quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Sectarismo acadêmico no universo da História

Por Noé Gomes

Caros leitores deste blog, proponho que viajemos pelo tempo. Chegaremos numa tarde 2060. Brasil. Dois jovens estão acessando o campus pela primeira vez. Felipe e Roberto, estudantes da escola pública ingressam para o curso de História de uma Universidade privada.

Os anos passam e ambos se formam. Roberto descobre que o seu dom é a comunicação enquanto Felipe, menino pobre da perferia, cuja mãe foi professora e que morreu pela tristeza causada pela depressão segue o seu plano de honrar o nome de sua e participar da mudança que a sua progenitora sonhava e que jamais conseguiu ver.

São anos de ditadura cívil. Enquanto Roberto vende-se ao sistema para sobreviver, afinal de contas jornalistas nestes tempos são escassos e são como free lancers, Felipe tenta montar um grupo de resistência, mas vê seus planos ruírems, primeiro pela falta de apoio de seus professores e segundo que a geração de historiadores desta época, era tão ou mais alienada que as primeiras do século XXI;

Afinal de contas a "ANPUH" já inexistia, os historiadores diziam que não era mais necessária uma instituição que unisse a "categoria", já que nunca houve consenso em regularizar a profissão. E a ANPUH caíra no mesmo conto de 1969, cale-se e terão as suas funções reconhecidas. Já tinham esquecido as críticas de Nelson Werneck Sodré.

Felipe que ingressara na graduação jamais conseguiu fazer o seu mestrado, em seu currículo  muitas especializações, mas sempre que tentava uma vaga numa Universidade Federal, rejeitavam o seu projeto, diziam que era polêmico demais ou que não tinha consistêmcia teórica.

O mesmo não ocorreu com Fred, filho de uma historiadora famosa, cuja ideia era semelhante, tirando uns pontos e vírgulas e que a instituição de ensino superior, parabenizou pela sua criatividade e pelo seu vanguardismo.
Fred, entrou e passou no seu mestrado logo depois ganhou um Dr. E que por um acaso do destino, diz a Felipe:

- Caro professor, não aceitamos o seu projeto porque não vemos em ti alguém com uma trajetória acadêmica suficiente. 

Felipe chora, após a saída daquela cena humilhante. Sua dor era fruto da percepção de que os mesmos professores que defendiam direitos humanos, que diziam que 1964 os historiadores tinham sido calados, eram os mesmos que criavam circulos (panelinhas) nas instituíções públicas, mascaradas em centros de pesquisas criteriosas e de ponta.

Eram os mesmos centros cuja a finalidade era o de esvaziar o sentimento de coletividade dos historiadores.
Felipe liga pra seu amigo, pede uma palavra e ouve:

-  Querido Felipe, eu já te disse tu tem que pensar numa coisa mais técnica, além do mais o teu tema é uma afronta à acadêmia!

Roberto que era jornalista, estava no comando de outro curso de mestrado de história, afinal de contas formado em jornalismo e Mestre e Doutor em História, tirou a sorte grande de passar numa federal pequena, mas que rendia-lhe bons recursos, coisa que jamais Felipe viria, já que era professor de Ensino Fundamental e Médio e continuava como a sua mãe somente sobrevivendo.

Felipe que escrevera como proposta de pesquisa, uma revisão histórica sobre o papel da antiga "ANPUH", tinha uma dose de crítica.

Crítica que não podia ser absorvida pelo colegiado, que mais parecia-se com os professores de Salamanca do século XVI.

Triste em seu momento de calvário, em seu quarto ouvia em seu aparelho velho e surrado "MP6" Roda Viva de Chico Buarque.

Logo passou na sua mente a seguinte conclusão; "Vivo a roda viva do individualismo e do academicismo, cujas as vaidades se tornaram as detentoras do saber, me digo consciente, mas ao mesmo tempo sou calado pela lei do silêncio da universidade e dos sabidos que não querem descer de seus luxuosos ganinetes e que esqueceram que todo historiador tem que ter um coração de estudante."

Moral da história: nem sempre os enhajados são realmente os engajados. Os hispócritas e arrogantes se valem das suas falácias acadêmicas para manter o status-cuo"

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