quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Uma História de Segregação e Isolamento

O Hospital Colônia de Itapuã, criado com o objetivo de isolar doentes acometidos pela hanseníase, na maioria pessoas oriundas do meio rural, muitas delas descendentes de imigrantes alemães no Rio Grande do Sul. Como outras instituições para abrigar leprosos, o hospital-colônia de Itapuã surgiu da parceria entre estado e sociedades beneficentes, no caso a Sociedade Pró-Leprosário Rio-Grandense, criada em Santa Cruz do Sul. É de estranhar num primeiro momento a razão pela qual a Sociedade, constituída em 1924 objetivando marcar o centenário da imigração alemã com uma ação social, tenha demorado tanto até construir o leprosário e o tenha feito numa distância de 200 km de sua sede. O temor que a doença provocava justifica as dificuldades que a Sociedade encontrou para comprar um terreno até que, por fim, com a interferência de um grupo liderado pela mãe do embaixador Oswaldo Aranha, Da. Luiza Aranha, o estado integrou-se ao projeto e adquiriu grande extensão de terras no município de Viamão, em uma ponta onde havia poucos habitantes e uma natureza ainda por ser desbravada, com duas lagoas (a Negra e a grande laguna dos Patos) que tornaria o isolamento mais garantido.
Há quinze anos a Secretaria Estadual de Saúde resolveu levar para o Hospital Colônia de Itapuã uma parte dos pacientes possuidores de transtornos mentais, internos do centenário Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre. Atualmente são mais de cem pacientes psiquiátricos que habitam alguns dos pavilhões que anteriormente estavam destinados aos mutilados em estado grave.

Aquele universo de exclusão passou desde então a contar com outra classe de excluídos, os condenados pelos seus próprios delírios e fantasias, por isso impossibilitados de viver em um meio social normal.

Na tentativa de relatar a história desses pacientes dentro da instituição, Artur Henrique Franco Barcelos1 (professor de Arqueologia da Universidade Federeral de Rio Grande) e Viviane Trindade Borges que desenvolveram uma pesquisa histórica com
uma perspectiva social, objetivando analisar o que foi feito para reintegrar estes
egressos do internamento compulsório à sociedade, ao longo dos 61 anos do Hospital
Colônia Itapuã. O título da pesquisa é: "Segregar para curar? A experiência do
Hospital Colônia Itapuã", que culminou em um artigo pode ser acessado em: http://www.esp.rs.gov.br/img2/v14n1_12segregar.pdf
Sobre o assunto, o programa Eu faço a diferença da TV Assembléia, fez interessante reportagem, que pode ser conferida no vídeo abaixo. Aproveito a oportunidade de indicar o blog do programa que é mantido por sua apresentadora, Juliana Carvalho em: http://facaadiferencaalrs.blogspot.com

O programa sobre o Leprosário de Itapuã, pode ser conferido em: http://facaadiferencaalrs.blogspot.com/2010/01/hospital-colonia-itapua.html

http://facaadiferencaalrs.blogspot.com/2010/01/hospital-colonia-itapua.html

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