domingo, 30 de setembro de 2012

O que é cibercultura?



sábado, 29 de setembro de 2012

#Hoje na História: 29/09/2012 - Morre aos 83 anos Hebe Camargo

Hebe Camargo: apresentadora morreu aos 83 anos neste sábado, de parada cardíaca

A apresentadora Hebe Camargo, uma das pioneiras da televisão brasileira, morreu aos 83 anos neste sábado, de parada cardíaca, em sua casa no bairro do Morumbi, em São Paulo. Uma história que se mistura com a da própria televisão. Assim pode ser definida a trajetória de Hebe Camargo. Ícone da televisão brasileira nas últimas seis décadas, ela se tornou um patrimônio da cultura nacional. Desde que estreou na telinha, marcando presença na primeira transmissão televisiva do país, em 1950, o período máximo que passou afastada da TV foi de dois anos, logo após dar à luz seu filho único, Marcello, em 1965. Marcello é filho de seu primeiro marido, Décio Capuano. Nos outros 60 anos, Hebe brilhou e criou um estilo único de apresentar que é copiado até hoje por discípulas como Adriane Galisteu e Luciana Gimenez.

Sua carreira, iniciada no rádio como cantora e atriz, se cruzaria com a da televisão desde a chegada dos primeiros equipamentos de transmissão ao país. Convidada, junto com outros artistas, pelo então todo-poderoso Assis Chateaubriand, ela esteve no porto de Santos em 25 de março de 1950 para recepcionar os caixotes com câmeras, antenas e transmissores da futura TV Tupi, onde começou como cantora.

Oito anos depois, na TV Paulista -- a antecessora da Globo em São Paulo -- Hebe daria os primeiros passos como apresentadora, já fazendo história. De 1958 a 1964, ela comandaria o primeiro programa feminino da TV, O Mundo É das Mulheres. Fora das telas por quase dois anos – sua única ausência prolongada –, retornaria em 1967 com o dominical Hebe Camargo, na Record, e entraria definitivamente para o panteão histórico da TV brasileira, consolidando um bordão, "Ai, que gracinha!", e criando um formato copiado até hoje, o das entrevistas informais em um sofá.


Despedida da HEBE do SBT - 27/12/2010


Descrição de vídeo: Hebe Camargo se despede do SBT, segunda-feira (27), às 20h15, no programa especial de Ano Novo. Ivan Lins, Alexandre Pires, Daniela Mercury, Diogo Nogueira e Cauby Peixoto são os últimos convidados. 

A apresentadora canta sua versão da música Você Não Sabe, de Roberto Carlos. E para encerrar com chave de ouro, lê uma carta de despedida para o público.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Lista do Patrimônio Mundial no Brasil

As Missões Jesuíticas Guarani, Ruínas de São Miguel das Missões/RS
tombado em 1983. Foto de Eduardo Tavares

A UNESCO desenvolve atividades para a proteção e conservação do patrimônio natural e cultural brasileiro, incluindo-se aí os sítios declarados pela UNESCO "Patrimônio da Humanidade", conforme lista abaixo.
O site do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) traz mais detalhes sobre cada um dos sítios do Patrimônio Mundial no Brasil, assim como o site Patrimônios Culturais da Humanidade no Brasil (veja os links selecionados desta página).

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Acesso Secreto: O Vaticano



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Construindo um Império: Napoleão - History Channel

Construindo um Império: Grécia - Documentário da History Channel

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Discurso Che Guevara "La esperanza de un mundo mejor"

Comunicado Importante


Informamos que a colega Vanessa Fagundes se desligou da Ação Falando de História. Agradecemos o seu apoio ao nosso projeto.

Daqui alguns dias o Conselho Editorial da Ação FH se reunirá para tratar dos rumos para 2013.

Att,
Noé Gomes

Nota publicada no Portal Falando de História. Disponível em: http://www.falandodehistoria.com.br/sobrenos/2012/noticia132-20-09-12.html

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O último discurso de Salvador Allende




"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."

