quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Para pensar com Charles Chaplin

Charles Chaplin um gênio do cinema mundial, tem com uma das suas obras primas o filme "O Grande Ditador", para encerrar as atividades deste ano, nada melhor que com a sua fala final neste clássico. Assim homenageamos este grande ator e defensor da paz que nos deixou em um Natal. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Sectarismo acadêmico no universo da História

Por Noé Gomes

Caros leitores deste blog, proponho que viajemos pelo tempo. Chegaremos numa tarde 2060. Brasil. Dois jovens estão acessando o campus pela primeira vez. Felipe e Roberto, estudantes da escola pública ingressam para o curso de História de uma Universidade privada.

Os anos passam e ambos se formam. Roberto descobre que o seu dom é a comunicação enquanto Felipe, menino pobre da perferia, cuja mãe foi professora e que morreu pela tristeza causada pela depressão segue o seu plano de honrar o nome de sua e participar da mudança que a sua progenitora sonhava e que jamais conseguiu ver.

São anos de ditadura cívil. Enquanto Roberto vende-se ao sistema para sobreviver, afinal de contas jornalistas nestes tempos são escassos e são como free lancers, Felipe tenta montar um grupo de resistência, mas vê seus planos ruírems, primeiro pela falta de apoio de seus professores e segundo que a geração de historiadores desta época, era tão ou mais alienada que as primeiras do século XXI;

Afinal de contas a "ANPUH" já inexistia, os historiadores diziam que não era mais necessária uma instituição que unisse a "categoria", já que nunca houve consenso em regularizar a profissão. E a ANPUH caíra no mesmo conto de 1969, cale-se e terão as suas funções reconhecidas. Já tinham esquecido as críticas de Nelson Werneck Sodré.

Felipe que ingressara na graduação jamais conseguiu fazer o seu mestrado, em seu currículo  muitas especializações, mas sempre que tentava uma vaga numa Universidade Federal, rejeitavam o seu projeto, diziam que era polêmico demais ou que não tinha consistêmcia teórica.

O mesmo não ocorreu com Fred, filho de uma historiadora famosa, cuja ideia era semelhante, tirando uns pontos e vírgulas e que a instituição de ensino superior, parabenizou pela sua criatividade e pelo seu vanguardismo.
Fred, entrou e passou no seu mestrado logo depois ganhou um Dr. E que por um acaso do destino, diz a Felipe:

- Caro professor, não aceitamos o seu projeto porque não vemos em ti alguém com uma trajetória acadêmica suficiente. 

Felipe chora, após a saída daquela cena humilhante. Sua dor era fruto da percepção de que os mesmos professores que defendiam direitos humanos, que diziam que 1964 os historiadores tinham sido calados, eram os mesmos que criavam circulos (panelinhas) nas instituíções públicas, mascaradas em centros de pesquisas criteriosas e de ponta.

Eram os mesmos centros cuja a finalidade era o de esvaziar o sentimento de coletividade dos historiadores.
Felipe liga pra seu amigo, pede uma palavra e ouve:

-  Querido Felipe, eu já te disse tu tem que pensar numa coisa mais técnica, além do mais o teu tema é uma afronta à acadêmia!

Roberto que era jornalista, estava no comando de outro curso de mestrado de história, afinal de contas formado em jornalismo e Mestre e Doutor em História, tirou a sorte grande de passar numa federal pequena, mas que rendia-lhe bons recursos, coisa que jamais Felipe viria, já que era professor de Ensino Fundamental e Médio e continuava como a sua mãe somente sobrevivendo.

Felipe que escrevera como proposta de pesquisa, uma revisão histórica sobre o papel da antiga "ANPUH", tinha uma dose de crítica.

Crítica que não podia ser absorvida pelo colegiado, que mais parecia-se com os professores de Salamanca do século XVI.

Triste em seu momento de calvário, em seu quarto ouvia em seu aparelho velho e surrado "MP6" Roda Viva de Chico Buarque.

Logo passou na sua mente a seguinte conclusão; "Vivo a roda viva do individualismo e do academicismo, cujas as vaidades se tornaram as detentoras do saber, me digo consciente, mas ao mesmo tempo sou calado pela lei do silêncio da universidade e dos sabidos que não querem descer de seus luxuosos ganinetes e que esqueceram que todo historiador tem que ter um coração de estudante."

Moral da história: nem sempre os enhajados são realmente os engajados. Os hispócritas e arrogantes se valem das suas falácias acadêmicas para manter o status-cuo"

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Série Pensadores: Émile Durkheim


Série Pensadores Victor Hugo


Entenda como será feita a exumação de João Goulart


Já estão disponíveis informações sobre o contexto histórico e todo o procedimento relacionado à exumação do ex-presidente João Goulart, que ocorrerá na próxima quarta-feira (13), em São Borja/RS.
O FAQ abaixo, elaborado pela Comissão Nacional da Verdade, Secretaria de Direitos Humanos e pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, traz informações detalhadas sobre a exumação propriamente dita, o traslado dos restos mortais para Brasília, bem como a posterior análise pericial. De forma didática e em formato de pergunta e resposta, o texto é voltado a profissionais de comunicação, entidades e movimentos sociais, que acompanham o procedimento.

PERGUNTAS E RESPOSTAS - Contexto histórico
1) O que significa exumar um corpo?
Exumar significa retirar os restos mortais humanos de uma sepultura, com a finalidade de esclarecer as causas da morte.

