terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Um ano Falando de História

Fruto de uma ideia nascida há seis anos atrás, hoje para mim é um dia especial! Foi no dia 08 de janeiro que entrou no ar com o nome de "Conversando Sobre Hisória"  um site com o propósito de trazer a história mais perto do publico em geral e da comunidade acadêmica.
Poucos dias depois, o site era rebarizado de "Falando de História".
O Portal Falando de História já passou por diversas atualizações. Sinto que é uma plataforma que precisaria ser mais dinamizada, é o que tentarei fazer.
Espero que em 2011, o Portal Falando de História se desenvolva cada vez mais. Agradeço a todos aqueles que tem me dado apoio na manutenção desta plataforma.
Em dezembro, foi a vez do Blog Falando de História, que com outro nome teve o seu inicio no final de 2009 e sua atvação em janeiro de 2010. Hoje ambos os espaços estão em constantes alterações e aperfeiçoamento.

Comunicado


Informo que a Comunidade Falando de História está sendo encerrada, a partir de hoje. Tomei esta decisão por entender que esta foi a única plataforma que não deslanchou em 2010, além de eu participar pouco deste site de relacionamento.
A todos que nos seguiram o meu  agradecimento.
Noé Gomes
Idealizador do Projeto Falando de História

domingo, 2 de janeiro de 2011

Concurso Nacional de Pesquisa sobre Cultura Afro-Brasileira premiou docente da ULBRA

O Programa de Pós-graduação em Educação na ULBRA foi recentemente premiado com a tese de dissertação de mestrado “Abram-se as cortinas: representações étnico-raciais e pedagogias do palco no teatro de Arthur Rocha”, de Isabel Silveira dos Santos, sob a orientação da professora Maria Angélica Zubaran. A tese recebeu a premiação do Prêmio Palmares de Monografia e Dissertação 2010 – Concurso Nacional de Pesquisa sobre Cultura Afro-Brasileira, Comunidades Tradicionais e Cultura Afro-Latina.
O concurso foi promovido pela Fundação Cultural Palmares com o objetivo de premiar monografias e dissertações que fossem fruto de pesquisa sobre cultura afro-brasileira. Foram premiados 12 trabalhos na categoria regional (cinco monografias e sete dissertações) e 18 trabalhos na categoria nacional (10 monografias e oito dissertações). A dissertação da docente foi uma das vencedoras na categoria Nacional/Geral.

A pesquisa de Isabel mergulha na história de uma família negra do RS
O trabalho propôs uma  análise das três peças teatrais do dramaturgo Arthur Rodrigues da Rocha, 1859-1888: O filho bastardo (1875), José (1878) e A filha da escrava (1883), com o objetivo de mapear as representações étnico-raciais mais recorrentes sobre negros e suas identidades. “Minhas intenções de pesquisa estão mergulhadas nas histórias de uma família negra, de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, que entendia a educação escolar  como o principal meio de proporcionar aos seus filhos uma vida diferente daquela que, em geral, parecia-lhes destinada”, comenta Isabel.
Nas três peças teatrais, a autora realizou uma análise cultural e transversal dos discursos do racismo científico, moral higienista e abolicionista e suas representações, assim como dos possíveis ensinamentos que essas peças colocaram em circulação na cultura. Entre os resultados obtidos, ela demonstrou a pertinência do estudo do teatro como um artefato cultural e pedagógico capaz de disseminar múltiplos ensinamentos sobre o ser negro(a).
A professora e integrante do PPGEDU da Universidade salienta que as histórias narradas ajudam a dar coerência nas identidades individuais. “De algum modo, a iniciativa para esta pesquisa está ligada a minha história de mulher, negra, professora, militante sindical, de um partido político e do movimento negro”, finaliza.
A dissertação premiada completa da autora encontra-se publicada no site da Fundação Palmares:http://biblioteca.palmares.gov.br/
Fonte: Portal de Notícias do Ensino ULBRA