Fonte do texto traduzido: Blog Poemas e Conflitos. Disponível em: http://poemaseconflitos.blogspot.com.br/2008/09/o-ltimo-discurso-de-salvador-allende.html#.UFter7IiYdo

Série Pensadores: Jean Jacques Rousseau


Reflexão crítica sobre o 20 de setembro

Para historiador, Semana Farroupilha é equívoco
Reportagem: Luiz Renato Almeida (2007)

Em 20 de Setembro, os gaúchos comemoram a Revolução Farroupilha.
Para o historiador da Universidade Federal de Passo Fundo (UPF),
Tau Golin, a Semana Farroupilha é um equívoco histórico
Nesta quarta-feira, 20 de Setembro, os gaúchos comemoram a chamada Revolução Farroupilha, movimento reivindicatório surgido no Rio Grande do Sul em 1835
Para o historiador da Universidade Federal de Passo Fundo (UPF), Tau Golin, o tradicionalismo passa uma falsa idéia de que, no século 19, a população riograndense se levantou contra o Império. Para o pesquisador, o que começou em 1835 foi um movimento contra a taxação da terra e do charque, liderado por estancieiros e charqueadores. Nesta entrevista, Tau Golin explica porque, na sua opinião, a Semana Farroupilha é um equívoco histórico.

Os gaúchos sabem o que se comemora no 20 de setembro?
Os riograndenses sabem que se comemora a Revolução Farroupilha. No entanto, não têm uma idéia precisa e desconhecem o que foi a Revolução Farroupilha. A visão que predomina no conjunto da população é a elaboração feita pelo tradicionalismo, convertida em um civismo. O que significa isso? Todo o Rio Grande do Sul, na pretensão tradicionalista, foi transformado em uma espécie de região-país, como se todos tivessem o interesse de combater o Império. Essa é uma visão equivocada, porque os farrapos eram minoria da população. Eles jamais passaram de cinco mil a seis mil pessoas, numa população de 450 mil. Vários problemas existem nesta visão sobre a Revolução Farroupilha. Em primeiro lugar, o povo do Rio Grande do Sul, na sua maioria, ficou ao lado da Regência, do Império. Nós não podemos nos esquecer que esta revolta dos estancieiros e charqueadores do Rio Grande do Sul, que ocorreu em 1835, se dá poucos anos depois da Independência do Brasil. E a Independência do Brasil foi um processo bastante traumático, do ponto de vista da construção de uma identidade nacional. Ou seja, o Estado Nação surge em 1822. A população, até então, não tinha uma identidade de nação, eles eram apenas súditos de Portugal. Então, a Independência do Brasil significou que ela passou a ter uma identidade. E a revolta dos estancieiros não era uma reivindicação do conjunto da população. Era uma reivindicação contra a taxação da terra e do charque. Eram interesses de uma classe proprietária e de pessoas que lidavam no mercado internacional do charque. Não eram interesses da população. Por outro lado, nestes primeiros momentos a oligarquia do Rio Grande do Sul estava disputando o poder desta nova nação com as elites das outras regiões do Brasil. Então, nós não temos na Revolução Farroupilha uma dimensão, que se deu a partir do tempo, que o Rio Grande do Sul era uma espécie de região-nação que estava sendo sufocada pela Regência. Na verdade, a maioria do Rio Grande do Sul ficou ao lado do Império, porque ser contra o Império, naquele momento, era ser contra uma noção de brasilidade, era perder essa identidade que a Independência tinha dado. E foi por isso que a maioria da população do Rio Grande do Sul, especialmente as cidades, lutou ao lado do Império, e não ao lado dos farroupilhas.