2) De onde partiu a iniciativa da exumação do ex-presidente João Goulart?
O processo de exumação de Jango teve início em 2007, por iniciativa de familiares do ex-presidente, que solicitaram ao Ministério Público Federal a reabertura das investigações. Em 2011, o pedido foi estendido pela família à Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

Com a instalação da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em maio de 2012, a demanda ganhou força. A coordenação dos trabalhos é compartilhada entre a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a CNV.
3) Quem fará a exumação?
O Departamento da Polícia Federal (DPF), por meio do Instituto Nacional de Criminalística (INC). Além disso, com o intuito de legitimar o trabalho de investigação quanto às causas da morte de Jango, foram convidados especialistas do Uruguai e da Argentina para colaborarem com o grupo responsável pela exumação. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e o Ministério Público Federal (MPF) também se somam a esses esforços. Por último, a família solicitou a colaboração de um especialista cubano.

4) O que se espera descobrir com a exumação?
O fato conhecido é que o ex-presidente foi vítima de um ataque cardíaco. Anos depois surgiram suspeitas de que a causa de sua morte não tenha sido espontânea. Com a análise pericial dos restos mortais de Jango, a expectativa é de que os laudos periciais sejam somados às demais investigações, incluindo as documentais e testemunhais, na busca de um esclarecimento sobre as causas que levaram ao óbito do ex-presidente. João Goulart faleceu em 6 de dezembro de 1976, em Mercedes, província de Corrientes, na Argentina.

5) Quem foi Jango?
João Belchior Marques Goulart nasceu em 1º de março de 1919, em São Borja (RS). Popularmente conhecido como Jango, foi deputado estadual (RS), deputado federal, Secretário de Estado de Interior e Justiça (RS) e Ministro do Trabalho. Foi eleito duas vezes vice-presidente da República (1955 e 1960). Em agosto de 1961, Jango tornou-se Presidente da República, cargo que ocupou até 31 de março de 1964, data do golpe de Estado. Após ser deposto, refugiou-se em seu estado natal, Rio Grande do Sul, e depois partiu para o exílio no Uruguai e na Argentina. Jango é o único presidente brasileiro que morreu no exílio. O seu corpo está sepultado em São Borja (RS), na fronteira do Brasil com a Argentina.

6) Versão oficial x suspeitas
O corpo do ex-presidente não passou por uma autópsia. O único registro na certidão de óbito relata que Jango morreu por causa de uma "enfermedad" (doença). O fato conhecido é que ele teria sofrido um enfarte, resultado de problemas cardíacos que enfrentava há quase uma década. Porém, a partir do início da década de 1980, começaram a crescer as suspeitas de que João Goulart teria sido envenenado. Seus medicamentos teriam sido trocados em uma ação da Operação Condor.

7) Operação Condor
Os regimes que dominaram diversos países do Cone-Sul, entre eles o Brasil, montaram uma conexão para perseguir e reprimir os militantes que lutavam nesses países. O pacto foi conhecido como Operação Condor. Por meio de documentos é possível comprovar que o ex-presidente Jango foi monitorado durante todos os dias em que esteve no exílio.

8) Retomada da História
As iniciativas da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e da Comissão Nacional da Verdade (CNV) buscam reescrever a História e contar a verdade sobre os fatos. Um exemplo é a certidão de óbito do jornalista Vladimir Herzog, que foi retificada. Na versão inicial, ele havia se suicidado. Neste ano, depois de uma determinação judicial, mediante investigações, a causa da morte foi alterada para "lesões e maus tratos sofridos durante interrogatório em dependência do 2º Exército (DOI-Codi)".

9) "Exumar Jango é também exumar a ditadura"
Essa afirmação da ministra Maria do Rosário resume o sentimento que norteia os trabalhos da SDH/PR em torno do tema. A exumação do corpo de Jango coincide com a aproximação da data que marca os 50 anos da deposição do ex-presidente. É uma chance de reforçar a ideia da necessidade de esclarecer os crimes cometidos no período, a exemplo do que o Chile fez recentemente com as quatro décadas do golpe que derrubou Salvador Allende.

10) Reconhecimento
Paralelamente à exumação, o governo federal concederá as devidas honras de Chefe de Estado a João Goulart. Essa será uma forma de homenagear o ex-presidente que, na época, não contou com esse ritual concedido aos chefes da Nação – pelo contrário, não faltaram tentativas de impedir o seu retorno para sepultamento no território nacional.

11) Transparência e isenção
O processo de exumação e a análise dos restos mortais estão sendo planejados e serão executados por uma equipe técnica internacional, coordenada pelo Departamento da Polícia Federal (DPF), por meio do Instituto Nacional de Criminalística (INC).
O grupo conta com o apoio de peritos uruguaios, argentinos e cubanos, além do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Esses especialistas já participaram de processos semelhantes envolvendo as exumações de figuras ilustres como Che Guevara, Simon Bolivar, Pablo Neruda e Salvador Allende.
Com isso, se assegura a isenção e legitimidade de todo o processo. Depois que acontecer a exumação, o corpo será transportado para Brasília (DF), onde haverá a coleta de amostras para os exames antropológico e de DNA (que serão feitos pelo próprio INC) e para os toxicológicos (a serem realizados em laboratórios estrangeiros).