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História Política

História Política - poder, micropoderes, discurso e imaginário político


Postado por José D'Assunção Barros


Política e Poder, é quase um truísmo dizer, são indissociáveis. Por outro lado, tanto a Política – campo de expressão por excelência do Poder nos seus âmbitos mais tradicionais – como o Poder em seu sentido mais amplo (o que inclui toda uma diversidade de setores da vida social e das atividades humanas nas quais tal noção se aplica de maneira imperiosa) são igualmente indissociáveis da História. A Política, em sentido mais restrito, e o Poder, em sentido mais amplo, são construídos, percebidos, exercidos, apropriados, imaginados e discursados de modos diferenciados ao longo da História. Nada mais natural que, diante do incessante fluxo da História no que tange às múltiplas perspectivas sobre o Poder que vão surgindo e se desenvolvendo, também tenha se afirmado no seio da historiografia um campo mais específicos de estudos, também em permanente transformação: a História Política.
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É precisamente no âmbito deste campo mais específico de estudos historiográficos que, nas décadas recentes, tanto no Brasil como nos círculos historiográficos internacionais, tem crescido o interesse em se rediscutir o Poder, a Política e a própria História Política com relação aos seus paradigmas, questões conceituais e procedimentos metodológicos. O interesse facilmente se explica. Se a partir da terceira década do século XX se impuseram como campos preferenciais vitoriosos na historiografia ocidental alguns modos de pensar e realizar a História que pareciam relegar para segundo plano a História Política – na verdade uma velha História Política que fora tão típica do século XIX – já nas décadas recentes a historiografia ocidental se viu partilhada por uma diversidade muito maior de modalidades e abordagens históricas, algumas novas, outras renovadas.