O senhor está dizendo a visão atual sobre a Revolução Farroupilha dá ênfase a esta bandeira da liberdade, mas omite temas controversos, como a opção pelo escravismo?
A Revolução Farroupilha foi um movimento reivindicatório dos estancieiros e charqueadores, porque a estrutura do País que estava se fundando trabalhava com uma noção de regulamentação do País. Durante todo o período colonial, três séculos, não se cobrava o imposto da terra. Esse novo País começa a pensar na cobrança do imposto da terra. Os interesses dessa rebeldia dos caudilhos do Sul se dava também em cima de uma tradição guerreira, de guerras de fronteiras, que saía da política ou fazia da guerra um estado de política. Ou seja, entrar em armas era uma coisa natural na tradição dessa oligarquia riograndense, tanto é que esse protesto englobou três tipos de rebeldes: a maioria dos rebeldes farroupilhas era monarquista, o partido do Bento Gonçalves era monarquista ditatorial, não queria saber da normatização do país. Enquanto havia uma pequena parte de farroupilhas que eram monarquistas constitucionalistas: tinham uma idéia da lei, o que implicaria ser esse novo país. E havia uma minoriazinha, representada pelos jornalistas, pelos secretários desses grandes líderes, principalmente por influência da Revolução Francesa, que eram republicanos. Essas pessoas é que escreviam os textos. E se tomam estes textos, essas proclamações, como se fossem história realmente acontecida. Na verdade eram textos: era uma revolução do papel, e não uma revolução em que aquelas idéias que estavam ali eram verdadeiramente realizadas. Com exceção deste pequeno grupo, tanto o partido da maioria do Bento Gonçalves, como o partido da minoria, eram escravocratas. Tanto é que, quando eles reúnem a Constituinte Farroupilha, a escravidão é preservada e, além de só os proprietários terem direitos, os bens desses proprietários deveriam ser maiores do que seus bens no período imperial.

Até que ponto a exaltação do gaúcho não beira uma espécie de preconceito com as pessoas de fora? 
A Semana Farroupilha, do ponto de vista da história, é um grande equívoco. Essa idéia de que o Rio Grande do Sul se levantou como um todo contra o Império é uma bobagem tremenda. Isso não tem o mínimo de fundamentação histórica e foi inventado pelos tradicionalistas, mas em cima de um movimento feito pelo castilhismo, no início da Proclamação da República, porque o Partido Republicano Riograndense procurava uma legitimação. Essa legitimação foi buscada no passado. Então o primeiro grande movimento estatal feito desde uma visão de totalidade do Rio Grande do Sul farroupilha foi feita pelo castilhismo, que foi um regime completamente despótico. A primeira grande manipulação da visão histórica feita pelo estado castilhista ocorreu durante toda a República Velha. Com o passar do tempo, o tradicionalismo que surge vai se basear nesta idéia, só que no pós-Segunda Guerra Mundial estão em vigor no mundo os movimentos anti-coloniais, ou seja, as guerras de libertação nacional. E esse conceito de guerra de libertação nacional foi utilizado pelo tradicionalismo, aplicável ao Rio Grande do Sul. Começaram a passar a idéia de que houve um momento no passado que todo o Rio Grande do Sul se levantou contra o império. Mas não tem consistência nenhuma essa afirmação. O que nós temos concretamente é que a população, além de ser regimentada a força... os farrapos mantiveram a escravidão, quando fizeram o acordo final e aceitaram a anistia oferecida pelo Barão de Caxias, entregaram os cento e poucos negros que ainda restavam no exército farroupilha que não tinham sido chacinados no combate de Porongos, para o Império. Esses negros, que, em sua maioria constituíram os lanceiros negros, foram levados para o Rio de Janeiro, pelo Barão de Caxias, como escravos do Estado, e foram trabalhar nas obras do Estado. Parte deles trabalhou na recuperação do porto do Rio de Janeiro, inclusive. O que nós temos é a formação de uma memória altamente manipulável, transformada num civismo, num patriotismo caótico, que alimenta um tipo de sentimento completamente arrogante, anti-brasileiro, que não auxilia na compreensão da grandeza da história do Rio Grande do Sul, porque transformou o Rio Grande do Sul no mito de uma República de estancieiros, numa República de senhores de escravo. Então, hoje nós temos um Estado mobilizado pelas forças da indústria cultural, pelos aparelhos do Estado, para cultuar na avenida e por toda a mídia, senhores de escravo e caudilhos como heróis regionais.