12) Exumação não é o ponto final
A exumação faz parte de um processo mais amplo e complexo. Juntamente com os possíveis resultados a serem encontrados por meio desse procedimento, o governo brasileiro, por meio da SDH/PR e da CNV, dá seguimento à busca por documentos dos países envolvidos na Operação Condor que auxiliem no esclarecimento da morte de Jango e de outras lideranças que eram contrárias ao regime.


PERGUNTAS E RESPOSTAS - Exumação, traslado e análise pericial
1) Quando os peritos farão a exumação dos restos mortais de Jango?
Os peritos e a coordenação desembarcarão em São Borja no dia 11 de novembro de 2013 para dar início à preparação dos trabalhos de exumação, que começam, de fato, na manhã do dia 13, com a presença da família do ex-presidente.

2) Haverá audiência pública em São Borja?
No dia 12 de novembro, terça-feira, às 18 horas, no CTG Tropilha Crioula, na Rua João Palmeiro, 1218, em São Borja. O objetivo é explicar para a comunidade de São Borja e da região todo o procedimento, desde o pedido da família, as motivações, os possíveis resultados, enfim, todo o contexto histórico e as questões técnicas.

3) Qual o objetivo do grupo de trabalho?
Adotar medidas e procedimentos para a exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart e para a realização de exames e atividades periciais.

O Grupo de Trabalho é coordenado, de forma conjunta, pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e pela Comissão Nacional da Verdade (CNV). A parte técnica-científica do trabalho é coordenada pelo Departamento de Polícia Federal (DPF), por meio do Instituto Nacional de Criminalística (INC), acompanhado pelos familiares, peritos e observadores nacionais e internacionais.
Integram o grupo os seguintes órgãos e servidores:
- SDH/PR: Bruno Gomes Monteiro (chefe de gabinete) e Gilles Gomes (secretário-executivo da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos – CEMDP).
- CNV: André Martins Sabóia e Rosa Maria Cardoso da Cunha
- DPF: Amaury Allan Martins de Souza Júnior, Alexandre Raphael Deitos, Gabriele Hampeel, Jorge Marcelo de Freitas e Jeferson Evangelista Correa.
- Peritos estrangeiros: Patricia Bernardi e Mariana Soledad Selva, da Argentina; Alicia Lusiardo e José Lopez Mazz, do Uruguai; e Jorge Caridad Perez Gonzalez, de Cuba.

A família do ex-presidente participará e acompanhará todos os atos, reuniões e procedimentos do Grupo de Trabalho. Além disso, o GT contará com observadores internacionais e nacionais:
Internacionais - O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) será observador internacional de todo o procedimento, pela experiência em processos semelhantes, como os que envolveram o ex-presidente do Chile, Salvador Allende, e o do também chileno poeta Pablo Neruda. O CICV será representado pelo chefe da Delegação Regional, Felipe Donoso, e pelo especialista forense Udo Krenzer.
Nacionais - O GT terá o acompanhamento das seguintes instituições: Marco Antônio Rodrigues Barbosa, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos; Nadine Monteiro Borges, da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro; Suzete Bragagnolo e Ivan Cláudio Marx , do Ministério Público Federal; Lenine de Carvalho e Sami A. R. J. El Jundi, do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul.
4) Qual horário começa a exumação no dia 13?
Os trabalhos iniciam às 7h. Não há previsão de horário para o término.

5) Qual será a logística?
Dentro do cemitério de São Borja, terão acesso apenas a família, os peritos, autoridades previamente cadastradas e integrantes do Grupo de Trabalho. A imprensa, mediante credenciamento, ficará em uma área especial, do lado de fora do cemitério. O pedido de credenciamento deve ser enviado para imprensa@sdh.gov.br

6) Qual será o trajeto e quem caberá a tarefa de transportar os restos mortais?
Os restos mortais seguem de São Borja para Santa Maria e de lá para Brasília (DF). Serão transportados pela Força Aérea Brasileira (FAB). A Força também transportará os peritos, ministros de Estado e familiares do ex-presidente. Além disso, a FAB fará a guarda e a segurança dos restos mortais na Base Aérea de Santa Maria (RS) até o traslado para a capital federal.

7) Quando os restos mortais chegam a Brasília (DF)?
No dia seguinte (14), na Base Aérea, por volta das 10 horas. Na Base, haverá cerimonial com a prestação de honras de Chefe de Estado a João Goulart.

8) Para onde vão os restos mortais?
Após o desembarque, recepção por autoridades e homenagens na Base Aérea, haverá o traslado para o Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal, onde será realizada a análise pericial.

9) Qual é a cadeia de custódia dos restos mortais do ex-presidente Jango?
A cadeia de custódia é o instrumento para garantir o controle para o recebimento e entrega de documentos periciais. A cadeia de custódia fica a cargo dos peritos técnico-científicos do DPF.

10) O que é o exame antropológico a ser realizado no INC?
Consiste na procura por características que possam auxiliar na identificação do corpo do ex-presidente. A partir dos dados ante-mortem já coletados pela equipe pericial como, por exemplo, medição da ossada e procura de características. Também poderão ser feitas radiografia e tomografia do ex-presidente.

11) Será feito exame de DNA?
Outra etapa para confirmação da identidade do corpo será o exame de DNA, realizado também no INC. Os peritos da Polícia Federal irão coletar amostras dos restos mortais de Jango, logo após o exame antropológico, que serão comparadas com o DNA de seus familiares.

