quarta-feira, 19 de junho de 2013

19 de junho de 1965 - Golpe derruba presidente da Argélia


Por Denise de Almeida

Ao receber um jornalista egípcio em abril de 1963, o então presidente da Argélia, Ahmed Ben Bella, apresentou-lhe o coronel Houari Boumedienne e disse: "Aqui está o homem que prepara complôs contra mim". E dirigindo-se a Boumedienne perguntou-lhe como iam as coisas. "Muito bem, obrigado", respondeu o coronel constrangido.

Dois anos depois, um conselho revolucionário chefiado por Boumedienne, vice-primeiro-ministro e ministro da defesa, derrubou Ben Bella em um golpe militar. O ex-presidente foi preso, acusado de traição e despotismo. Em comunicado transmitido pela Rádio Argel, o Conselho Revolucionário chamou Ben Bella de "charlatão, aventureiro, opressor do povo" e o acusou "de ter empobrecido a economia do país com o seu governo personalista". 

A declaração indicou que um dos motivos para o golpe fora a convocação da Conferência Afro-Asiática, que seria realizada naquele ano em Argel. A URSS não fora convidada por pressão da China.

Ben Bella foi o primeiro-ministro do governo de transição estabelecido ao final da guerra de independência, e foi eleito primeiro presidente do país. No seu governo, nacionalizou empresas petrolíferas francesas, distribuiu terras e propriedades abandonadas pelos ex-colonos franceses e adotou uma política externa pró-soviética. Com o golpe, Ben Bella cumpriu prisão domiciliar até 1979, e no ano seguinte exilou-se na Suíça.

Boumedienne também participou da luta pela independência do país. O golpe surpreendeu observadores internacionais em um momento em que a Argélia parecia ter encontrado um equilíbrio entre o poder civil e o militar. 

O ano de 1965 anunciava-se promissor, depois do fim dos conflitos na fronteira com o Marrocos. Ben Bella havia libertado prisioneiros políticos e preparava-se para assinar um contrato petrolífero importante com a França. Boumedienne morreu em 1978, e Chadli Bendjedid assumiu a presidência e aproximou-se da França e dos Estados Unidos.

Passado heróico na FLN

Ben Bella participou da luta pela independência da Argélia e foi preso duas vezes, sendo que da última vez permaneceu na prisão por seis anos. Ben Bella só foi libertado depois da assinatura do Acordo de Evian, pelo qual a França reconheceu a independência da Argélia. 

O presidente deposto havia lutado no Exército Francês durante a Segunda Guerra. Mais tarde assumiu papel destacado no grupo que deu origem à Frente de Liberação Nacional (FLN). Ben Bella transformou um punhado de argelinos em guerrilheiros treinados, que lutaram durante sete anos contra um exército de meio milhão de soldados.

Um milhão de argelinos e 20 mil franceses morreram na guerra de libertação. Com a independência, um milhão de colonos franceses retornaram ao seu pais de origem.

Fonte: Blog Hoje na História CPDOC/Jornal do Brasil. Disponível em: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=13543

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