E qual a sua opinião sobre a transformação do 20 de setembro em um grande evento, que atraia turistas de outros Estados, iniciativa esta criticada inclusive por alguns tradicionalistas?
Precisamos compreender a natureza do tradicionalismo, que por ter aparatos de Estado, aparatos da indústria cultural e em vários âmbitos da vida social, ele conseguiu incorporar todas as emoções e se faz de representante desses sentimentos de pertencimento. As pessoas que têm bons sentimentos, que desconhecem a natureza do tradicionalismo e a sua função, elas estão no processo, estão no movimento, mas desconhecem essa função estatal, essa capacidade dogmática de controle, de exercício de poder sobre as pessoas e fundamentalmente de uma vigilância sobre o comportamento e sobre a cultura. Então, em todos os âmbitos da vida social e cultural, os tentáculos do tradicionalismo vão se apossando deles, e esses tentáculos vão dando novos sentidos às emoções. Todos nós temos um sentimento de pertencer ao Sul do Brasil, de vivermos no Rio Grande do Sul, reconhecemos na história do Estado a sua grandeza. Isso está muito adequado à pós-modernidade, que se fundamenta basicamente no espetáculo e na imagem. Não interessa mais ser riograndense. Interessa parecer ser. Esse parecer ser adquiriu o aspecto de identidade. Parecer ser do Rio Grande do Sul é ter um aspecto consagrado no modelo tradicionalista. O modelo está pronto: basta você querer parecer do Sul, você veste esta fantasia. Obviamente, com isso não tem materialidade, tudo isso envereda para um superdimensionamento do parecer ser, ou seja, dessa coisa espetacular. Isso vai criando sentidos próprios, são forças que vão sendo manipuladas pelo próprio movimento, pelo Estado, então hoje o tradicionalismo também é uma força turística. Todos os recursos do grande espetáculo pós-moderno são utilizados: são verbas que deveriam ser destinadas à educação, ao conhecimento, à pesquisa, ao saber, e são desviadas, digamos assim, para esse campo de teatralidade, da espetacularização, dos desfiles, dos rodeios, ou seja, desta grande teatralidade, de um culto completamente vazio da identidade regional.

Fonte: Blog Coletivo Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: http://sustentabilidadesemapi.blogspot.com.br/2008/09/para-historiador-semana-farroupilha.html

domingo, 16 de setembro de 2012

Para refletir...