12) Será realizado exame para verificar se houve envenenamento?
Sim, mas será feito no exterior. É o exame toxicológico que consiste na procura por substâncias que possam confirmar a hipótese do envenenamento. As amostras são coletadas no INC, lacradas e enviadas para laboratórios no exterior, já definidos, que por razões técnicas não podem ser divulgados para não comprometer o resultado das análises, visto que cada um dos laboratórios recebe as mesmas amostras, sem ter acesso às informações dos outros laboratórios envolvidos no processo.

13) Quais substâncias venenosas podem ser encontradas?
Procuram-se traços de remédios que eram usados por Jango, como Isodril e Adelfan, além de substâncias que podem levar a morte, como cloreto de potássio, clorofórmio e escopolamina.

14) Quando serão divulgados os resultados?
Não há previsão para a divulgação dos resultados.

15) Os restos mortais retornarão para São Borja?
Sim, no dia 6 de dezembro de 2013, data da morte do ex-presidente.

sábado, 28 de setembro de 2013

73 anos sem Walter Benjamin


Por Camila Petroni*

"Quando Walter Benjamin se matou, aos 48 anos, em [27 de] setembro de 1940, fugindo da polícia francesa do regime de Vichy (pró-Hitler) e barrado na fronteira com a Espanha pela polícia franquista, vivia exilado e desempregado em Paris. Sem jamais ter conseguido um posto de professor na universidade, mantinha-se como crítico literário, com um pequeno auxílio do Instituto de Pesquisa Social, embrião da escola de Frankfurt.

Fonte da Imagem: Site Artecontexto
Havia publicado poucos livros, alguns artigos, várias resenhas, mas as portas se fechavam cada vez mais para ele em razão de sua origem judaica alemã. Era conhecido num pequeno círculo de amigos, em sua maioria escritores que fugiram do nazismo: Brecht, Adorno, Scholem, e, em Paris, também Bataille e Klossovski.

Quando, em compensação, Benjamin caiu em domínio público, 70 anos mais tarde, sua fama não cessava de crescer. Por mais justificado que seja, tal fenômeno deve nos deixar desconfiados. Teria Benjamin se transformado em mais um "bem cultural", um "Kulturgut", isto é, uma mercadoria cultural, cujo valor de fetiche ele não se cansou de denunciar?"

Trecho de artigo de Jeanne Marie Gagnebin, intitulado "Walter Benjamin na era da reprodutibilidade técnica", publicado em 2012 (para acessar, é preciso fazer um rápido cadastro): http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1164782-walter-benjamin-na-era-da-reprodutibilidade-tecnica.shtml

sábado, 21 de setembro de 2013

Documentário: Relembrando 1929 - O Ano da Queda da Bolsa de Nova Iorque



Documentário que retrata o processo de crise internacional iniciado em 1929 com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, trazendo sérios efeitos econômicos, sociais e políticos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Raul Seixas O Inicio, O Fim e O Meio


Documentário sobre vida e obra do maior ícone do rock brasileiro, desvendando suas diversas facetas, suas parcerias com Paulo Coelho, seus casamentos e seus fãs, que ele continua a mobilizar 20 anos depois de sua morte.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Documentário As Consequências da Revolução Industrial

2 de setembro de 1961 - Instituído o regime parlamentarista no Brasil


Por: Thiago Jansen


Foi aprovada na Câmara dos Deputados, em primeira discussão, por 234 votos contra 59, e, em segunda discussão, por 233 votos contra 55, a ementa constitucional que instituiu um regime parlamentar no Brasil semelhante ao vigente na República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental), cujos dispositivos visavam impedir a queda sucessiva de gabinetes e limitar a casos muito específicos o poder do Presidente da República de dissolver a Câmara dos Deputados.

A ementa constitucional aprovada provocou algumas mudanças na Magna Carta brasileira. Dentre elas, destacam-se: o Poder Executivo passava a ser exercido pelo Presidente da República em conjunto com o Conselho de Ministros; o Presidente da República seria eleito pelo Congresso Nacional por maioria absoluta de votos e exerceria o cargo por cinco anos; todos os atos do Presidente da República deveriam obrigatoriamente ser referendados pelo Primeiro Ministro e pelo Ministro competente; criava-se a figura do Primeiro Ministro, a quem competeria, entre outras atribuições, a iniciativa de propor os projetos de lei do Governo, orientar a política externa, exercer o poder regulamentar, e decretar e executar a intervenção federal.

Tancredo Neves seria o primeiro a assumir o cargo de primeiro-ministro do Brasil, em 7 de setembro de 1961. A ele seguiriam no cargo Francisco Brochado e Hermes Lima, em 1962.

O Parlamentarismo no Brasil
O Parlamentarismo é o sistema de governo que atribui à Câmara dos Deputados e ao Senado o controle efetivo da política interna e externa do país, através do poder de aprovar ou desaprovar a indicação do Primeiro-Ministro e do Conselho de Ministros, ou de derrubá-los quando não mais concordar com suas diretrizes. Esta foi a segunda instituição do parlamentarismo no país - a primeira ocorreu durante o Império - e foi resultado de um acordo político para garantir a posse de João Goulart na Presidência da República após a renúncia do presidente Jânio Quadros. O sistema duraria cerca de dois anos no Brasil e seria extinto em janeiro de 1963, através de um plebiscito.

