveu O vaqueano, como resposta ao romance de José de Alencar, escrito em 1870. O vaqueano simboliza o herói indomável em busca de vingança pela morte dos pais.

Novo ciclo surgiu na literatura regionalista quando Luís Alves de Oliveira Belo publica o romance Os farrapos, em 1877, onde o monarca das coxilhas passa a ser chamado de gaúcho, o centauro dos pampas.

No jornal Progresso Literário, de Pelotas, em 11.11.1888, consta a poesia intitulada O gaúcho, com os seguintes versos:

Soberbo, altivo, audaz,

Bem largas bombachas traz,

Ao lado enorme facão;

Onde a pistola se enlaça

P´ra afronta da humana raça,

Mas não comete traição.

Nessa época, o gaúcho histórico, gaudério e marginal à sociedade, desaparecera como voluntário na Guerra do Paraguai e pelo uso de novas técnicas nas lides campeiras, como o uso do arame dividindo propriedades e cercando as estradas que se transformaram em corredores, onde todos os que passam são vistos e controlados. Não dava mais para gauderiar cortando os campos. Em breve a linha férrea, transportando as tropas de gado, decretou o fim dos tropeiros. O uso da mangueira, brete e banheiro modificou o manejo do gado, não havia mais rodeios em campo aberto. A mão-de-obra campeira, liberada pelas mudanças na técnica do trabalho na agropecuária, vem para a periferia das cidades e engrossa as fileiras dos revolucionários e das forças legalistas na revolução de 1893-95.

Júlio Prates de Castilhos instalou a ditadura positivista em 1891, continuada por Antônio Augusto Borges de Medeiros e terminada em 1930 com Getúlio Dorneles Vargas. A sangrenta revolução federalista dividiu politicamente as famílias rio-grandenses.

Depois veio a paz, veio a saudade dos tempos de ouro, onde o homem livre amava o bom sol da liberdade. Era necessário unir os rio-grandenses. João Cezimbra Jacques criou, em 1898, a primeira instituição cultural tradicionalista, o Grêmio Gaúcho, com o objetivo de cultuar as memórias dos heróis farroupilhas Bento Gonçalves da Silva e Davi Canabarro, em busca de um passado idealizado e mítico, desenvolvendo o nacionalismo e o civismo. Segundo Cezimbra Jacques e Jorge Salis Goulart, o gaúcho rio-grandense é o herói reordenado, civilizado pela estância e pela cidade, o gaucho malo é castelhano.

No período de 1889 a 1930, a agropecuária atingiu novos níveis técnicos, liberando a mão-de-obra no campo. Na zona de produção de arroz abandonaram as foices individuais em troca de modernas ceifadeiras que percorrem os arrozais. Os campeiros se refugiam na periferia das cidades, em busca de trabalho nas fábricas, vivendo em malocas sem esgoto, sem água e sem eletricidade.

Luiz de Araújo Filho editou, em 1898, o livro Recordações gaúchas, em que o campeiro é o gaúcho, de vida rude pampeana, mas sempre otimista, "onde descendente de gaúcho, gaúcho era". Confunde-se o gaúcho com o campeiro, o homem marginal com o integrado na sociedade rural.

Surgiu um novo tipo de gaúcho mítico, o herói fundador de uma raça que viveu sua idade de ouro, que foi destruída pela urbanização e pela industrialização. Em 1910 Alcides Maya publica Ruínas vivas, considerando o Rio Grande do Sul decadente, no presente só restavam ruínas de um passado glorioso. Alcides Maya, ao cultuar o passado, criou uma imobilidade na própria literatura regionalista, levando os escritores mais jovens a adotarem uma linguagem morta, com termos gauchescos. Em Alma bárbara, o gaúcho é valente, mulherengo e indiferente à morte, conforme a quadrinha transcrita:

Sou gaúcho de bom gosto,

Morro quando Deus quiser;

Só dois prazeres conheço:

Cavalo gordo e mulher (Maya, p. 59).
Em 1912, João Simões Lopes Neto publicou Contos gauchescos, em estilo pré-modernista, usando linguagem narrativa simples e com termos regionalistas nos diálogos, e Lendas do Sul, obra inspirada no cancioneiro espanhol, contendo a lenda Salamanca do Jarau, criando a realidade fantástica que está impregnada de elementos do imaginário rio-grandense. Suas criações literárias, como a lenda de Sepé Tiaraju, são adotadas em sala de aula como se fossem a história do Rio Grande do Sul.

O livro de contos Terra gaúcha, de Roque Callage, publicado em 1914, apresenta o gaúcho mítico transfigurado em campeiro, não é mais o marginal historiado por Coni ou descrito pelos viajantes. Sua pretensão é de apresentar os contos como ensaios sociológicos e folclóricos, dentro de uma linha positivista de mitificação do herói.

Ramiro Barcelos, preterido em sua candidatura a senador, vingou-se do presidente do Estado, Antônio Augusto Borges de Medeiros, satirizando-o no poemeto Antônio Chimango. Cada capítulo inicia com a ronda, que descreve em sextilhas as lides campeiras, depois o tio Lautério reúne a peonada e conta a história relambória de um tal Antônio, Chimango por sobrenome. O anti-herói é apresentado como astuto, malicioso e intrigante, na maior sátira política escrita no idioma nacional.

Nada mais cômico e ridículo do que Borges de Medeiros transformado em gaúcho, pois, como seguidor da doutrina de Augusto Comte, tinha como utopia do progresso a sociedade industrial, antítese dos costumes campeiros.