Em um mundo contemporâneo no qual tem se tornado cada vez mais clara a multiplicidade de poderes de todos os tipos que envolvem a vida social e individual, da coerção ou planificação governamental mais direta às sutis formas de propaganda subliminares, a História Política viu-se sensivelmente renovada neste novo rearranjo de modalidades históricas. Trata-se, contudo, muito mais de um desenvolvimento lógico e estrutural da Historiografia e de sua inserção no contexto da história recente, conforme veremos oportunamente, do que de uma simples moda historiográfica que retorna para compensar seus anos de relativo eclipse.
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Vejamos, antes de mais nada, como se situa a História Política no quadro das inúmeras modalidades em que hoje se encontra partilhado o Campo da História. Dentro do vasto campo de modalidades da História que hoje abrigam os enfoques e fazeres historiográficos – e que vão de categorias mais recentes como a Micro-História e a História do Imaginário até categorias já tradicionais como a História Econômica e a História Demográfica – existem algumas modalidades que se definem a partir de uma peculiaridade bem interessante. Elas são atravessadas por uma palavra apenas, que parece iluminar de maneira especial cada um dos seus diversos caminhos internos. Entre outras possíveis, podemos lembrar as noções de “Cultura”, “População”, “Poder”, a partir das quais teremos modalidades historiográficas muito específicas como a História Cultural, a História Demográfica, a História Política. Dentre essas modalidades historiográficas que são iluminadas em seu espectro de possibilidades internas por uma noção fundamental, a História Política ocupa um lugar bastante especial por razões que já discutiremos. Por trás da História Política – de qualquer história política, das antigas às novas possibilidades – está uma palavra apenas, ou um aspecto, que ocupa o papel de centro de gravidade de todos os fazeres e abordagens históricas que se abrigam sobre esta categoria. A palavra “poder” rege os caminhos internos da História Política da mesma maneira que a palavra “cultura” rege os caminhos internos da História Cultural, ou que a palavra “imagem” erige-se como horizonte fundamental para a História do Imaginário.
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“Poder”, como “cultura”, é entretanto uma palavra complexa, polissêmica, que se abre como campo de disputas para múltiplos sentidos e como objeto para multidiversificadas apropriações. Temos aqui palavras que são verdadeiros espelhos de muitas faces, que se transfiguram conforme os seus usos ou as intenções que as animam, que se transformam, que se comprimem ou se alargam ao longo da sua história léxica. A palavra “poder” é como uma armadura que se tem oferecido para muitas batalhas historiográficas, verdadeira arena que estimula confrontos internos dos quais podem emergir vencedores, neste ou naquele momento, alguns sentidos mais específicos ou mais abrangentes.
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Deveremos indicar, em primeiro lugar, a expansão de sentidos a que se permite o conceito de “Poder” na passagem de uma história política mais tradicional, como a que se fazia no século XIX, para as novas possibilidades que surgem com a historiografia do século XX, culminando com um novo âmbito que, nas últimas décadas do século XX, já passa a ser referido em termos de uma “nova história política”. “Poder”, de acordo com estas expansões de sentido, não seria apenas aquele que, na ótica dos historiadores e pensadores políticos do século XIX, emanava sempre do Estado ou das grandes Instituições – ou que a estes podia se confrontar através de revoluções capazes de destronar um rei e impor uma nova ordem igualmente centralizada – e nem seria apenas aquele poder que de resto mostrava-se exercido fundamentalmente pelos personagens que ocupavam lugar de destaque nos quadros governamentais, institucionais e militares da várias nações-estados. “Poder” – de acordo com uma nova ótica que foi se impondo gradualmente – é aquilo que exercemos também na nossa vida cotidiana, uns sobre os outros, como membros de uma família, de uma vizinhança ou de uma comunidade falante. “Poder” é o que exercemos através das palavras ou imagens, através dos modos de comportamento, dos preconceitos.
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O “Poder” apresenta-se a todo instante neste imenso teatro social no qual todos ocupamos simultaneamente a função de atores e de espectadores – daí que se possa falar hoje em um “teatro do poder” quando examinamos a política nas várias épocas históricas. Poder, no decurso de uma série de novas lutas políticas e sociais que redefiniu radicalmente a sociedade em que vivemos, é aquilo os homens aprenderam a reconhecer nas mulheres, que as maiorias aprenderam a reconhecer nas minorias, que o mundo da ordem aprendeu a reconhecer na marginalidade, que os adultos que aprenderam a reconhecer nos mais jovens. Essa compreensão mais abrangente da noção de “poder” redefine, obviamente, os sentidos para o que se deve entender por História Política.
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Redefinida desta maneira, os objetos da História Política são todos aqueles que se mostram atravessados pela noção de “poder” em todas as direções e sentidos, e não mais exclusivamente de uma perspectiva da centralidade estatal ou da imposição dos grupos dominantes de uma sociedade. Neste sentido, teremos de um lado aqueles antigos enfoques da História Política tradicional que, apesar de terem sido rejeitados pela historiografia mais moderna de a partir dos anos 1930 (Escola dos Annales e novos marxismos), com as últimas décadas do século XX começaram a retornar dotados de um novo sentido. A Guerra, a Diplomacia, as Instituições, ou até mesmo a trajetória política dos indivíduos que ocuparam lugares privilegiados na organização do poder – tudo isto começa a retornar a partir do final do último século com um novo interesse.
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De outro lado, além destes objetos já tradicionais que se referem às relações entre as grandes unidades políticas e aos modos de organização destas macro-unidades políticas que são os Estados e as Instituições, adquirem especial destaque, por exemplo, as relações políticas entre grupos sociais de diversos tipos. A rigor, as ‘ideologias’ e os movimentos sociais e políticos (por exemplo, as Revoluções) sempre constituíram pontos de especial interesse por parte da nova historiografia que se inicia com o século XX, mesmo porque estes eram campos de interesses muito caros à nova História Social que estava então se formando. Mas por outro lado, tal como já ressaltamos, hoje despertam um interesse análogo as relações interindividuais (micropoderes, relações de poder no interior da família, relacionamentos intergrupais), bem como o campo das representações políticas, dos símbolos, dos mitos políticos, do teatro do poder, ou do discurso


(BARROS, José D'1Assunção. “História Política – o estudo historiográfico do poder, dos micropoderes, do discurso e do imaginário político”. Educere et Educare – Revista de Educação. n°4, n°1. 1° semestre de. 2009).

O artigo baseia-se no capítulo "História Política" do livro O Campo da História (Petrópolis: Editora Vozes, 2009, 7a edição)