sábado, 20 de setembro de 2014

Somos Todos Patrícias?

Por Noé Gomes

Já estou cansado de ouvir as mesmas repercussões sobre o episódio envolvendo o goleiro Aranha do Santos Futebol Clube. O lastimável fato tem tido ao meu ver uma repercussão exacerbada e muito maldosa.
Como historiador tenho a nítida noção de que não somos por natureza neutros, mesmo a imppelarensa que sempre tenta induzir que é neutra ou imparcial. Todo discurso por si só, tem uma visão, interesses, afinal de contas os discursos são defesas e como tal são válidos como  forma de argumentação.  O que eu não aceito e não vou me calar é o fato da hipervalorização do episódio e de um goleiro mediano tecnicamente que busca a qualquer custo se mostrar na mídia.
A luta contra o racismo, homofobia, machismo e tantos atos contra a integridade física e psíquica do cidadão é algo que deve estar na pauta sempre. Mas há uma luta que deve ser iniciada por nós, que nos consideramos cidadãos de bem: a luta contra à hipocrisia. Sentei-me na parte sul do estádio e posso afirmar que não vi ninguém chama-lo de macaco ou outras ofensas. Sim houveram muitas vaias. Realmente a cada toque do goleiro santista o estádio que diga-se de passagem não estava cheio, se ouvia uma estridente vaia comparada as sofridas pelo ex-jogador do Grêmio Ronaldo Assis (Ronaldinho Gaúcho) e seu irmão quando jogou em um amistoso da despedida do ex-goleiro Danrlei. Mas em nenhuma situação eu vi ambos fazerem um papel tão ridículo e patético como o Sr. Aranha.
O que ele queria que  todos aplaudissem? Ninguém vaiou ele por estar ao lado do ato, mas sim por perceber que o arqueiro do Santos não passa de um oportunista que lastimavelmente se aproveita deste fato para adiquirir seus 15 minutos de fama. Este cidadão tem ao meu ver sido o símbolo da hipocrisia e da pior espécie. Explico-me: a moça que já foi julgada e sentenciada pela sociedade pediu perdão! O que ele fez? Disse que não queria encontra-la. Se diz um homem cristão, mas não tem a capacidade de ter gestos nobres, cobrou  ainda da torcida uma outra postura afirmando de forma demagoga que esta era a torcida que pedia para ele perdão mas que no entanto lhe ofendeu ao vaiar e talvez alguns protestos destes que eu sempre ouvi no futebol. Sr. Aranha, se tivesse tido uma postura nobre desde o início talvez quem sabe nós gremistas, sulriograndenses teríamos contigo uma postura diferente. Mas como tu faz questão de vitimizar-se com o apoio de grande parte da mídia do centro do país, só nos resta vaias e o sentimento de ojeriza e repugnância ao teu gesto!
Vou te dar um exemplo de uma figura que aqui no RS enquanto esteve jogando ganhou uma admiração incrível. Ronaldo Fenômeno. Em pleno Estádio logo após  o  falecimento de um dos travestis envolvidos em um “escândalo”  envolvendo o atleta, a torcida gremista em tom de flauta começou a cantar: “Ronaldo viúvo”. Ao contrário de Aranha, o Fenômeno foi perto da torcida, tão perto que abraçou um membro da torcida tricolor o que gerou aplausos e comoção por parte de todos. Naquele momento, o Ronaldo poderia ter tido uma ceninha que nem a do goleiro do Santos, mas sim preferiu  o bom senso.
Como  disse antes, estive no estádio e sabem o que eu fiz? Escrevi em uma folha os seguintes dizeres: ‘ARANHA, ATOR REVELAÇÃO DO ANO.  A LUTA CONTRA O RACISMO NÃO PRECISA DE TI!” E sabem porque escrevi isso? Porque ao relembrar as grandes vozes do racismo como Mandela e Luther King me veio  a mente que ao contrário de chorarem e se lamentarem eles foram a luta, buscando a conscientização, se  valendo da verdade e lutando contra os ódios. Sr. Aranha , podes me processar por isso que lhe digo, mas eu vou dizer você não está tendo uma postura de Homem, não estás sendo digno de ser comparado a uma criança, você pode e feve protestar contra o racismo, mas de uma outra maneira.  Agindo com a verdade, respeitando-se e quem sabe eu mesmo irei lá para te cumprimentar!
Aos ”defensores” da igualdade racial trajados de “jornalistas” o meu total desagravo, mais uma vez fazem uma discussão superficial e inócua. De vez de usarem os seus espaços para uma discussão reflexiva e séria, promovem e acirram os ânimos. Pensam que mandam no país por estarem no centro Brasil, reivindicam respeito quando se valem de um editorial mal intencionado e medíocre.
Hoje segundo estes “SOMOS TODOS PATRÍCIAS”, quero dizer que entre uma pessoa que errou ao chamar o Aranha de macaco, que teve humildade de pedir perdão, e um “injustiçado” que usa dos microfones para se vitimizar, é obvio que irei apoiar esta moça. No fundo, querem fazer do Grêmio o bode expiatório para que este clube mais que centenário sirva de tapete para imcubr a  podridão do cinismo, da hipocrisia que impera em nossa cultura. Somos todos Patrícia, porque  já não suportamos ceninhas que não contribuem em nada pela igualdade


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