A luz elétrica, o bonde e o cinema trouxeram modificações sociais, principalmente os filmes estrangeiros, ainda mudos, que mostravam ao povo novos valores, outras idéias e formas de viver. Na década de 1910 encontrei referências em jornais sobre o grupos carnavalescos de Porto Alegre, de nome "Os Fazendeiros", fantasiados de gaúchos, com botas, esporas e bombacha. Mas na década seguinte, em resposta ao movimento modernista, com seu nacionalismo verde-amarelo, firmou-se o mito do gaúcho, cultuado como nosso ancestral. O sul-rio-grandense virou gaúcho, mesmo que tivesse nascido na cidade e não soubesse montar a cavalo.

Em 1920 Múcio Teixeira editou Os gaúchos, um estudo do meio físico, da história, da vida no pampa, do cancioneiro popular e com biografias de pessoas ilustres. Traça o perfil do gaúcho como um ser dotado de heroicidade selvagem, "que luta braço a braço e peito a peito, só regressando aos pagos coroado e condecorado de golpes e cicatrizes".

Múcio Teixeira recolheu quadrinhas, que considera superiores ao de qualquer outro ponto do Brasil, pelos rasgos característicos da independência e bravura do povo de guerreiros e poetas. O gaúcho é guasca largado, o monarca das coxilhas é alto, reforçado, sadio, inteligente, desembaraçado, ágil, audaz, valente, franco e generoso. Considera uma injustiça compará-lo ao vaqueano do Piauí, ao sertanejo do Maranhão, ao jangadeiro do Ceará, ao jagunço da Bahia, ao tabaréu de Sergipe, ao matuto de Pernambuco, ao caipira de S. Paulo ou ao garimpeiro de Minas Gerais (Teixeira, 1920, p. 29-31).

A Academia Brasileira de Letras, em 1925, deu o primeiro prêmio de contos a Darcy Azambuja, pela obra No galpão, que têm como tema o cotidiano de carreteiros, tropeiros e peão de estância, denominados de gaúchos. Azambuja não trata do mito, mas coloca em seus personagens sentimentos e valores elevados.

Em 1925, Vargas Neto publicou Tropilha crioula, verdadeiro hino de exaltação ao gaúcho e às suas vivências de campo aberto. O estereótipo do gaúcho valente, machão, hospitaleiro e bom, passou a ser explorado pelos escritores tradicionalistas que criaram obras eruditas, com linguagem popular extinta, para serem incorporadas pelo povo como tradição gauchesca. Na realidade a tradição popular é dinâmica e se modifica no decorrer do tempo.

Universalmente o herói fundador vive num mundo diferente, gauderiando no Pampa, livre como o vento Minuano que corre pelas verdes coxilhas. É um mundo de fronteira, onde só o valente sobrevive, sem patrão e sem lei, conforme o poeta popular:

Quem é gaúcho de lei

E bom guasca de verdade,

Ama, acima de tudo,

O bom sol da liberdade.

Nos campos de minha terra,

Sou gaúcho sem patrão;

De a cavalo, bem armado,

Minha lei é o coração (Meyer, p. 37).

Esses versos, coletados por Augusto Meyer tornaram-se anônimos e, sendo aceitos por uma tradição oral, tornaram-se autênticos.

A palavra guasca é de origem quíchua, termo dos índios charruas que significa tira de couro, mas é usada como sinônimo de homem livre, conforme o tema dos versos.

A identificação com o índio charrua foi sublimada por Alcides Lima, em 1882, quando escreveu que o gosto pela liberdade era herança do charrua, que não tinha chefe e tudo decidia em assembléia, como se o desejo de liberdade pertencesse unicamente a esses índios.

O gaúcho tem sua imagem sublimada, a imaginação poética sempre seleciona o que há de melhor em determinada etnia, ocultando o negativo, assim até mesmo o mais humilde, se é de pele mais escura é índio. Na linguagem usada em CTG, o termo xiru, do quíchua chiru, designa um rapaz. Há comparações com índios charruas na literatura gauchesca. O termo criollo é do espanhol, significando nativo, próprio do lugar, como por exemplo música criolla.

Há um racismo encoberto, que aflora em Severino de Sá Brito quando escreveu que os índios trouxeram dois grandes benefícios ao Rio Grande do Sul: concorreram para formar a peonada nas estâncias, diminuindo a introdução do elemento negro e ainda prestaram o serviço de apagar essa mancha negra (Brito, p. 128-29).

Roque Callage publicou, em 1927, o livro de contos Quero-quero, com cenas da vida campeira, onde o campo é melhor que a cidade e os processos gauchescos se alteravam à força do tempo e do progresso. Seus gaúchos se opõem ao progresso da cidade e do campo (Callage, 1927, p. 39).

Em 1937, com o Estado Novo, as instituições regionalistas foram extintas em face da política nacionalista de Getúlio Vargas. Com a fundação do 35 CTG, em 1947, surgiu um novo ciclo do gauchismo. A produção literária tradicionalista é tida como modelo de nossa tradição, sendo adotada inclusive em escolas, difundindo uma realidade idealizada, transvestindo em gaúcho crianças de diferentes etnias que formam o Rio Grande do Sul. Nas áreas de colonização alemã, italiana e polonesa, onde não existiu o gaúcho histórico, erguem-se galpões de Centro de Tradições Gaúchas (CTG), onde descendentes de colonos se fantasiam de gaúcho e de prenda, esquecendo as tradições e o folclore de seus antepassados. Prefeituras de município, sem a tradição do gaúcho, realizam rodeios, festivais de canções e de danças, destruindo muitas vezes o folclore e tradição locais.

Manoelito de Ornellas interpreta o gaúcho como sendo resultado de uma herança da cultura árabe, tanto o uso do cavalo como a indumentária, chegando a cometer o erro crasso de afirmar que chiripá, de origem indígena, é árabe (Ornellas, 1964, p. 25-32).

