quarta-feira, 4 de maio de 2011

74 anos sem Noel Rosa

4 de maio de 1937 - Adeus a Noel Rosa, o poeta maior da Vila
Por:  Lucyanne Mano

"Nosso amor que eu não esqueço e que teve o seu começo numa festa de São João. Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete, sem luar, sem violão. Perto de você me calo, tudo penso e nada falo, tenho medo de chorar. Nunca mais quero o seu beijo, mas meu último desejo, você não pode negar. Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga, se você me quer ou não. Diga que você me adora, que você lamenta e chora a nossa separação. E às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto, que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida, que eu não mereço a comida que você pagou pra mim." Noel Rosa


O morro está de luto. Morreu Noel Rosa, 26 anos, vítima de uma tuberculose que o perseguiu em sua vida boêmia, o sambista maior de Vila Isabel. Para a música popular, o querido compositor representava uma personalidade e tanto. A Vila desceu para conduzir Noel para o repouso eterno. Ele foi o seu intérprete e morreu como um sambista deve morrer: cantando com o ritmo na boca, abafando o seu último suspiro.




Noel de Medeiros Rosa nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, em parto difícil. Os médicos usaram o fórceps, que acabou afundando seu maxilar, causando-lhe uma paralisia parcial no lado direito do rosto. Foi responsável pela união do samba do morro com o do asfalto. Criado em Vila Isabel, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música. Suas composições nasceram aos pés da Baía de Guanabara. Entrou para a faculdade de medicina, mas logo abandonou o curso para ingressar na vida artística, em meio ao samba e às noitadas regadas a cerveja. 


Noel, sem diploma, catava ritmos nas ruas, vasculhava cadencias nos morros da cidade e com essa matéria prima tecia a sua música, que constituía a delícia da cidade, o embalo da população.

Em 1929 nasceu o seu primeiro samba, Com que Roupa?, que se transformou no grande sucesso do carnaval de 1931. Noel revelou-se um talentoso cronista do cotidiano, com uma sequencia de canções que primam pelo humor.


Fonte: Blog Hoje na História - CPDOC Jornal do Brasil

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