sábado, 19 de abril de 2014

Indígenas: a luta dos povos esquecidos


Existem 305 etnias indígenas no país, que integram uma população com cerca de 897 mil pessoas. Apesar de se reconhecerem como indígenas, nem todas os grupos conseguiram conquistar seu território. Os Guarani Kaiowá, por exemplo, ainda lutam pelo reconhecimento da terra sagrada, o Tekoha.
No Brasil, há 505 terras indígenas reconhecidas -- um total de 12,5% do território. A terra indígena Suruí foi demarcada em 1976, mas os índios só receberam a posse total sete anos depois. Parte do território fica em Mato Grosso e parte em Rondônia. Já se passaram trinta anos e os Suruí (ou Paiter, em tupi-mondé, como preferem ser chamados) ainda lutam para preservar seu território. Nos anos 80, metade da área acabou nas mãos de fazendeiros e empresas.
A principal ação conjunta do governo federal, o Programa de Proteção e Promoção dos Direitos dos Povos Indígenas, usou 652,6 milhões de reais no ano passado -- 70% do que havia sido autorizado no orçamento. Desse total, 92% foram para ações de saúde indígena. Sobrou pouco para outras áreas, como fiscalização, projetos sustentáveis e preservação dos conhecimentos.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mensagem de Páscoa


16 de abril de 1984: Diretas já reúne mais de 1 milhão em São Paulo

Por: Lucyanne Mano


No vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, 1 milhão 300 mil pessoas (1 milhão e 500 mil, segundo a Polícia Militar) reuniram-se no último e maior comício realizado no Brasil pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que restabeleceria eleições diretas para Presidente da República imediatamente. O povo reuniu-se às 17h30 na Praça da Sé e começou a dispersar-se cerca de três horas depois.


Além de Franco Montoro, de São Paulo, compareceram à passeata pelo centro da cidade os então governantes do Rio, Leonel Brizola, e de Minas Gerais, Tancredo Neves, os quais passaram momentos de tensão quando ficaram espremidos no meio da multidão. Montoro e Brizola foram vaiados alguns momentos antes de seus discursos. Tancredo Neves, o primeiro a falar, no entanto, foi muito aplaudido quando disse: “Chegou a hora de libertarmos esta pátria desta confusão que se instalou no país há 20 anos” e seguiu defendendo a aprovação da emenda no Congresso, afirmando que os parlamentares que votassem contra ela deveriam se retirar da Casa, já que não representavam mais a vontade do povo.

Em Brasília, o Presidente João Figueiredo, declarou numa reunião com senadores que as eleições diretas não aconteceriam imediatamente (em novembro do mesmo ano, como queria a Emenda Dante de Oliveira). “Não teremos eleições diretas já”, anunciou ele no Palácio do Planalto. 

Apoiado pelos militares, Figueiredo propôs outra emenda, com eleições diretas para a Presidência apenas em 1988, data considerada por ele precoce, mas que ficou estabelecida após um consenso entre membros do governo.

O movimento das “Diretas Já” teve início em 1983, em Pernambuco. Desde março deste ano, o movimento realizou passeatas em todo o país, terminando com a maior de todas, a do dia 16 de abril de 1984. Apesar da grande mobilização popular, a Emenda Dante de Oliveira não foi aprovada. As eleições diretas para escolher o Presidente da República só aconteceram em 1989 – um ano depois do que propusera Figueiredo. O “Diretas Já”, no entanto, garantiu uma grande vitória no ano seguinte de seu último protesto, quando um de seus líderes, Tancredo Neves, foi eleito indiretamente ao mais alto cargo do Executivo, ocupado por militares desde 1964.


Outras efemérides de 16 de abril
1909: O herói sir Ernest Shackleton
1973: Censura reexamina revistas
2007: O esporte brasileiro perde Maria Lenk, a rainha das piscinas

Fonte: Blog Hoje na História. CPDOC/Jornal do Brasil