O historiador e crítico literário Guilhermino César admite que o Rio Grande do Sul, apesar de seus aspectos tão brasileiros, mantém uma cultura diferenciada, por ser um território onde se chocou a ocupação portuguesa com a espanhola, mantendo a fronteira sempre em armas. Autor considera o gaúcho mais uma expressão econômica do que um tipo étnico. Os acontecimentos históricos contribuíram para o distanciamento entre o gaúcho brasileiro e o gaúcho platino. Aquele tornou-se sedentário com o trabalho da estância, com vida modelada pelas técnicas de batalhas. A cultura diferenciada do rio-grandense é oriunda de pressões externas da região platina, enquanto que a pressão interna gerou a democracia (César, 1964, p. 13-24).

Moysés Vellinho procura explicar as tendências culturais e sociais do gaúcho através de modelos deterministas raciais. Essas tendências estariam relacionadas com a maior ou menor contribuição do índio, elemento fortemente diferenciador no confronto entre os dois tipos históricos do Prata e do Rio Grande do Sul. O índio entrou com um contingente maior na formação do gaúcho argentino, contribuindo com uma "carga de ódio com que reagiu ao desprezo e às violências do espanhol nas bandas platinas". Quando os portugueses chegaram ao Rio Grande do Sul, em 1737, já a população nativa estava rarefeita, porque os índios abandonaram as aldeias para se dedicarem à captura do gado e seguir a demagogia caudilhesca platina. Outros fatores importantes para a diminuição do contingente indígena foram a clausura missioneira, a guerra entre as tribos, a fome e a epidemia. O tratado de Madri, em 1750, provocou a derrocada das Missões. Vellinho insiste numa ordem político-militar que necessitou de uma aliança e amizade com o gentio. Assim, a população do Rio Grande do Sul nunca se constituiu em aglomerado informe e sem lei, como na região platina onde a antinomia campo-cidade se apresenta com violência, a ameaçar os padrões da civilização (Vellinho, 1964, p. 33-44).

A linguagem simbólica surge em decorrência da existência de muitas coisas fora do alcance da compreensão humana. O símbolo do gaúcho representa um conceito que não se pode definir, que transcende o seu significado manifesto. A representação do mito exprime, em muitas comunidades, uma experiência que as pessoas gostariam de ter vivido, transformando-a numa fantasia inconsciente, evasiva, precária, que precisa ser estabelecida com normas: tamanho da armada do laço, coreografia da dança, tipos de pilchas, penteado das moças.

O símbolo do gaúcho tornou-se coletivo porque usa arquétipos arcaicos que foram elaborados cuidadosa e conscientemente na mitologia de todas as civilizações ao longo dos séculos: coragem, ousadia, alegria, indiferença pela morte, honestidade, honra, amor ao pago, machismo, lealdade.

Segundo Jung, estas imagens arquetípicas são instintivas, fazem parte da natureza humana. O gauchismo nada mais é do que um fator antagônico em decorrência da urbanização e da transformação da sociedade que trouxe rupturas morais, mudanças nas relações familiares, competição econômica, dificuldade de relacionamento e reivindicações de grupos, de etnia e de sexo. Mas também tem um significado ideológico, o CTG é organizado como uma estância, patrão, capataz, sotocapataz, peão e prenda. O mito do herói formador se confunde com o latifúndio de criação de gado, que produz pouco emprego e pouco desenvolvimento para a região. Não se pode mexer na fazenda de criação porque ela é o modelo que seguem os tradicionalista.

O mito do gaúcho é alimentado pela mídia, em espetáculos de dança, música, canto e declamação. As churrascarias também abrem espaços para artistas tradicionalistas. A indústria de CDs colocam constantemente no mercado fonográfico músicas gauchescas. Os municípios realizam provas campeiras, concursos de danças e de músicas. Lojas especializadas vendem caríssimas roupas normativas para os bailes e espetáculos, movimentando este segmento comercial. Onde estes artistas, cantores, músicos, declamadores encontrariam espaço comercial para seus espetáculos, se o mito do gaúcho não fosse alimentado pelos poetas e pela mídia? Enquanto estes espetáculos são uniformizados, por causa das normas do MTG, o folclore do negro, do teuto-brasileiro, do ítalo-brasileiro e do descendente de polonês ou árabe, estão sumindo por causa do gauchismo, até mesmo em município que nunca teve gaúcho. Será um simples modismo ou um esquecimento de suas raízes? Prefiro o Rio Grande do Sul conservando seu rico e diferenciado mosaico cultural.

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Texto extraído em: http://www.esteditora.com.br/textos/gaucho.htm

domingo, 22 de agosto de 2010

Uma viagem pela História da cédula eleitoral

Branca Nunes
A aparente solenidade nas votações realizadas durante a da República Velha encobria a rotina de fraudes, atestada por resultados de votações só alcançados muitas décadas depois por ditadores africanos ou por um Saddam Hussein. Em 1902, por exemplo, Rodrigues Alves venceu Quintino Bocaiúva – um dos principais ativistas do movimento republicano – com 93% dos votos. Afonso Pena, em 1906, conquistou 98% dos eleitores. A proeza foi repetida em 1914 por Venceslau Brás (91%), em 1918 novamente por Rodrigues Alves (99%) e em 1926 por Washington Luís (99%).

A busca por eleições limpas, que conseguissem refletir a vontade da população, foi o que norteou – nem sempre com sucesso – as mudanças no processo eleitoral brasileiro. O gráfico abaixo mostra as principais escalas da viagem da cédula entre a infância da República e a maturidade democrática. Além de cientistas políticos, VEJA.com buscou também a opinião de personagens históricos. As principais informações foram fornecidas por Jairo Nicolau, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), autor do livro "História do Voto no Brasil" e criador do blog http://eleicoesemdados.blogspot.com

Para navegar pela página, clique sobre as ilustrações:


Texto extraído do Blog História Pensante.

