quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

11 de janeiro de 1971: Acidente de carro mata médium Zé Arigó. Missão encerrada.

Por Lucyanne Mano

Reprodução do Médium Zé Arigó. Reprodução Blog Hoje na História
Um choque violento entre o Opala que dirigia e uma caminhoneta do DNER no quilômetro 374 da BR-135, pouco depois do destroncamento de Congonhas, matou José Pedro de Freitas, 50 anos, o médium brasileiro Zé Arigó. Antônio Ribeiro, que viajava no carona e João Felício de Sousa, que conduzia o carro oficial, também morreram.

Zé Arigó morreu cumprindo o que chamava de sua missão: curar o que muitos médicos não haviam podido diagnosticar: "Não existe o milagre, no sentido da derrogação das leis da Natureza, criadas pelo próprio Deus. A verdade, aceita até pela ciência médica é que a mente conturbada acarreta para o corpo as mais graves e sérias moléstias. E, como o mais das vezes essa perturbação é de fundo espiritual, é fácil de se concluir que, afastada a causa, pode-se obter sem nenhum milagre, a cura do corpo", sentenciava.

Por mais de 20 anos, Zé Arigó atendeu inúmeras pessoas, encarnando o espírito do Dr. Adolf Fritz, médico alemão morto pelos nazistas. E embora tenha deixado de herança para a família um terço das terras em torno da cidade mineira de Congonhas, jamais recebeu qualquer dinheiro daqueles que recebeu em seu consultório Centro espírita Jesus de Nazareno, a 78 km de Belo Horizonte, embora às vezes acusado de lucrar com a venda de medicamentos que receitava.

Embora poucos lhe negassem o caráter filantrópico, Zé Arigó só arrumou problemas para o cidadão José Pedro de Freitas quando acusado de prática ilegal da Medicina, curandeirismo e atividades mediúnicas, foi condenado em 1959. Concedido o indulto do então Presidente Juscelino Kubitschek no ano seguinte, voltou a enfrentar novo processo, aberto a pedido da Associação Médica de Minas Gerais e do Conselho de Medicina do Estado em em 1961. O processo arrastou-se até 1963, quando foi condenado a 16 meses de reclusão. Sete meses depois, foi libertado por habeas-corpus do Supremo Tribunal Federal, baseando-se na tese de que a demora no julgamento da apelação o estava prejudicando. Depois de 40 dias de liberdade, o Tribunal da Alçada confirmou a sentença e José Pedro voltou à cadeia. Mas, menos de três meses depois conquistava novamente a liberdade: O STF desta vez anulava a sentença. Durante o período, foram inúmeros os pedidos pela sua libertação.

Zé Arigó quase nunca contestava os médicos. Quando alguém ia ao seu centro e questionava sobre a recomendaçõ médica, respondia: "Se o médico falou, tem que fazer. Ele estudou para isso".

Sincretismo religioso
O padre Vírgilio Rodrigues, pároco de Congonhas, considerava-o um gande homeme. E seu amigo particular, afirmava que os trabalhos do médium em nada prejudicavam a Igreja. A mulher de José Pedro e seus seis filhos, inclusive, foram criados dentro da religião católica. O próprio José Pedro era praticante até descobrir sua mediunidade: "O espírita não é uma pessoa que abandonou o cristianismo; o mais das vezes é um católico que finalmente encontrou Cristo".

Outras efemérides de 11 de janeiro
1972: Caetano Veloso retorna do exílio
1985: Primeira noite do Rock in Rio
1989: Conferência de Paris condena armas químicas

Fonte: Blog Hoje na História - CPDOC/Jornal do Brasil. Disponível em: http://jblog.com.br/hojenahistoria.php

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