terça-feira, 23 de julho de 2013

23 de julho de 1993 - A chacina da candelária


Por: Lucyanne Mano


"Dizem que ela existe pra ajudar /Dizem que ela existe pra proteger 
Eu sei que ela pode te parar / Eu sei que ela pode te prender...

... Dizem pra você obedecer / Dizem pra você responder 
Dizem pra você cooperar / Dizem pra você respeitar 
Polícia para quem precisa / Polícia para quem precisa de polícia..."
Titãs

Por volta da meia-noite cerca de 50 crianças de rua dormiam enroladas em cobertores próximo à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Nenhuma percebeu a chegada de dois Chevettes com as placas cobertas por plástico: um táxi, e o outro carro comum, ambos amarelos. Ao perceber que os meninos dormiam, um dos homens fez o sinal para que os comparsas se aproximassem. Em seguida foi o horror. Os homens começaram a atirar indiscriminadamente na direção dos menores.

Enquanto muitos preferiram fugir, sete deles que dormiam sobre uma banca de jornais, preferiram ficar imóveis, e foram executados com tiros na cabeça.

O local escolhido para a chacina foi a Praça Pio X, centro financeiro e sede de um símbolo sagrado do Rio: a Igreja de Nossa Senhora da Candelária.

Na verdade, a operação começara antes, na Rua do Acre, quando o lavador de carros Wagner dos Santos, de 22 anos, e mais dois menores foram apanhados por dois homens e jogados no banco de trás do Chevette amarelo. Wagner recebeu logo um tiro e desmaiou. Quando acordou estava estirado no chão perto do Museu de Arte Moderna, ao lado dos menores mortos.

As crianças e jovens que viviam nas ruas nas imediações da Igreja da Candelária eram atendidos de maneira voluntária pela Sra. Yvonne Bezerra de Mello. Neste dia, com o pedido de socorro, ela mesma conduziu mortos e feridos no seu carro, depois de uma longa espera pela chegada da polícia. 
Muitos dos sobreviventes foram morar debaixo de um viaduto em São Cristóvão e continuaram a serem atendidos pela Sra. Yvonne. Em 1992 o Rio de Janeiro terminou o ano com 424 crimes contra crianças de rua.

Fonte: Blog Hoje na História/CPDOC. Disponível em: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=27487

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