Fonte: Revista Veja

V Simpósio Nacional de História Cultural

Estão abertas as inscrições para Comunicações nos Simpósios Temáticos do V Simpósio Nacional de História Cultural, que este ano será sediado pela UnB (Universidade de Brasília) e realizado de 08 a 12 de novembro.
Inscrições até 19 de setembro de 2010.
A partir do link do V SNHC abaixo, são encontradas todas as informações necessárias, além da lista dos 23 Simpósios Temáticos: programação, conferências, prazos, valores, hospedagem e muito mais.
Maiores informações em: http://soac.bce.unb.br/index.php/SIHC/VSIHC/schedConf/trackPolicies

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Fim da VARIG

Justiça do Rio de Janeiro decreta falência da antiga Varig
Decisão foi tomada a pedido da própria empresa, que acumula dívida de R$ 7 bilhões


A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta sexta-feira a falência da antiga Varig, que atualmente operava com a bandeira Flex, e de duas outras empresas do grupo: Rio Sul Linhas Aéreas e Nordeste Linhas Aéreas. A decisão, da juíza Márcia Cunha de Carvalho, em exercício na 1ª Vara Empresarial do Rio, foi tomada a partir de pedido do próprio administrador e gestor judicial da companhia. Ele informou ao Judiciário fluminense que as empresa não têm como pagar suas dívidas.

A Varig vai seguir operando, por duas semanas, serviços de comunicação por meio de estações de rádio que orientam os pilotos nas decolagens e pousos. A Trip Linhas Aéreas vai assumir dessas atividades após esse período. A Varig estava em recuperação judicial há cinco anos, e tinha dívidas estimadas em R$ 7 bilhões. O grupo foi o primeiro do país a pedir a recuperação judicial, quatro meses depois da promulgação da nova Lei de Falências.

Fonte: ZH DINHEIRO
Extraído de: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Economia&newsID=a3012442.xml

Cartaz VIII - Jornada Estadual de Estudos Afro-Brasileiros

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Igualdade da Mulher Negra no Mercado de Trabalho


O Ministério Público do Trabalho (MPT) lançou desde julho uma campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho. Dois modelos de outdoors estão sendo expostos em locais de grande visibilidade, em Porto Alegre e na região Metropolitana. Conforme a procuradora do Trabalho Márcia Medeiros de Farias, do Núcleo de Proteção à Dignidade do Trabalhor (Coordigualdade), “você pode não perceber, mas o preconceito contra as mulheres negras está mais presente em nossa vida do que você imagina”. Mulheres negras ganham 45% menos do que mulheres brancas e 66% menos do que homens brancos. No Brasil, quatro entre dez mulheres negras não têm emprego e apenas 0,3% dos cargos de gerência são exercidos por elas. Os dados são da Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras. A fonte As informações são o mote das peças publicitárias, que incluem anúncios de jornal, criadas pela agência e21, com apoio da STV.
Denúncias podem ser encaminhas pelo site www.prt4.mpt.gov.br, que também informa os endereços e telefones dos oito MPTs no Interior do Estado: Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Santo Ângelo, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Uruguaiana, além dos dois postos: Gramado e Rio Grande. Na Capital, o atendimento é feito na sede, na rua Ramiro Barcelos, 104, bairro Floresta, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, ou pelo telefone (51) 3284-3066.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público do Trabalho no RS (MPT-RS)
Texto extraído de: http://wp.clicrbs.com.br/rbstvsantoangelo/2010/06/15/mpt-rs-lanca-campanha-pela-igualdade-da-mulher-negra-no-mercado-de-trabalho/?topo=48,1,1,,,48
Para refletir...
Somos um país de uma grande miscigenação, mas também de exclusão étinica e social, onde para muitos as oportunidades de crescimento são quase que inacessíveis!!! E há quem se atreve dizer que somos um país de democracia racial ou que não há preconceito!!! Que hipocrisia, não acham?

terça-feira, 17 de agosto de 2010

50 anos de Beatles


Shows em Hamburgo celebram começo dos Beatles há 50 anos
Bambi Kino, formada por músicos americanos, vai homenagear os Fab Four.

Em 17 de agosto de 1960, banda subia num palco pela primeira vez.
Quatro apresentações em homenagem aos Beatles serão realizadas de 17 a 20 de agosto em Hamburgo, norte da Alemanha, no clube onde lançaram sua carreira, por um grupo de artistas conhecidos que resgatará suas primeiras músicas, anunciou a organizadora do evento, Hamburg Marketing.

No dia 17 de agosto de 1960, os Beatles, que na época eram cinco, subiram pela primeira vez em um palco, o "Indra Club", uma acanhada casa noturna de Hamburgo que ainda existe. Os Beatles fizeram depois centenas de apresentações nesta cidade entre 1960 e 1962.

Para celebrar este aniversário, quatro músicos americanos de diferentes grupos, Ira Elliot (Nada Surf, Maplewood), Erik Paparazzi (Cat Power), Mark Rozzo (Maplewood) e Doug Gillard (Guided By Voices), criaram em 2009 o Bambi Kino, que recebe o nome de um cinema de Hamburgo especializado em filmes westerns e pornográficos que abrigou os Beatles em seu começo — em um quarto sem janela, sem banheiro e sem aquecedor.

Um museu foi aberto em 2009 em Hamburgo para celebrar o culto aos Beatles. O prédio de cinco andares, no coração da "Reeperbahn", bairro quente da grande cidade portuária alemã, chama-se "Beatlemania" e retrata o início da carreira dos rapazes de Liverpool. Na época, eles ainda eram cinco jovens músicos ingleses de 17 a 20 anos (John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Stuart Sutcliffe e Pete Best), e sem Ringo Starr.

No ano passado, Paul McCartney iniciou a sua turnê europeia nesta cidade.