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

História da Internet

O Século das Luzes

domingo, 9 de setembro de 2012

Patrimônio Cultural: Perguntas & Respostas

Patrimônio Cultural

Basílica de Nossa Senhora do Carmo, no Recife.  (foto Claudio Rossi)
A preservação da memória de um povo está diretamente relacionada à conservação de seu patrimônio cultural. O processo de tombamento, no entanto, nem sempre é garantia de perpetuidade dessa memória, que muitas vezes se desfaz pela falta de incentivos públicos e privados. A primeira legislação brasileira que normatiza o tombamento do patrimônio cultural é o decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, que criou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e ainda vigora. Desde então, 676 bens arqueológicos, etnográficos, paisagísticos e históricos estão catalogados nos livros de tombo do órgão federal; outras centenas estão em tese protegidos pelos institutos estaduais e municipais. Saiba quais são esses órgãos, o que pode ser tombado e entenda o processo e suas implicações.
1. O que é patrimônio cultural?
2. O que é tombamento?
3. Quem pode tombar o patrimônio histórico e artístico? 
4. O que pode ser tombado? 
5. O registro de bens imateriais é o mesmo que tombamento?
6. Que tipo de proteção ganha um patrimônio imaterial ao entrar nesses livros de registro?
7. Tombar um móvel ou imóvel significa desapropriá-lo? 
8. Um móvel ou imóvel tombado pode ser vendido?
9. É possível realizar reformas e/ou restauração no imóvel tombado? 
10. Um imóvel tombado pode mudar de uso?
11. Quem é responsável pela conservação e restauração do móvel ou imóvel tombado?
12. O tombamento é a única forma de preservação?
13. Quem pode pedir o tombamento?
14. Como acontece um processo de tombamento?
15. Os órgãos brasileiros também são responsáveis pelo tombamento do patrimônio da humanidade? 
16. Quais bens no Brasil são considerados tombados pelos órgão competentes?
1. O que é patrimônio cultural?
O artigo 216 da Constituição Federal define patrimônio cultural brasileiro como sendo os bens de natureza material e imaterial tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade.
 
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2. O que é tombamento?
É a preservação de bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e afetivo para a população por meio de um ato administrativo realizado pelo Poder Público, que determina que certos bens serão objeto de proteção especial.
 
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3. Quem pode tombar o patrimônio histórico e artístico?
O tombamento pode ser feito nas três esferas de poder: federal, estadual e municipal. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é o órgão da União responsável pelo tombamento em nível federal. Nos estados, são os institutos do patrimônio histórico e artístico que podem executar essa tarefa. As prefeituras que possuem órgãos semelhantes também podem tombar um bem por meio de órgãos municipais de mesma natureza ou por meio de leis específicas ou pela legislação federal.
 
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4. O que pode ser tombado?
Bens imóveis, áreas urbanas como centros históricos ou bairros; áreas naturais; e também bens móveis, como coleções de arte ou objetos representativos de um acontecimento histórico. Também é possível o registro do patrimônio imaterial, como o samba de roda do Recôncavo Baiano e o frevo. Além do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), algumas prefeituras e estados também possuem legislação própria sobre bens imateriais.
 
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5. O registro de bens imateriais é o mesmo que tombamento?
Não. O registro é um instrumento de salvaguarda. Ao contrário do tombamento, cujo objetivo é a preservação das características originais de uma obra, seja móvel ou imóvel, o registro trata apenas de salvaguardar o desejo de uma comunidade em manter viva uma tradição, que pode vir a sofrer mudanças com o tempo. Um exemplo é o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras, em que o registro preserva e repassa o saber do ofício da fabricação de panelas de barro feitas na cidade de Goiabeiras Velha, no Espírito Santo, que é indispensável para se fazer e servir a típica moqueca capixaba. Os livros de registros estão divididos em quatro categorias: Formas de Expressão, Celebrações, Lugares e Saberes.
 
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6. Que tipo de proteção ganha um patrimônio imaterial ao entrar nesses livros de registro?
O objetivo é viabilizar projetos que ajudem a manter vivo o patrimônio cultural por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, que irão colaborar com pesquisas e projetos que dêem suporte para sua continuidade. Dessa forma, tomando o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras como exemplo, pesquisas em universidades poderão ajudar a desenvolver alguma espécie de barro que substituía a substância natural utilizada na fabricação das panelas, por se tratar de um recurso natural finito.
 
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7. Tombar um móvel ou imóvel significa desapropriá-lo?
Não. O direito à propriedade permanece inalterado após o tombamento.
 
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8. Um móvel ou imóvel tombado pode ser vendido?
Sim. Mas, antes o imóvel deve ser oferecido para a União, para o estado e para os municípios, nessa ordem. Caso nenhum deles queira adquiri-lo, a venda para outros é autorizada.
 
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9. É possível realizar reformas e/ou restauração no imóvel tombado?
Sim, desde que aprovado previamente pelo órgão que efetuou o tombamento.
 