Fonte: Blog Hoje na História CPDOC/Jornal do Brasil. Disponível em:  http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=15256

Link Relacionado:

2 de setembro de 1988 - É aprovada a nova Constituição - replicado no Blog Falando de História em 02 de setembro de 2011

domingo, 1 de setembro de 2013

1 de setembro de 1939 - Começa a Segunda Guerra Mundial

Por: Thiago Jansen


Há exatos 70 anos a Alemanha de Hitler invadia a Polônia com os objetivos de reaver os territórios alemães perdidos ao final da Primeira Guerra Mundial, e dar início ao plano do Fuhrer de estabelecer uma "nova ordem" na Europa, baseada no princípio da superioridade germânica. Começava assim a Segunda Guerra Mundial, um conflito de escala mundial que confrontou os Aliados - cujas principais forças foram a União Soviética, os Estados Unidos e o Império Britânico - e as forças do Eixo - liderados pela Alemanha, a Itália e o Japão. A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito militar da História, durou seis anos, envolveu 72 nações e provocou a morte de mais de 50 milhões de pessoas.

As hostilidades começaram quando o cruzador alemão Hehleswigh-Holstein, que estava ancorado no porto de Dantzig, abriu fogo contra o depósito de munições polonês de Westerplatte. Horas depois, utilizando a tática da Guerra Relâmpago (Blitzkrieg), os Grupos de Exércitos Norte e Sul da Alemanha, com tropas blinadadas e mecanizadas, iniciaram a invasão por terra, enquanto aviões da esquadra alemã bombardeavam as cidades polonesas de Kattowitz, Cracovia, Grodnow e Wasterplatte, destruindo instalações militares. A justificativa para a invasão alemã foi um suposto ataque polonês a uma estação de rádio alemã, o que mais tarde ficou provado que não aconteceu.

Nove dias depois as tropas alemães iniciavam os ataques à Varsóvia, capital do país. No entanto, o Império Britânico e a França não esperariam tanto: em 2 de agosto de 1939, um dia após a invasão alemã, os dois países declararam guerra à Alemanha.

Disponível em: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=15255

Série Pensadores: José Saramago


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A História da Princesa Isabel



Descrição do vídeo: Programa DE-LÁ-PRA-CÁ Princesa Isabel

Ao longo do século XIX somente nove mulheres estiveram à frente do governo de seus países. Uma dessas mulheres foi a Princesa Isabel, filha do Imperador D. Pedro II, herdeira do trono brasileiro. Ela o substituiu três vezes como chefe de Estado, na condição de Princesa Regente. Seu ato mais importante foi a assinatura da Lei Áurea, que libertou os escravos, em 13 de maio de 1888. Por isso, ela é lembrada na história brasileira como a redentora. 
A Abolição também precipitou a proclamação da República, que não hesitou em banir a Família Real. A princesa morreu no exílio, em 1921, sem nunca mais ter retornado ao Brasil. Apesar de ter sido uma figura importante da nossa história, não existem estudos suficientes sobre sua atuação como governante e nem a publicação de uma biografia consagradora.

Produção TV Brasil

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A História de



Descrição do vídeo: Programa DE LÁ PRA CÁ

Rui Barbosa foi um dos maiores intelectuais brasileiros e homem público de todos os tempos. Foi advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, filólogo, linguista, orador e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, instituição que presidiu depois da morte de Machado de Assis. Durante o Império, fez campanhas em favor do abolicionismo, do federalismo e em defesa da República. Foi também o redator da primeira constituição republicana do Brasil
.
Deputado, Senador e Ministro de Estado, Rui Barbosa foi quatro vezes candidato à Presidência, mas nunca conseguiu se eleger. Liberal convicto, criticou as intervenções militares na política durante os primeiros anos de nossa República. Teve de se exilar para não morrer. Como diplomata, representou o Brasil na Conferência Mundial de Paz em Haia. Enfrentou o preconceito das potências e defendeu o princípio da igualdade jurídica das nações soberanas. A vasta cultura humanista e o imenso saber jurídico com que embasou seus discursos levou Ruy Barbosa à Presidência de Honra da Comissão de Haia. Foi nessa época que ele ganhou o apelido de "Águia de Haia".

Fonte: Produção TV Brasil

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

26 de agosto de 1978 - Habemus Papam! Cardeal Luciani é o escolhido

Jornal do Brasil: 27 de agosto de 1978

Por: Lucyanne Mano

Um breve Papado de surpresas


A primeira surpresa aconteceu em pouco mais de 26 horas, após três apurações, numa das mais rápidas eleições da História da Igreja Católica, até então. Os 111 cardeais do Conclave do Vaticano escolheram como 262º sucessor de São Pedro, o Cardeal Albino Luciani, Patriarca de Veneza, 65 anos, com nome de João Paulo I, numa homenagem a seus dois antecessores. Outra surpresa: ele sequer constava na lista dospapabili.



À rapidez da eleição seguiu-se uma hora de dúvida na Praça de São Pedro, onde os presentes não conseguiam distinguir a cor da fumaça que saía da chaminé da Capela Sistina: de início escura, depois cinzenta e finalmente branca, mas turva.


Jornal do Brasil: 27 de agosto de 1978

A escolha do Conclave recaiu sobre um Cardeal de experiência exclusivamente pastoral, nunca ocupante de nunciaturas ou cargos na Cúria. Moderado, de sólida formação teológica, defensor da tradição e ortodoxia da Igreja, condenava rigorosamente as aberturas no campo do controle de natalidade, do celibato, entre outros princípios que já vinham sendo questionados naquela época.