Matéria extraída de: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/08/shows-em-hamburgo-celebram-comeco-dos-beatles-ha-50-anos.html

ULBRA Gravataí prepara Curso Preparatório o ENEM


A ULBRA Gravataí está oferecendo cursos gratuitos para o ENEM.
APROVEITE ESSA OPORTUNIDADE!

Escolaridade: 3º ano do Ensino Médio em curso ou concluído
Período de Inscrição: 18.08.10 – 25.08.10
Local: ULBRA Gravataí – Coordenação das Licenciaturas
Informações: ULBRA Gravataí fone: 3431.7677 Ramal: 233
Horário das aulas: 19h às 22h.

Comissão de Anistia analisa em setembro indenização a Betinho

A comissão do Ministério da Justiça que analisa pedidos de indenização de pessoas que foram perseguidas pela ditadura militar colocou na pauta o julgamento do caso de Herbert José de Souza, o Betinho, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta sexta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Militante da Ação Popular (AP), na clandestinidade, ele partiu para o exílio em 1971, retornando ao país em 1979. Caso seja anistiado, como é provável, os beneficiados serão seus herdeiros --Betinho morreu de Aids em 1997.

Segundo a coluna, o julgamento deve ser realizado em setembro, já que a Comissão de Anistia está passando por ampla reformulação --os funcionários terceirizados estão sendo substituídos por servidores concursados recentemente.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/775122-monica-bergamo-comissao-de-anistia-analisa-em-setembro-indenizacao-a-betinho.shtml

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Falas inéditas de Betinho em documentário

Ibase, Canal Imaginário e Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza lançam documentário sobre a história contemporânea do Brasil, com falas do sociólogo Hebert de Souza, o Betinho, na Vila das Artes, equipamento da Prefeitura de Fortaleza, nesta sexta-feira, 20 de novembro, às 10h da manhã. Antes do lançamento, às 8h, têm início uma oficina para multiplicadores do documentário direcionada para professores, animadores comunitários e integrantes do movimento social.

As oficinas têm o apoio da ABONG e da Prefeitura de Fortaleza e se estendem até sábado. O documentário "Caminhos da Democracia na Visão de Betinho", realizado pelo Canal Imaginário tem falas inéditas de Betinho, sobre a história contemporânea do Brasil, complementados por depoimentos de Alcione Araújo, André Spitz, Airton Soares, Bernardo Kucinski, Candido Gribowsky, Carlos Afonso, Carlos Fico, Claudius Ceccon, Dom Mauro Morelli, Dulce Pandolfi, Fafá de Belém, Fernanda Carvalho, Fernando Gabeira, José Marcio Camargo, Leonardo Boff, Miro Teixeira, Nadia Rebouças, Oscar Niemeyer, Paulo Markun, Plínio de Arruda Sampaio, Sebastião Soares, Sérgio Ferreira e Theotonio dos Santos.

Trata-se de uma série composta por cinco episódios, com mais de dez horas de depoimentos do sociólogo, seguida de um livro e um manual de apoio para multiplicação de exibições e debates em escolas e organizações sociais. As oficinas acontecem nos dias 20 e 21 de novembro, das 8h às 17h.As oficinas serão orientadas pelos pesquisadores e educadores Cleyde Afonso, Felipe Mello e Zilda Junqueira.

O evento é realizado pelo Canal Imaginário e Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza, com apoio da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG) – Regional NE3 e da Prefeitura de Fortaleza, através da Vila das Artes.

Serviço:

Lançamento do Documentário História Contemporânea do Brasil.
Data: 20/11/2009.

Hora: 8h30 da manhã

Local: Vila das Artes - Rua 24 de Maio, 1221 (esquina com Meton de Alencar), Centro. Fortaleza. Tel. (85) 252-1444
Extraído de: http://papocult3.blogspot.com/2009/11/documentario-traz-falas-ineditas-de.html

Um pouco mais sobre a revisão das indenizações da ditadura militar no Brasil

Para Comissão de Anistia, rever indenizações é um retrocesso histórico

O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, considerou um "retrocesso histórico" que "enfraquece a democracia" a decisão tomada ontem pelo TCU (Tribunal de Contas da União) de rever as indenizações mensais pagas pelo governo a perseguidos da ditadura (1964-85).

Segundo Abrão, a decisão do TCU se estendeu demais ao interpretar o pagamento aos anistiados como aposentadorias e pensões, já que foi criado em lei um regime jurídico próprio que enquadra a pessoa que recebe indenização por perseguição política.

O Ministério da Justiça deve recorrer da decisão --ainda não está certo se ao próprio Tribunal de Contas da União ou ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A decisão tomada pelos ministros do TCU, após pedido do Ministério Público, abre caminho para reduzir ou cancelar quase R$ 4 bilhões já aprovados e que ainda serão repassados a anistiados.

A anistia e a concessão dos pagamentos são definidas pela Comissão de Anistia, ligada ao Ministério da Justiça. Mais de 7.000 beneficiários podem ser atingidos.

O procurador Marinus Marsico, autor do pedido encaminhado ao TCU, afirma que há ilegalidade na concessão de alguns benefícios. Ele cita o pagamento aprovado em 2007 à viúva de Carlos Lamarca, Maria Pavan Lamarca, que teve direito a receber R$ 903 mil retroativos e remuneração mensal de R$ 11.444,40.

O ato causou revolta nos quartéis. "A comissão não tem competência para promover ninguém", disse Marsico.

Segundo Paulo Abrão, a decisão de anistia e indenização à viúva de Lamarca, inclusive a sua mudança de patente, foi embasada numa decisão da Justiça Federal, que considerou o ato legal.

Extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/poder/782026-para-comissao-de-anistia-rever-indenizacoes-e-um-retrocesso-historico.shtml

Deputados e presidente da Comissão de Anistia criticam revisão de indenizações

Deputados e familiares de vítimas da ditadura militar condenaram nesta segunda-feira a decisão do Tribunal de Contas da União de revisar indenizações concedidas a perseguidos políticos. O tribunal decidiu na última quinta-feira que fará a revisão de indenizações de valores elevados. A medida poderá afetar cerca de R$ 4 bilhões em benefícios já aprovados nos últimos oito anos. "Não podemos aceitar que o tribunal reformule uma decisão soberana. O Tribunal de Contas da União não pode querer tirar a anistia", afirmou Luiz Couto (PT-PB). Pedro Wilson (PT-GO), por sua vez, elogiou os avanços alcançados durante o governo Lula na questão da anistia, mas ressaltou que ainda há muito por fazer. O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, também criticou a decisão do Tribunal de Contas da União: "Um país para ser considerado digno não pode retroceder em matéria de direitos humanos".
Extraído de: http://poncheverde.blogspot.com/2010/08/deputados-e-presidente-da-comissao-de.html

domingo, 15 de agosto de 2010

Curso do Memorial do Rio Grande do Sul: Seminário de fontes históricas: relatos de viagens

O Memorial do Rio Grande do Sul promove o Seminário de fontes históricas: relatos de viagens". Originalmente ministrado pela Profa. Dra. Núncia Santoro Constantino no Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS, visa demonstrar por meio de sessões decomunicações, aberta ao público em geral, a utilização metodológica dos textos produzidos pelos viajantes como fontes de pesquisas históricas. Os relatos das impressões sentidas por estes cronistas de época servem como testemunhos dos contextos vivenciados pelos mesmos o que possibilita novos olhares e problemáticas aos pesquisadores na atualidade.

Data: 16 de Agosto de 2010 18h no auditório do Memorial do Rio Grande do Sul.

O curso tem a Coordenação Geral de Núncia Santoro Constantino e além de Pesquisadores convidados: Débora Mutter, Karine dos Reis, KerpenKarine Lima, Jacqueline Ahlert, Leonardo de Oliveira Conedera, Leonor Baptista Schwartsmann, Lucas Antônio da Silva, Luciana de Oliveira, Natally Guinobre, Rodrigo Araújo Maciel, Tiago da Silva Coelho

VAGAS LIMITADAS: Investimento: R$ 5,00 – com certificado. Carga Horária: 3 horas
Sem certificado, entrada franca
Informações: 00xx51-3286-6190 com Arilson dos Santos Gomes
00xx51-3224-7210 com Leandro Toral de Oliveira

VIII JEAB - Jornada de Estudos Afro-Brasileiros

Estão abertas inscrições para A VIII Jornada de Estudos Afro-Brasileiros - “O negro sul-riograndense nos diferentes contextos locais”, tanto para ouvintes como para comunicadores.

O evento realizar-se-á no mês setembro de 2010, na noite do dia 21 de setembro e nas tardes e noites dos dias 22, 23, 24 de setembro e na manhã e tarde do dia 25 de setembro de 2010 no Auditório Oswaldo Goidanich no Memorial do Rio Grande do Sul na rua 7 de Sete de Setembro, 1020 - Praça da Alfândega - Centro Histórico de Porto Alegre.

Confira, informações sobre programação inscrições para ouvinte, sessões de comunicações e cronograma de atividades. Clique nos links abaixo:

Cronograma
Programa
Normas para comunicações

Ciclo de Debates sobre Acervos Fotograficos Museu da Comunicação


Clique aqui para baixar ficha de inscrição do evento

Mujimbo-Revista de Estudos Étnicos e Africanos

O corpo discente do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos (PÓS-AFRO/UFBA) lança o primeiro número da Mujimbo-Revista de Estudos Étnicos e Africanos. O objetivo fundamental do periódico é estimular e divulgar a pesquisa e o debate na área dos estudos étnicos, étnico-raciais, afro-americanos e africanos.

A Mujimbo, revista eletrônica de periodicidade anual, aceita trabalhos inéditos, em português, inglês, francês ou espanhol, sob a forma de artigos, ensaios, entrevistas, traduções, resenhas, sínteses de pesquisas, e instrumentos de trabalho (informações sobre arquivos, bibliotecas e fontes).

Mais informações sobre o envio de trabalhos encontram-se no sítio da Revista:
http://www.mujimboposafro.ffch.ufba.br/
Fonte: GT Estudos Étinicos - ANPHU-RS

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

História Cultural

A História Cultural é um ramo da Nova História que tenta compreender a História abandonando esquemas teóricos generalizantes, e valorizando grupos particulares, em locais e períodos específicos. Assim, surgiram trabalhos sobre gênero, minorias étnicas e religiosas, hábitos e costumes, incorporando metodologias e conceitos de outras disciplinas. Peter Burke é um historiador cultural que põe em prática algumas das diferentes abordagens discutidas.
Uma obra importante para a compreensão da História Cultural a leitura da obra "O que é a História Cultural?" Sem a pretensão de esgotar um tema tão complexo, o autor procura explicar a emergência, a partir da década de 1970, dos aspectos culturais do comportamento humano como centro privilegiado do conhecimento histórico, o que ele chama de “virada cultural”.
No site da ANPHU-RS, econtra-se um entrevista a respeito de História Cultural, concedida pela Professora Monica Pimenta Velloso.
Confira a entrevista, clique aqui

LINKS RELACIONADOS:

www.anpuh-rs.org.br/informativo/view?ID_INFORMATIVO=935
http://www.zahar.com.br/imprensa/r0917.pdf

O que significa ter 200 anos de independência?