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10. Um imóvel tombado pode mudar de uso?
Depende. Para isso, é necessário que o novo uso não cause prejuízo ao bem e haja uma harmonia entre a preservação das características do edifício e as adaptações ao novo uso. É necessária ainda a aprovação do órgão responsável pelo tombamento. Há, porém, exceções, casos em que a alteração do tipo de uso não é permitida.
 
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11. Quem é responsável pela conservação e restauração do móvel ou imóvel tombado?
O proprietário, que pode se candidatar para receber verbas de leis de incentivo à cultura ou a descontos de impostos prediais ou territoriais disponibilizados por algumas prefeituras.
 
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12. O tombamento é a única forma de preservação?
O tombamento é apenas uma ferramenta para se preservar um bem. Apesar de ser considerada a mais confiável, existem outras formas de preservação, que é de responsabilidade da União, dos estados e dos municípios, conforme estabelece a Constituição Federal. De acordo com o Iphan, o inventário é a primeira forma para o reconhecimento da importância dos bens culturais e ambientais, por meio do registro de suas características principais. Os Planos Diretores das cidades também estabelecem formas de preservação do patrimônio, assim como a criação de leis específicas que estabeleçam incentivos à preservação.
 
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13. Quem pode pedir o tombamento?
Qualquer pessoa pode pedir aos órgãos responsáveis pela preservação a abertura de estudo de tombamento de um bem.
 
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14. Como acontece um processo de tombamento?
O pedido de abertura de processo de tombamento é avaliado por um corpo técnico, que vai analisar se o bem em questão tem valor histórico ou arquitetônico, cultural, ambiental ou afetivo para a população e irá encaminhá-lo ao responsáveis pela preservação. Caso seja aprovado, uma notificação é expedida ao seu proprietário e o estudo volta para o corpo técnico. Enquanto a decisão final é tomada, o imóvel fica legalmente protegido contra destruição ou descaracterizações. O processo termina com a inscrição no Livro Tombo e comunicação formal aos proprietários.
 
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15. Os órgãos brasileiros também são responsáveis pelo tombamento do patrimônio da humanidade?
Não. Esse é o papel do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura), integrado por representantes de 21 países, que se reúne anualmente para votar as avaliações feitas por comissões técnicas da entidade. O Brasil possui atualmente 18 patrimônios da humanidade e tem o compromisso de protegê-los e conservá-los.
 
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16. Quais bens no Brasil são considerados tombados pelos órgão competentes?
O Brasil tem 18 bens considerados patrimônios da humanidade pela Unesco, sendo que a cidade de Ouro Preto, o centro histórico de Olinda, o Plano Piloto de Brasília e a Mata Atlântica (Reservas do Sudeste) estão entre eles. Já o Iphan tombou 676 itens, uma gama variada de bens que vai do Elevador Lacerda, em Salvador à Casa de Vidro de Lina Bo Bardi (SP). Já o Condephaat tombou edificações como a Estação da Luz (SP) e a coleção Mário de Andrade do acervo do IEB-USP. Órgão estaduais e municipais têm suas próprias relações.

Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat)

Extraído do site da Revista VEJA. Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/patrimonio-historico/patrimonio-cultural-tombamento-restauracao.shtml

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

"O Analfabeto Político" - Bertolt Brecht

Brasil independente, um desafio que continua


Fonte da Imagem: Site  Brasil Escola 
O fato histórico da independência do Brasil (7 de setembro de 1822) é conhecido pelos estudantes brasileiros. Dom Pedro I, às margens do Riacho Ipiranga (São Paulo), proclama a separação do Brasil em relação ao país colonizador: Portugal. Que lições podemos tirar dessa separação, que completa 188 anos?