A última surpresa foi o curto pontificado de João Paulo I. Coroado no dia 3 de setembro de 1978, o Papa foi encontrado morto em seu quarto 25 dias depois. Segundo a versão oficial do Vaticano, vítima de um ataque cardíaco durante o sono. Contudo, até hoje especula-se a respeito das verdadeiras circunstâncias de sua morte naquela madrugada de 28 de setembro.

Fonte: Blog Hoje na História/CPDOC-Jornal do Brasil. Disponível em:  http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=27881

domingo, 25 de agosto de 2013

A Renúncia de Jânio Quadros


Descrição do vídeo: Programa DE LÁ PRA CÁ 

Jânio Quadros foi o último presidente eleito antes do regime militar de 1964. Ele governou o país durante sete meses, de 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto de 1961, data em que renunciou.

Jânio Quadros teve uma carreira meteórica. Começou aos 30 anos de idade, em 1947, quando se elegeu suplente de vereador por São Paulo. Chegou à presidência da República em 1960, respaldado por quase sete milhões de votos, sem nunca ter perdido uma única eleição . Um fenômeno surpreendente, sem paralelos em nossa história. Assim como subiu, Jânio também teve uma queda vertiginosa. Renunciou sete meses depois de empossado, frustrando a nação e surpreendendo os oposicionistas. Justificou-se dizendo sofrer pressões de "forças terríveis". Mas nunca realmente explicou que forças eram essas.

Fonte: Produção TV Brasil

Documentário Getúlio Vargas - Série "Construtores do Brasil" - TV Câmara


Descrição do filme: Nasceu em São Borja (RS), em 19 de abril de 1882, e morreu em 24 de agosto de 1954, no Rio de Janeiro (RJ).

Líder civil da Revolução de 1930, comandou a modernização do Estado brasileiro com políticas nacional-desenvolvimentistas. No seu legado sobressaem as bases da industrialização, a legislação trabalhista e a participação do Brasil na II Guerra.

sábado, 24 de agosto de 2013

24 de agosto de 1954: A madrugada trágica - um tiro no coração

Pressionado por uma série de episódios decorrentes da crise político-militar, que culminou na exigência imposta pelo Alto Comando das Forças Armadas de seu afastamento da Presidência da República, Getúlio Vargas renunciou à vida com um tiro no coração.



Leia post no Blog Hoje na História. Clique aqui

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Currículo Integrado para o Ensino Médio UNESCO

A UNESCO apresenta 'Currículo integrado para o Ensino Médio: das normas à prática transformadora". A obra  é resultado de vários estudos realizados pela UNESCO, com o apoio do Ministério da Educação, e visa a contribuir para a elaboração de conhecimentos que permitam avanços efetivos na consecução das metas da Educação para Todos.



Série Pensadores: João Paulo II


Crônica de uma morte anunciada: a sala de aula


Estamos no ano de 2160. Neste ano não existe mais sala de aula . Antigamente dava-se esse nome a reunião forçada de 30. 40 e 50 crianças ou jovens entre quatro paredes, havendo em média um espaço de um metro e meio entre cada um. Esse fato é hoje estudado como se estuda com espanto, as antigas celas onde ficavam os padres nos mosteiros medievais.

Para entender o que era uma sala de aula, são estudados fragmentos arqueológicos relativos às práticas realizadas nesses locais. Impressiona-nos hoje a insensibilidade das pessoas da época que não percebiam ser biologicamente impossível manter a ordem nesses lugares, tendo organismos tão agitados como crianças e jovens; ser fisicamente impossível manter a serenidade em pessoas, com a capacidade de gerar e acumular tanta energia. E nos espantamos mais ainda com o fato de vários locais desse tipo terem conseguido, por métodos misteriosos e desconhecidos, manter tantas crianças e jovens parados, assentados e “atentos” por quatro ou seis horas todos os dias!

Hoje nos perguntamos: o que faziam lá?

Não se sabe ao certo o que faziam nelas. Algumas pesquisas antropológicas teimam em afirmar que eram dadas aulas: longos discursos de especialistas ouvidos passivamente pelas pessoas assentadas. Pesquisas recentes refutam essas teorias. Já foi demonstrado ser impossível a um jovem ficar mais de uma hora ouvindo alguma coisa sem, ter fortes dores no corpo ou compulsão irresistível para andar, correr ou pular. Baseados nessas pesquisas, cientistas políticos defendem a tese de que essas construções de salas eram equipamentos políticos de controle de massas de jovens, objetivando manter a situação de grupos dominantes na época.

De qualquer forma, educadores, de modo geral, concordam que essas estranhas construções podiam servir para vários fins, menos para a educação. Para um aproveitamento de 30% de um discurso, um jovem necessita participar com diálogo pelo menos 30% do tempo desse mesmo discurso. O jovem aprende quando pergunta, critica, refuta, duvida.

Num lugar fechado com mais de 40 pessoas e apenas um discursando, é impossível que esse índice de aprendizagem ocorra. Dessa forma, se o aprendizado era abaixo de 30%, esses lugares poderiam ser qualquer coisa, menos uma sala de educação.

Em outros sítios arqueológicos foram encontrados escombros desse tipo de instituição com mais de 100 salas. Admite-se que havia instituições que possuíam mais de 5 mil jovens reclusos, ao mesmo tempo, num período de cinco horas.

