domingo, 7 de setembro de 2014

Reflexões Necessárias sobre o Sete de Setembro

Por Noé Gomes*

Hoje, dia sete de setembro, 192  anos da "in"dependência do Brasil e muitas  coisas que rondam os meus  pensamentos ... Numa data  tão  importante me vem alguns questionamentos a todos nós.  Eis  as perguntas que lanço  para a nossa  reflexão: "Porque  não somos patriotas?" " Somos capazes de amar de fato o nosso país ou  esse  amor é como uma chuva de verão, passa assim que a Seleção Brasileira encerra  sua  participação no Mundial de Futebol?" "Essa data realmente é  importante?"

Todas estas perguntas tem me  perseguido nestes últimos dias e como historiador e professor é impossível viver sem tentar buscar pelo menos uma interpretação que  possa  nos  ajudar  a  entender todas estas coisas. No meu humilde ponto de vista, temos uma nação artificial e que por si só não representa  a maioria de seus "representantes" as diversas regionalizações são mais fortes que uma  imagem que  nos unifica. O Brasil multicolorido que é exaltado por tantos é de fato a prova mais concreta disso que falo.

Você poderia então me questionar  se eu sou contra as regionalizações e obviamente eu  diria que não, pois num país-continente elas  são fenômenos  que  quase  que  impossíveis de não acontecerem. O que constato é que pesa mais os valores da região do que aqueles ligados ao todo. Um exemplo claro disso é fato de terem pessoas aqui  no Rio Grande do Sul saberem a  letra do Hino Rio Rio-grandense e quase desconhecerem a  letra do Hino Nacional Brasileiro.  É claro que  em  todo mundo há as regionalizações e  no Brasil isso não seria diferente mas o fato é que em outras nações há mais amor à pátria do que aqui!  Isso se dá por um  processo de formação educacional-cultural que não privilegia a cultura  brasileira, seus símbolos, sua  história. Vemos um  desprezo  coletivo às  coisas concernentes  ao Brasil por  parte de seu  próprio povo. Ondas de nacionalismo já  ocorreram no Brasil  todas  ligadas a um  contexto político ou esportivo, como ondas elas vão e voltam. Mas nada que realmente seja algo duradouro  e  solidamente consolidado. 

Na  condição de professor, penso honestamente que faltam ser trabalhados  desde o 5º ano conceitos fundamentais para  as  disciplinas  das Ciências Humanas como: Estado,  Governo e Nação.  São noções mínimas que fazem com que  entendamos toda essa coisa que já veio malhada antes de todos nascermos. Para ficar claro precisamos entender que o Estado (com  letra maiúscula representa a nossa estrutura e território), que  governos são provisórios e são os gestores desta  infraestrutura e que  como tal devem  responder  pelos seus atos  e que a Nação não é construído pela Classe Política, mas por todos nós!!! Nação está ligada a  forma como  nos identificamos ao país. Ou seja, usar  símbolos nacionais não é valorar este  ou aquele governo, mas sim  valorarmos a  nossa história, cultura e formação antropológica.

Infelizmente, vemos um afastamento dos valores da pátria, a classe política que tanto tem  desonrado os  nossos  valores virou  simbolo  deste  sentimento anti-patriótico e o mais  grave  ações de governos tem sido encaradas como atos  que legitimam este afastamento do amor ao Brasil.

Falta de fato separar  as coisas e compreende-las. Talvez  a  maior  indepedência  que tivemos foi o povo  nas  ruas  ano passado  protestando,  mostrando o fim da "passividade"  diante  dos  desmandos da  política  no cenário  nacional e local. 

O que me resta dizer é que  falta é  termos mais conhecimentos básicos  de  política,  de cultura  e de  história. Pois somos reféns  ainda deste cenário tão  desalentador mas presente no nosso  cotidiano. Falta também uma  construção  mais educacional nossa sobre as nossas  origens, pois daí  sim é que podemos nos tornar cidadãos brasilireiros.
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*  Professor de História e Historiador

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