sábado, 18 de maio de 2013

Primeira ferrovia do Brasil está esquecida e abandonada


Na estrada, a placa informa a existência de um marco na história do país. Alguns metros adiante, ainda é possível ver a linha de trilhos, engolida pelo matagal.
A ferrovia foi construída em 1854. Quando fez 100 anos, em 1954, foi tombada pelo patrimônio histórico. De lá para cá são quase 60 anos do mais completo abandono. A primeira ferrovia do Brasil foi atropelada pela modernidade. Soterrada pelo asfalto.
Em um trecho, a linha do trem desaparece debaixo da rodovia.  A ferrovia é obra de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá.  O traçado original, com 14,5 quilômetros, ligava Inhomirim, base da Região Serrana do Rio, à Baía de Guanabara.
A linha foi criada para levar o café produzido no Vale do Paraíba ao cais de Magé e, de lá, de barco ao porto do Rio de Janeiro.
“É uma estrada importante porque chegaria mais rápido, escoaria produtos, subindo e descendo com esses produtos de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro”, avalia o historiador Carlos Gabriel Guimarães.
Do cais, restam os pilares, quase todos destruídos. A primeira estação ainda está de pé.  Em frente a ela, uma réplica da primeira locomotiva.
Tudo isso pertencia a Rede Ferroviária Federal até 1998, quando foi entregue à prefeitura de Magé  e ao Instituto do Patrimônio Histórico. A área em torno foi alugada a uma empresa de tubulação e ocupada por moradias irregulares.  A estação virou um depósito.
“Até o fim de maio a gente vai estar com segurança armada para ocupar os terrenos com cerca e com a contratação de um escritório de arquitetura, para estabelecer o perímetro de tombamento”, afirma Cristina Lodi, superintendente do Iphan.
Há 30 anos, a Associação de Preservação Ferroviária tenta convencer as autoridades a  reativar o caminho de ferro. “O que nós queremos mais tarde é tentar enquadrar este projeto na Lei Rouanet, lei dos incentivos fiscais, para aí sim, conseguir de grandes empresas, que tem interesse na preservação e na memória do Brasil para poder aplicar recursos nesta ferrovia  abater do imposto de renda, e reativar. Porque só assim a gente vai conseguir reativar”, explica Antonio Pastori, associação de preservação ferroviária.

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