Fragmentos de objetos marcados por símbolos, tidos como forma de comunicação, mostram que ensinavam rudimentos de Filosofia, destacados como como especialidades, denominadas Matemática, Física, Química, entre outras. Especialistas discutem se é possível construir um discurso lógico e inteligível sobre qualquer uma dessas especialistas sem referencia a outras, como fazemos hoje nesse saber que chamamos Filosofia. Parece que no século XIX, os saberes eram isolados, possuindo identidade própria, sem uma referência mútua explicita.
Sabe-se, por exemplo, que os números, o que na época eram denominadas Matemática ou Calculo, eram estudados sem a prática da música. É provado que a música, não era admitida nesses locais com regularidade, pois em pouquíssimas instituições foi encontrado algum fragmento de instrumento musical. 

De qualquer forma, o grande enigma dessas instituições continuava sendo o que ocorria nas salas. Simulações realizadas nos processadores da realidade virtual cruzaram variáveis referentes ao clima (clima médio de uma aglomeração populacional da época, em torno de 30 graus), nível de ruído, energia produzida e dissipada por 40 jovens de 17 anos, variáveis compartimentais, variáveis psicológicas e um ponto de referencia , que seria o adulto responsável pelo discurso.. O resultado visual dessa simulação uma cena em que, no período de uma hora, esse centro de referencia ( o adulto que fazia o discurso) é reconhecido por todos ao mesmo tempo, em média, durante apenas 5 minutos. Nos outros 55 minutos,em média apenas 10% das 40 pessoas reconhecem o adulto como centro de atenção. Os outros 90% dos ouvintes, em média, olham para outras coisas, menos para o adulto. Com o passar das horas o adulto fica cada vez mais esquecido, de tal modo que, na terceira hora, ninguém mais percebe com atenção a sua existência. 

Enfim, a existência de um dispositivo educacional chamado de sala de aula, no século XIX, é um enigma . Da mesma forma o adulto responsável pelo discurso aos jovens, o educador, é um mistério. Muitos dizem que não existia educador na época. Pelos conflitos que a história nos informa, pela desorganização daquelas sociedades, guerras, degradação ecológica e outros fatores de degradação social, torna-se efetivamente difícil demonstrar que havia pessoas exclusivamente dedicadas à educação. Ou, hipótese levantada pelos filósofos sociais, foi exatamente graças a esses profissionais da educação que aquelas sociedades não atingiram um estágio de barbárie. Afirmam que foi graças a eles que a destruição total, que sabemos ter sido possível tecnologicamente naquela época, não ocorreu.

(Volker, 1998) Estamos no ano de 2160. Neste ano não existe mais sala de aula . Antigamente dava-se esse nome a reunião forçada de 30. 40 e 50 crianças ou jovens entre quatro paredes, havendo em média um espaço de um metro e meio entre cada um. Esse fato é hoje estudado como se estuda com espanto, as antigas celas onde ficavam os padres nos mosteiros medievais.

Para entender o que era uma sala de aula, são estudados fragmentos arqueológicos relativos às práticas realizadas nesses locais. Impressiona-nos hoje a insensibilidade das pessoas da época que não percebiam ser biologicamente impossível manter a ordem nesses lugares, tendo organismos tão agitados como crianças e jovens; ser fisicamente impossível manter a serenidade em pessoas, com a capacidade de gerar e acumular tanta energia. E nos espantamos mais ainda com o fato de vários locais desse tipo terem conseguido, por métodos misteriosos e desconhecidos, manter tantas crianças e jovens parados, assentados e “atentos” por quatro ou seis horas todos os dias!

Hoje nos perguntamos: o que faziam lá?

Não se sabe ao certo o que faziam nelas. Algumas pesquisas antropológicas teimam em afirmar que eram dadas aulas: longos discursos de especialistas ouvidos passivamente pelas pessoas assentadas. Pesquisas recentes refutam essas teorias. Já foi demonstrado ser impossível a um jovem ficar mais de uma hora ouvindo alguma coisa sem, ter fortes dores no corpo ou compulsão irresistível para andar, correr ou pular. Baseados nessas pesquisas, cientistas políticos defendem a tese de que essas construções de salas eram equipamentos políticos de controle de massas de jovens, objetivando manter a situação de grupos dominantes na época.

De qualquer forma, educadores, de modo geral, concordam que essas estranhas construções podiam servir para vários fins, menos para a educação. Para um aproveitamento de 30% de um discurso, um jovem necessita participar com diálogo pelo menos 30% do tempo desse mesmo discurso. O jovem aprende quando pergunta, critica, refuta, duvida.

Num lugar fechado com mais de 40 pessoas e apenas um discursando, é impossível que esse índice de aprendizagem ocorra. Dessa forma, se o aprendizado era abaixo de 30%, esses lugares poderiam ser qualquer coisa, menos uma sala de educação.

Em outros sítios arqueológicos foram encontrados escombros desse tipo de instituição com mais de 100 salas. Admite-se que havia instituições que possuíam mais de 5 mil jovens reclusos, ao mesmo tempo, num período de cinco horas.

Fragmentos de objetos marcados por símbolos, tidos como forma de comunicação, mostram que ensinavam rudimentos de Filosofia, destacados como como especialidades, denominadas Matemática, Física, Química, entre outras. Especialistas discutem se é possível construir um discurso lógico e inteligível sobre qualquer uma dessas especialistas sem referencia a outras, como fazemos hoje nesse saber que chamamos Filosofia. Parece que no século XIX, os saberes eram isolados, possuindo identidade própria, sem uma referência mútua explicita.
Sabe-se, por exemplo, que os números, o que na época eram denominadas Matemática ou Calculo, eram estudados sem a prática da música. É provado que a música, não era admitida nesses locais com regularidade, pois em pouquíssimas instituições foi encontrado algum fragmento de instrumento musical. 