Durante mais de três séculos (1500-1889), as terras brasileiras abasteceram de matérias-primas seu principal colonizador e outros povos e nações da Europa que estiveram por aqui. São produtos tropicais, riquezas do povo brasileiro, retiradas para atender à sociedade europeia no contexto do capitalismo mercantil, ou seja, açúcar, tabaco, algodão, cacau, anil, madeiras. A pergunta que pode ser feita é: o que mudou, em termos econômicos e sociais, na realidade de hoje?

Outras independências

O 5º Fórum Urbano Mundial da ONU, realizado no Rio de Janeiro, em 25 de março de 2010, mostrou que o Brasil é o país mais desigual da América Latina. Metade da riqueza brasileira pertence aos 10% mais ricos (50,6%), enquanto os 10% mais pobres levam apenas 0,8% dos recursos do país.

Atualmente, existem 192 milhões de pessoas vivendo no Brasil. Destes, 55 milhões são jovens entre 15 e 29 anos, dos quais 31% são considerados miseráveis, com uma renda per capita familiar inferior a meio salário mínimo, e outros 54% com renda entre meio e dois salários mínimos. Onde fica, além da independência política, a independência econômica e social do povo brasileiro?

Todos os brasileiros são conclamados a participar em três níveis: planejamento, execução e resultados. O que acontece é que, na maioria das vezes, os trabalhadores são recrutados apenas no que diz respeito à execução. Traduzindo: os trabalhadores são os produtores da riqueza, mas são discriminados nos resultados alcançados. O ponto chave e crucial é a participação no planejamento, pois é ali que são tomadas as decisões fundamentais que encaminham os resultados para as camadas mais ricas da população. Onde, então, fica a questão da cidadania? A participação nos lucros?

O historiador brasileiro Capistrano de Abreu (1853-1927) cita dois termos para caracterizar quem somos: ele fala em povo “castrado e sangrado”, ou seja, temos dificuldade em reclamar, em reivindicar e, por consequência, somos sofredores, não participamos da riqueza deste verdadeiro continente, território que abriga esses 192 milhões de brasileiros.

A sociedade em geral aceita o discurso das elites que sempre elogiam o povo brasileiro como pacífico, ou seja, nada de reclamar, exigir direitos, defender medidas concretas que beneficiem a todos. Não é, então, uma constatação sem fundamento a afirmação da ONU de que o Brasil é o país mais desigual de toda a América Latina. A própria atividade política é uma das maiores fabricantes de ilusão. Concretamente, uma delas é o mito da igualdade racial. Temos no Brasil cidadãos de primeira e segunda classes, embora a Constituição afirme a igualdade de todos perante a lei.

O que se espera?

Aguarda-se uma reação por parte da população que vive uma situação de injustiça ao constatar que não dispõe de uma moradia decente, emprego, atendimento à saúde, escola de boa qualidade para todos. A violência física campeia solta. As camadas mais ricas se protegem com cercas elétricas, alarmes, muitas grades, planos de saúde...

Entretanto, como afirma Hélcion Ribeiro em seu livro A identidade do brasileiro (Vozes, 1994), a violência inclui outros nomes concretos: desemprego, má distribuição de renda, proliferação dos grandes latifúndios, expulsão do homem do campo, destruição do meio ambiente, falta de saúde do povo, presença de menores carentes e abandonados.
No momento, somos a oitava economia do mundo, à frente do Canadá e da Rússia. O que esta classificação representa concretamente? Precisamos de mais utopia ao lembrar a nossa independência. O que parece inalcançável hoje serve como ânimo para que não deixemos de caminhar, de exigir nossos direitos em direção a uma nação mais igualitária, já que a realidade está em permanente mudança. Assim, a nossa independência é um processo que continua atual dentro da nossa história.

Osvaldo Biz
jornalista e professor, autor do livro Participação Política, distribuído pelo Mundo Jovem. Porto Alegre, RS.
obiz@cpovo.net
Artigo publicado na edição nº 418, jornal Mundo Jovem, julho de 2011, página 15.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um pouco de reflexão histórica... (Blog História Pensante)

Inauguração da Ponte Rio Niterói