No dia 16 de agosto, ás 19h45min, ocorrerá a Aula Inaugural do Cursos de Graduação e Pós-Graduação da UNISINOS, que contará com o Historiador Leandro Karnal.
O evento será realizado no Auditório Central das Ciências Humanas.
Fonte: Site ANPHU-RS

Seminário "O literário e a história"

Ocorrerá nos dias 20, 21 e 28 de agosto de 2010, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo localizado na rua dos Andradas, 1223 em Porto Alegre/RS, o Seminário "O literário e a história".
O evento pretende-se um espaço de troca entre a produção universitária recente em historiografia e nos estudos literários sobre questões e objetos comuns (como as relações entre texto e contexto social, autor e obra, trabalho artístico e imaginário coletivo, por exemplo) e, ao mesmo tempo, um momento de integração academia/sociedade, através da divulgação da pesquisa de ponta e da instrumentalização de professores de nível fundamental e médio na área.

Taxa de inscrição: 10 reais + doação de livro em boas condições para compor o acervo da Biblioteca O Continente (CCCEV)Certificado de curso de extensão: 15h

Número de vagas: 170

Obs.: os primeiros 60 interessados poderão se inscrever nas oficinas sobre utilização do texto literário em sala de aula, recebendo mais 2h de extensão no certificado.

Informações e reserva de vagas (pré-inscrição) pelo endereço oliterarioeahistoria@yahoo.com.br

Ou na sala 108 do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/UFRGS - Campus do Vale), com Tiago.

Programação


20 de agosto (sexta-feira):
19h - Conferência de abertura

- Regina Zilberman (Letras/UFRGS/UniRitter)

- Sidney Chalhoub (História/UNICAMP)



21 de agosto (sábado):
10h - Oficina 1

- Leandro Martines (Prof. Da rede pública estadual)

10h - Oficina 2

- Leonardo Pereira (Ddo. Letras UFRGS/Prof. PROJOVEM)

- Michele Zgiet de Carvalho (Mda. Letras UFRGS)

14h - História do livro e história editorial

- Elizabeth Torresini (Letras/FAPA/Editora Medianiz)

- Marília Barcellos (Comunicação/UNISINOS)


16 - Literatura, História e teorias do imaginário

- Ana Maria Lisboa de Mello (Letras/PUCRS)

- José Rivair de Macedo (História/UFRGS)

28 de agosto (sábado):

10h - Histórias literárias: contribuições para uma reflexão

- Marçal de Menezes Paredes (História/UFRGS)

- Maria Eunice Moreira (Letras/PUCRS)

14h - O crítico e o historiador: influxos intelectuais

- Atílio Bergamini Júnior (Letras/UFRGS)

- Mara Rodrigues (História/UFRGS)

16h - História social, história cultural: o texto literário como objeto e como fonte
- Charles Monteiro (História/PUCRS)

- Luís Augusto Fischer (Letras/UFRGS)


Entre os dias dias 16 e 28 de agosto de 2010. ocorrerá a Exposição Escritores Regionalistas do Rio Grande do Sul, que exibirá as primeiras edições de obras clássicas da literatura local, no CCCEV.

Realização:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Apoio:

Centro Cultural CEEE Erico Verissimo

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH/UFRG

Pró-Reitoria de Extensão - PROREXT/UFRGS

Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades - BSCSH/UFRGS

Biblioteca Central - BC/UFRGS

Fonte: Site ANPHU-RS

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dia Internacional dos Povos Indígenas

O Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995 como forma de reconhecimento da importância de suas contribuições históricas para a diversidade das civilizações e a necessidade de promover e garantir seus direitos, dando maior visibilidade a suas realidades vividas e seus principais desafios. Essa conquista é parte de um longo processo de luta histórica pós-colonial, de um lado, dos povos indígenas, na busca por um lugar no âmbito das sociedades e estados nacionais modernos, e, de outro, o esforço dos Estados nacionais na busca por reparação e superação das seqüelas coloniais e pela humanização das sociedades modernas.
O avanço nos processos democráticos e no reconhecimento dos direitos humanos e étnicos verificados no continente contribuiu para a criação de espaços institucionais transnacionais que possibilitam maior visibilidade, protagonismo e autonomia de pensamento e de ação dos povos indígenas. As estratégias são muito diversas e dinâmicas. Vão desde a capacidade de mobilização e articulação interna na defesa de seus direitos, passando pela apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos do mundo moderno, até a ocupação e a apropriação de espaços de poder político e econômico no âmbito das estruturas de poder.

Alianças - A principal estratégia que está sendo construída se refere às alianças internas entre povos indígenas, prometendo para breve a conformação de uma grande aliança ameríndia baseada numa fértil consciência ameríndia continental. Existe um consenso entre os povos indígenas de que a principal causa da dominação colonial européia durante tanto tempo teve origem e causa nas disputas e nas guerras intra-étnicas, utilizadas e manipuladas pelos colonizadores, uma vez que, no início, os invasores europeus representavam uma pequeníssima minoria entre os numerosos povos do continente. Falo de uma aliança pan-étnica capaz de potencializar experiências nacionais ou mesmo locais para a consolidação e garantia dos direitos indígenas nos marcos dos estados nacionais, frente aos grandes interesses políticos e econômicos hegemônicos.

Não é possível mais tratar questões nacionais sem considerar os interesses indígenas. O avanço dos direitos e da cidadania indígena, aliados a um crescente nível de consciência política, revela que os índios não estão mais dispostos a abrir-mão de seus direitos e de construir seus destinos. Talvez a principal novidade no indigenismo brasileiro atual seja o fato de que os povos indígenas não aceitam e nem toleram mais serem tratados como atores coadjuvantes. Querem ser tratados como sujeitos protagonistas e autônomos de seus processos etnopolíticos e etnodesenvolvimentos. Querem administrar seus etnoterritórios com autonomia, segundo seus projetos societários. Querem participar da vida nacional e das decisões sobre a vida nacional. Neste sentido, a sociedade brasileira conta com o apoio e a aliança dos povos indígenas na luta contra práticas históricas de desigualdades e a favor de uma nova sociedade de povos, culturas, nações, países e estados prósperos, solidários e justos.

