segunda-feira, 14 de março de 2011

14 de março de 1985 - Tancredo é operado 12h antes da posse

Por: Lucyanne Mano

À véspera de realizar o tão esperado sonho de milhões de brasileiros, o de ter na Presidência da República um chefe de estado civil após vinte anos de regime militar, Tancredo de Almeida Neves foi internado à noite, às pressas, no Hospital da Base em Brasília. Com uma crise aguda de diverticulite, foi operado de emergência. O povo brasileiro, no último dia de regime militar, viveu nesse episódio a sua primeira prova de capacidade para enfrentar crises...

Cumprindo a Constituição, assumiu interinamente a Presidência, no dia seguinte, o Vice José Sarney.

Após 38 dias de agonia, via crucis acompanhada, ora com esperanças ora com temor, por todo o país, Tancredo Neves, aos 75 anos, não resistiu. Seu coração, último de seus órgãos vitais a entrar em colapso, sucumbiu a uma septicemia. Morto num domingo à noite, no dia de Tiradentes, o articulador do mais alegre e mais pacífico movimento popular por mudanças políticas já ocorrido na história do Brasil, tornou-se mártir da luta popular pelas eleições diretas, sem, contudo, viver para presenciá-las.

Sarney manteve-se na Presidência da República pelos cinco anos seguintes. E só então, foram realizadas as eleições diretas para Presidente do Brasil, tendo sido eleito Fernando Collor de Mello.

Rodrigues Alves também não assumiu

Houve no Brasil um caso semelhante ao de Tancredo. O Presidente Rodrigues Alves, eleito em 1918 para exercer seu segundo mandato, não tomou posse por motivo de saúde. Ele contraiu a gripe espanhola no Rio de Janeiro, durante a campanha eleitoral.

Em seu lugar, assumiu interinamente o Vice, Delfim Moreira. Rodrigues Alves faleceu dois meses depois. Delfim Moreira, também apresentando uma saúde comprometida pela arteriosclerose, manteve-se no poder por apenas oito meses, tempo apenas para que fossem providenciadas novas eleições.

Fonte: JBlog
Extraído do Blog do Curso de História da UPF

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