terça-feira, 9 de abril de 2013

CQC conversa com militares que comemoram golpe de 64

O CQC conversou com um grupo de militares que comemorou o aniversário de 49 anos do golpe militar no Brasil. No evento, alguns presentes defenderam uma nova ditadura no Brasil e criticaram a presidente Dilma Rousseff por criar a Comissão da Verdade. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Fora da linha


Criada em 1854 pelo Barão de Mauá, primeira ferrovia do Brasil quase desapareceu
Por: Mauro de Bias

Fora da linha -- Criada em 1854 pelo Barão de Mauá, primeira ferrovia do Brasil quase desapareceu
Caminhando pelo distrito de Piabetá, em Magé, na Baixada Fluminense, ela pode passar despercebida, mas sua importância não é pequena. Soterrada por asfalto, canteiros e ocupações irregulares, jaz a primeira ferrovia construída no Brasil, a Estrada de Ferro Barão de Mauá. Tombada pelo patrimônio histórico, a linha de 14 quilômetros, que vai de Guia de Pacobaíba a Raiz da Serra, está em grande parte tão danificada que já desapareceu.
Para reativar a linha, foi formado um grupo de trabalho que deve contratar nos próximos meses um levantamento completo do estado atual do patrimônio. Mas os desafios são muitos, conforme explica Antonio Pastori, representante da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária (AFPF) no grupo. “Magé tem dívidas com a União e o Iphan não tem verba para bancar o projeto”, comenta.
As soluções estudadas envolvem a inclusão do projeto na Lei Rouanet, de incentivo à cultura, e a criação de uma parceria público-privada com algum investidor. “Mas a lei está passando por uma revisão e, enquanto isso não se resolve, não podemos fazer nada com ela”, lamenta Pastori.
Cristina Lodi, superintendente do Iphan-RJ, ressalta que os custos são altos e a restauração, incerta. “Vamos contratar um estudo para saber exatamente o estado do patrimônio. Tudo vai depender do que a gente encontrar”, diz a dirigente, que vê na remoção de famílias o maior desafio.
No entanto, Cristina acredita que o primeiro passo já foi dado, a criação do grupo de trabalho. “Sem esse esforço de várias entidades, não iríamos conseguir nada”, afirma. Participam das reuniões o Iphan-RJ, o Iphan nacional, diversos secretários municipais de Magé, a AFPF e o governo do estado. Uma vez iniciado, a previsão é de que o levantamento do patrimônio leve 14 meses.
Segundo Carlos Gabriel Guimarães, professor de história da UFF, a ferrovia representa a riqueza histórica da Baixada Fluminense e a economia movimentada do Brasil no século XIX. Criada em 1854, a linha escoava a produção de café do Vale do Paraíba ao porto do Rio de Janeiro, com uma conexão por navio entre Magé e a capital. No entanto, com a concorrência da Estrada de Ferro D. Pedro II, que ligou Barra do Piraí ao porto em 1864, a linha logo entrou em decadência.
Guimarães defende a recuperação do patrimônio. “A linha deveria ser modernizada. Sem dúvida, ela é importante para a memória do país. Não só a ferroviária, mas também o que foi o século XIX. O Brasil foi um império importante, teve seu papel no cenário mundial”, conclui.
Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional. Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em-dia/fora-da-linha

5 de abril de 1968 – Governo proíbe o funcionamento da Frente Ampla

Reprodução: Blog Hoje na História


Por meio de uma Portaria do Ministério da Justiça, divulgada pelo programa radiofônico Voz do Brasil e publicada no Diário Oficial, o governo militar proibiu qualquer atividade política da Frente Ampla – manifestações, reuniões, comícios, passeatas e desfiles – em todo o território nacional, ameaçando prender os políticos cassados que desrespeitassem a nova ordem. O líder do MDB na Câmara, deputado Mário Covas, convocou todos os parlamentares da oposição ao regime para estudarem a Portaria, assim que soube da notícia.

Para Covas, a Portaria representou “um ato de violência que fere a própria legalidade instituída pela Revolução de 1964, e inicia a escalada para a ditadura franca”.

Além de proibir a existência da Frente Ampla, numa decisão que surpreendeu a classe política – inclusive as lideranças do Governo no Congresso – a Portaria, baseada na “legislação revolucionária” sobre os políticos cassados, determinou à polícia que prendesse em flagrante quem, estando banido politicamente, fizesse pronunciamentos sobre a Frente ou desenvolvesse atividade política.

O decreto também mandou apreender jornais, revistas e quaisquer publicações que divulgassem atividades da Frente ou pronunciamentos de políticos cassados. Contra os políticos e os órgãos de divulgação que infringissem tais normas haveria instauração imediata de inquéritos policiais.

A atitude do Governo contra a Frente despertou, nos meios políticos, a convicção de que se iniciara uma nova fase de endurecimento político no país. Inconformado com a Portaria, o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, informou que iria entrar em contato com seus advogados para ver como poderia resolver esta situação. Saberia mais tarde que nada poderia fazer para impedir a ruína da Frente Ampla e das iniciativas democráticas nos “Anos de Chumbo”.

Criada em 1966 como via de oposição ao Regime Militar, instaurado em 1964, a Frente Ampla tinha como seus líderes antigos rivais políticos (Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino Kubitschek), que se uniram em um grupo que se opunha à ação antidemocrática do Governo. Antes de ser proibida, a Frente se aproximou dos movimentos estudantil e trabalhista, promovendo comícios que enfatizavam a luta contra as políticas estudantil e salarial.

Fonte: Blog Hoje na História/CPDOC Jornal do Brasil. Disponível em: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=20377