Estratégias - Diante disso, os povos indígenas estabeleceram algumas estratégias progressivas para garantir a continuidade de seus espaços sociais, políticos e econômicos no âmbito do Estado. O primeiro passo é o da resistência quanto a toda e qualquer forma de dominação, exclusão, injustiça e políticas que não reconheçam ou respeitem os direitos humanos dos povos indígenas e dos setores sociais desfavorecidos.

O segundo passo é avançar na ocupação de espaços políticos, para dar visibilidade continental e mundial às realidades e causas indígenas e melhorar as correlações de forças internas e externas. O terceiro passo é o fortalecimento e a consolidação de uma grande aliança pan-étnica ameríndia continental que começa com as alianças nacionais e regionais em base a agendas e interesses comuns. O último passo será trabalhar pela retomada da autonomia e autogoverno em seus territórios para que possam administrar autonomamente as políticas e ações dentro dos seus territórios, como apoio e governança do poder público nacional.

Sobre o futuro dos povos indígenas percebo que cada vez mais estão superando o passado trágico do período colonial e começam a construir estratégias para garantir o futuro desejável. Mas o desafio é definir qual é esse futuro desejável, ideal ou possível. Um futuro mais espelhado ou referenciado no passado e na tradição? Ou mais espelhado ou referenciado no futuro da vida moderna? Creio ser mais provável que o futuro possível seja mesmo aquele que associa, articula e interage a forte relação com o passado e a tradição como a relação com o território e a natureza com a apropriação dos benefícios tecnológicos da modernidade, para a melhora das suas condições de vida.

Referências - Com relação aos demais extratos da sociedade, os povos indígenas cada vez mais serão referências de como enfrentar as tentativas de globalização negativa que oprime, exclui e marginaliza povos e setores sociais. Quando vejo povos quilombolas seguindo os exemplos das lutas dos povos indígenas para garantir seus direitos territoriais e de cidadania, é a prova disso. Isso porque, a tendência das sociedades urbanas fragmentadas e fragilizadas por ausência de referências e identidade, leva-as ao aprofundamento do comodismo, do individualismo e da apatia política. E, se tem um segmento capaz de motivar, com exemplo de vida e de luta, é o povo indígena. Aqui vejo uma grande possibilidade e oportunidade para ampliar a grande aliança continental dos diversos extratos sociais indígenas e não-indígenas em favor da construção de uma sociedade continental desejável.

O Brasil é um país particular no que diz respeito aos povos indígenas: vantagens e desvantagens. Em primeiro lugar, o fato de ter sido colonizado por Portugal, já é um mundo à parte. A principal desvantagem diz respeito ao acesso muito tardio ao processo de escolarização, que se iniciou praticamente neste milênio no âmbito do ensino superior, o que já havia acontecido ainda no início da segunda metade do século passado aos povos indígenas nos paises de colonização espanhola. Assim, enquanto em países vizinhos os povos indígenas já possuem membros profissionais em todos os setores e poderes da sociedade nacional, como juízes, ministros, deputados, senadores, reitores, professores, especialistas e pesquisadores, no Brasil ainda estamos lutando para ter os primeiros professores indígenas para dar aula nas séries iniciais do ensino fundamental nas aldeias.

A outra diferença é quanto ao tamanho populacional. Enquanto em outros países, a população indígena representa mais de 5% da população nacional, chegando a ser majoritária, como a Bolívia e a Nicarágua, no Brasil a população indígena representa 0,4% da nacional. Isso faz toda diferença na correlação de forças na luta pelos direitos, daí a estratégia de construção de alianças. Mas a situação histórica dos povos indígenas não traz apenas desvantagens. Tem também vantagens. O Brasil possui instrumentos jurídicos mais avançados para a defesa dos direitos indígenas, com relação ao território, à saúde, à educação e serviços sociais e públicos em geral, mesmo que eles ainda não estejam convertidos em políticas concretas.

De tudo isso resulta que os povos indígenas no Brasil, além de mobilização e pressão contra a violação de seus direitos, precisam abrir cada vez mais canais de diálogos para garantir esses direitos e para tentar ampliar novos. Com relação à sociedade nacional, ocorre processo semelhante, ou seja, a necessidade de sensibilização, de convencimento e de ganhar simpatia, o que exige muito esforço e capacidade de diálogo. Isso porque as condições de vida dos povos indígenas no Brasil ainda são muito precárias, ameaçadoras e por vezes de desesperança, causadas pelas fortes pressões psicossociais que enfrentam diante das constantes ameaças a seus territórios por meio das grandes obras de infra-estrutura, de frentes predatórias do agronegócio e da negação de direitos básicos aos seus territórios como ocorre atualmente no Mato Grosso do Sul, nordeste e sul do País.

O que renova a esperança é o fato de que o movimento indígena brasileiro está em franco processo de qualificação e empoderamento técnico e político gerando uma nova geração de lideranças, atores e sujeitos políticos que prometem levar a luta adiante e construir processos de autonomias internas – autogestão de seus territórios - capazes de dar respostas adequadas, eficientes e coerentes às grandes demandas históricas de seus povos.


Gersem Baniwa, professor-assistente na Universidade Federal do Amazonas, doutorando em Antropologia Social na Universidade de Brasília, é diretor-presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep), coordenador-geral de Educação Escolar Indígena (Secad/MEC) e membro-titular do Conselho Curador do Fundo Brasil de Direitos Humanos.

Extraído de: http://www.geledes.org.br/em-debate/o-brasil-e-o-dia-internacional-dos-povos-indigenas.html