De qualquer forma, o grande enigma dessas instituições continuava sendo o que ocorria nas salas. Simulações realizadas nos processadores da realidade virtual cruzaram variáveis referentes ao clima (clima médio de uma aglomeração populacional da época, em torno de 30 graus), nível de ruído, energia produzida e dissipada por 40 jovens de 17 anos, variáveis compartimentais, variáveis psicológicas e um ponto de referencia , que seria o adulto responsável pelo discurso.. O resultado visual dessa simulação uma cena em que, no período de uma hora, esse centro de referencia ( o adulto que fazia o discurso) é reconhecido por todos ao mesmo tempo, em média, durante apenas 5 minutos. Nos outros 55 minutos,em média apenas 10% das 40 pessoas reconhecem o adulto como centro de atenção. Os outros 90% dos ouvintes, em média, olham para outras coisas, menos para o adulto. Com o passar das horas o adulto fica cada vez mais esquecido, de tal modo que, na terceira hora, ninguém mais percebe com atenção a sua existência. 

Enfim, a existência de um dispositivo educacional chamado de sala de aula, no século XIX, é um enigma . Da mesma forma o adulto responsável pelo discurso aos jovens, o educador, é um mistério. Muitos dizem que não existia educador na época. Pelos conflitos que a história nos informa, pela desorganização daquelas sociedades, guerras, degradação ecológica e outros fatores de degradação social, torna-se efetivamente difícil demonstrar que havia pessoas exclusivamente dedicadas à educação. Ou, hipótese levantada pelos filósofos sociais, foi exatamente graças a esses profissionais da educação que aquelas sociedades não atingiram um estágio de barbárie. Afirmam que foi graças a eles que a destruição total, que sabemos ter sido possível tecnologicamente naquela época, não ocorreu.

(Volker, 1998) 

Publicado no Blog Falando de História em 2010. Disponível em: http://falando-historia.blogspot.com.br/2010/04/para-refletir-cronica-de-uma-morte.html

Para pensar...

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domingo, 18 de agosto de 2013

Dia do Patrimônio Histórico

O Dia do Patrimônio Histórico foi instituído no Governo de Getúlio Vargas, pela Lei 378 de 1937, dia da criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Brasil ( Iphan).

A data foi escolhida para homenagear  historiador e jornalista Rodrigo Mello Franco de Andrade (Belo Horizonte-MG, 1898-1969), que nasceu neste dia.

O Dia do Patrimônio Histórico foi instituído no Governo de Getúlio Vargas, pela Lei 378 de 1937, dia da criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Brasil ( Iphan).

A data foi escolhida para homenagear historiador e jornalista Rodrigo Mello Franco de Andrade (Belo Horizonte-MG, 1898-1969), que nasceu neste dia.

sábado, 10 de agosto de 2013

10 de agosto de 1995 - Adeus ao mestre Florestan Fernandes, o pai da sociologia brasileira

Por: Lucyanne Mano


"Comecei a trabalhar aos 6 anos e meu passado me deu fibra e identificação com os oprimidos, os trabalhadores, minha classe de origem". Florestan Fernandes


Seis dias depois de se submeter a uma operação de transplante de fígado, o sociólogo Florestan Fernandes, 75 anos, morreu no início da madrugada no Hospital das Clínicas na capital paulista. Seu corpo foi velado no Salão Nobre da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, de onde partiu para a cremação no cemitério de Vila Alpina, também em São Paulo.

Mais do que o pai da sociologia brasileira, com 56 livros publicados, o intelectual Florestan Fernandes foi um grande educador, não só pelos 24 anos de exercício prestados à atividade na Universidade de São Paulo (USP), como pela capacidade de hipnotizar platéias nas conferências em que defendia as suas teses. Entre elas, Mestre Florestan foi um defensor intransigente da escola pública. Devotou seu trabalho político - filiado à esquerda socialista - a ressaltar a importância do ensino gratuito, de qualidade, acessível a todos os brasileiros como única forma capaz de promover a democracia. Teve também participação decisiva nos primeiros estudos sobre a questão do negro na sociedade de classes brasileira.

Cassado pela ditadura militar em 1969, ele se exilou por três anos nas universidades de Toronto, no Canadá, e Columbia e Yale, nos EUA. 

Mestre Florestan foi um otimista. "Confio no país e acredito no seu desenvolvimento", declarava. Sua vida foi um claro exemplo desta fé. Paulistano, nascido em 22 de julho de 1920, filho de lavadeira, nunca conheceu o pai. Foi engraxate e trabalhou desde os 6 anos para sobreviver. Aos 17 anos matriculou-se num Curso de Madureza, fazendo em três anos o que os mais privilegiados levavam sete. Trilhou caminhos incomuns para desembocar no início dos anos 40, na recém criada Escola de Sociologia e Política da USP. De sua origem, tirou para a vida a inspiração socialista, que não abandonou nem mesmo após a queda do Muro de Berlim (1989). De orientação marxista, montou em seus anos de academia uma invejável biblioteca de mais de 20.000 livros.

Casado com Dona Myrian, teve seis filhos. E para a posteridade, deixou muito mais que livros, um exemplo de coerência e ética, raros nestes tempos de modernidade.


Fonte: Jornal do Brasil CPDOC/Jornal do Brasil. Disponível em: http://jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=27726